quinta-feira, 22 de março de 2012

Empresa introduz cultivo de pinhão manso atóxico no norte de Moçambique



A Agronegócio, uma empresa baseada na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique vai introduzir, ainda no presente semestre, naquela região do país, a planta de pinhão manso atóxica.
Está sendo preparados em Bilibiza, distrito de Quissanga, em Cabo Delgado, quinze hectares para o cruzamento da pinhão manso tóxica que abunda no país e uma outra atóxica importada das Filipinas, numa parceria entre a Agronegócio e a empresa japonesa “Nippon Biodiesel Fuel Co., Ltd”.
Espera-se que até ao final do presente ano sejam distribuídas, a dez mil pequenos agricultores, cerca de três milhões de mudas de pinhão manso atóxico.
Bachir Afonso, da Agronegócio, disse que com a pinhão manso não tóxica pretende-se garantir não só a produção de biocombustíveis, mas também o uso da torta do pinhão manso para a produção de rações para animais e o respectivo óleo para a fabricação de sabões em grande escala.
Há também planos de usar o bagaço para a produção de um tipo de carvão vegetal, de forma a minimizar o desmatamento de áreas nativas realizadas pelos pequenos agricultores moçambiquenhos que desenvolvem essa atividade.
Atualmente, os pequenos agricultores são orientados a usarem o sabão que fabricam, a partir do óleo de pinhão manso tóxica, apenas para as limpezas, incluindo a lavagem de roupas. Um exemplo disso vem da Aldeia de Ngewe, distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado. Naquela região, como em várias outras daquela província, o óleo de pinhão manso, que ainda é extraído artesanalmente, é também usado para a iluminação.
Por outro lado, a Agronegócio espera desenvolver uma experiência da vizinha Tanzânia de produção de repelentes de mosquitos a partir do óleo de pinhão manso.
Afonso referiu que com o pinhão manso atóxico agregar-se mais valor à atividade mas, declarou, que mesmo com a planta tóxica “há muita coisa boa que pode ser feita”, nomeadamente a produção de biocombustiveis, uma energia considerada positiva por reduzir os níveis de emissões do dióxido de carbono, para além de ser uma energia renovável.
No âmbito da parceria com o Japão, a Agronegócio vai receber, “brevemente”, um novo equipamento para extração do óleo de pinhão manso, importado daquele país asiático.
O maquinário terá capacidade para produzir duas toneladas de óleo de pinhão manso por dia e vai ser implantado em Bilibiza, distrito de Quissanga.
“Será mais um grande passo na produção do biodiesel, biogás, e bagaço”, disse Bachir Afonso.
Fonte: http://www.interjornal.com.br/noticia.kmf?cod=13044784
Desmistificando o assunto
Os genótipos atóxicos silvestres (nativos) presentes na América Central possuem baixa produtividade em sementes e apresentam a mesma sensibilidade a doenças que os genótipos tóxicos. 
Experimentos realizados por renomados pesquisadores brasileiros com o cruzamento de genótipos atóxicos com os tóxicos resultaram em plantas que produziram sementes tóxicas. 
Até o que sabemos, no estágio atual de pesquisa sobre o assunto, não existe relato de cruzamento dos genótipos atóxico com tóxico gerando filhas que produzem sementes atóxicas.
Acreditamos que o gene para determinar a toxidez na semente de pinhão manso seja dominante.
A Embrapa Agroenergia desenvolve P&D em várias vertentes de pesquisa sobre a cultura do pinhão manso e uma delas está direcionada para obtenção de genótipos de pinhão manso atóxicos  mais produtivos.
A tendência para o futuro, com os avanços em P&D, é que se obtenham variedades com alto desempenho produtivo agregando valor à cadeia produtiva com a destinação da torta do pinhão manso para ração animal.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Série: Cultivo do Pinhão Manso (Indicado para Cultivo de Plantas Silvestres)


Seleção da Área para Cultivo do Pinhão Manso

Os plantios podem ser feitos em áreas com topografias planas a inclinadas, devendo-se evitar áreas sujeitas a alagamentos ou encharcamentos, bem como áreas sujeitas à ação prolongada de ventos, ou seja, solo com boa drenagem.
Focando no conceito da agricultura de precisão sugere-se a análise de solo para melhor eficiência na indicação dos macros e micronutrientes indicados para atender as exigências nutricionais da cultura.

Amostra do Solo

Uma vez definida a área, realizar a retirada de amostras de solo submetendo as mesmas à análise laboratorial da composição química e biológica, para nortear as  recomendações de calagem para correção do pH, de adubação para suprir eventuais necessidades de micro e macronutrientes, de tratamento antifungos e bactérias. Esta primeira análise do solo servirá como importante registro histórico do uso do solo base para o manejo e monitoramento do cultivo.
Sistemática para a Coleta do Solo
Modo de Deve-se coletar na projeção da copa, caminhando em zig-zag. O tipo de processo usado e a orientação do técnico indicará o melhor sistema de coleta. As amostragens do pinhão manso devem ser realizadas nas profundidades de: 0-20 cm, 20-40 cm e 40-60 cm, realizando as seguintes análises:
  • Matéria orgânica
  • pH, Al, SB, CTC, V
  • Macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S)
  • Micronutrientes (B, Cu, Zn, Mn, Fe)
Etiquetar a amostra, com as informações inerentes, tais como: local, data e hora da coleta e nome do coletor.

Preparo do Solo

Sugere-se o plantio direto, via sementes, para as áreas extensas.
No caso de pequenas áreas o plantio indireto, via mudas, é o mais seguro por se tratar o pinhão manso de é uma planta perene (frutífera). Sugere-se o coveamento com covas de tamanho mínimo de 30x30x30 cm/cada. A área deverá ser conduzida limpa, com o coroamento em torno de cada planta evitando assim a competição com plantas daninhas, pastagens ou outra vegetação predominante na área, sendo que o coroamento dever ser feito com diâmetro de 1 metro de cada planta.
Conforme já mencionamos em artigos anteriores, o pinhão manso é uma planta pioneira e, portanto, não suporta competição com plantas daninhas. Assim o  coroamento deve ser conduzido anualmente, mantendo as plantas em áreas limpas.

Calagem

Implantado o cultivo por coveamento a calagem será feita com uso direto do calcário na cova, aplicando-se 300 gramas de calcário por cova. Do total, cerca de 100 gramas serão lançados dentro e nas paredes laterais de cada cova e as 200 gramas restantes serão misturadas de forma homogênea na terra que será retirada na abertura das covas.
Após o primeiro ano de plantio, a calagem deverá ser realizada em superfície e a dose recomendada em função do resultado da análise química do solo na profundidade de 0-20 cm, elevando-se a saturação por bases a 60% (Recomendação da Embrapa).

Produção de Mudas

Implantação do Viveiro

Sugerimos a produção das mudas em sacos de polietileno para mudas de tamanho 17cm x 28cm.
As sementes devem ser de boa procedência, preferencialmente originária da região (melhor adaptadas ao clima), com bom padrão sanitário (selecionadas) e de produtor conhecido. As sementes serão depositadas diretamente nos saquinhos, semeando-se uma por sacola. Atentar para o correto posicionamento da semente no substrato da sacola – profundidade de 2 cm.
Lembre-se que da semeadura em sacola até o transplantio no campo são demandados de 40-50 dias, assim a programação de produção das mudas deve estar casada com o preparo da área e covas no local do plantio definitivo, evitando-se estiolamento das mudas e a deformação da raiz pivotante (efeito J) ainda nos viveiros. De qualquer forma, no momento do plantio o fundo da sacola deve ser cortado com ferramenta (faca) bem afiada (eliminação de aproximadamente 1,5 a 2 cm do fundo da sacola/muda).
A produção de mudas dever ser a pleno sol, com irrigação constante nos primeiros quinze dias (pela manhã e à tarde), uma vez ao dia nos 15 dias subseqüentes e dia sim, dia não a partir de 35 dias até o momento do transplantio.
Para a produção de mudas em sacolas deverá ser utilizado o seguinte substrato (para 1.000 mudas):
  • 700 litros de terra de subsolo peneirada
  • 300 litros de esterco de curral curtido
  • 05 quilos de adubo superfosfato simples
  • 2 quilos de calcário dolomítico
  • 0,5 quilo de cloreto de potássio
Observação: Recomendação da Embrapa Agroenergia
Estes itens devem ser misturados de forma homogênea e o substrato resultante desta mistura utilizado para o enchimento dos sacos. 
No período inicial é importante o monitoramento do viveiro quanto à ocorrência de doenças e pragas. Visando precaver a ocorrência de doenças e plantas daninhas, fumigar o substrato com gastoxin ou similar, e após a semeadura nos sacos, pulverizar com monceren (100 ml para cada 100 litros de água) para evitar tombadeira.

Adubação de Plantio e Cobertura

O solo da cova de plantio deve conter elevado teor de nutrientes, pois na fase de muda o sistema radicular do pinhão-manso apresenta baixa eficiência de absorção dos nutrientes aplicados ao solo.
Na cova de plantio recomenda-se aplicar:
  • 10 litros de esterco de curral;
  • 300 gramas de calcário;
  • 400 gramas de superfosfato simples.
A terra para preenchimento da cova deve ser retirada, preferencialmente, da camada superficial do solo, que possui maior fertilidade natural do que a terra retirada em profundidade da cova. O calcário, o adubo orgânico e os fertilizantes devem ser bem misturados com a terra da cova de plantio.
Após o pegamento das mudas deve-se iniciar as adubações de cobertura, seguindo a recomendação abaixo:
Recomendação da adubação de cobertura para pinhão-manso de acordo com os dias após o plantio (DAP)
Dias após o plantio
gramas/planta
Formulado
30
30
20-00-20
60
60
20-00-20
90
80
20-00-20

Adubação de Produção

A cada ano, em função das análises químicas de solos, as plantas receberão adubação de produção com formulado 20-10-20 (NPK), bem como adubação com esterco de curral ou cama de frango. A experiência recomenda usar como referência para o  cálculo de uso dos fertilizantes, nas adubações de cobertura, a média a recomendação na tabela a seguir; observando o calendário agrícola da região.
Idade da Planta
gramas/planta
Formulado
1 a 2 anos
300
20-10-20
3 a 4 anos
450
20-10-20
4 a 5 anos*
600 - 750
20-10-20
* A partir do 5º ano de cultivo, seguir a recomendação de adubação para o 4º ano
A dose total de fertilizante recomendada para o calendário agrícola deve ser parcelada em três aplicações nos meses de novembro, janeiro e março.
Sugere-se também adoção da adubações com esterco de curral (10 litros/planta) ou cama de frango (03 litros/planta) em complemento à adubação química e promoção da melhoria na textura do solo.
Deve-se realizar, a partir do primeiro ano após a implantação da cultura, adubação foliar com uso da seguinte calda (gramas/100 litros de água):
  • Ácido bórico - 200 gramas
  • Sulfato de zinco - 200 gramas
  • Cloreto de potássio - 200 gramas
  • Sulfato de cobre - 200 gramas
  • Enxofre - 200 gramas
Observação: Sugestão da Embrapa Agroenergia
Esta adubação foliar dever ser realizada em duas aplicações ao ano, nos meses de novembro e fevereiro.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Híbridos de pinhão manso no Brasil: anunciado nova injeção de capital em pesquisa para 2012


Foi anunciado, dia 17 de janeiro (terça-feira), novo aporte de capital para empresa americana SG Biofuels dar continuidade ao seu programa de melhoramento genético do pinhão manso no Brasil. 
Os recursos somam US$ 17 milhões e são financiados por empresas de venture capital e investidores estratégicos na SG Biofuels. Esse capital dará novo fôlego à empresa para prosseguir com suas atividades de desenvolvimento de novos híbridos de pinhão-manso para a produção de bioquerosene de aviação no Brasil.
Com os recursos, aportados pelos fundos Thomas, McNerney & Partners, Finistere Ventures e pelos investidores Flint Hills Resources, LLC e Life Technologies Corporation, a empresa pretende se preparar para elevar a produção de sementes da oleaginosa a uma escala comercial. “Esta é uma importante iniciativa que nos permitirá dar continuidade às atividades de P&D no Brasil, desenvolvendo novos materiais genéticos para avaliação”, afirma o Vice-presidente de Marketing e Estratégia da SG Biofuels, Miguel Motta.
No momento, a companhia norteamericana volta suas atenções para as regiões Nordeste e Centro-Oeste (com foco no Cerrado), onde planeja seguir investigando a adaptação dos híbridos de Jatropha curcas a cada localidade, a fim de encontrar os melhores níveis de desempenho da planta.
Segundo Motta, a empresa já iniciou o plantio de pinhão-manso previsto pelo acordo com a Jetbio, anunciado em setembro do ano passado. A parceria prevê a formação de um consórcio – incluindo a Airbus, TAM Linhas Aéreas, Rio Pardo Bioenergia, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Bioventures Brasil e Air British Petroleum – para a plantação de 30.000 hectares da oleaginosa em Mato Grosso do Sul. Da matéria-prima plantada será extraído óleo bruto para a produção de BioQav para abastecer companhias aéreas. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Empresa Indiana anuncia cultivar híbrida de pinhão manso de alto rendimento


Mais uma empresa anuncia o desenvolvimento de uma cultivar híbrida de pinhão manso 

A indiana, Nandan Cleantec Limited, constituída no ano de 1.999. Empresa que se intitula especializada em desenvolvimento, pesquisa e inovação no setor de biocombustíveis sustentáveis, anunciou que detém cultivar híbrida de pinhão manso de alto rendimento. 
A empresa afirma no seu site (http://www.nandancleantec.com/) que é líder no mercado de biocombustível com cadeia produtiva verticalizada e integrada. Possui know-how em pesquisa e desenvolvimento com transferência de tecnologia ao campo e agregação de valor, comércio de produtos com várias aplicações para a indústria de transformação. 
Declarações da Nandan Cleantec Limited (NCL) diz que é uma empresa pioneira no seu segmento das indústrias com plantas verticalizadas e integradas para produção sustentável de biocombustível. A empresa afirma que esse formato de negócio elevou a empresa ao status de número um no domínio das energias sustentáveis. 
Mais uma vez, com o propósito de desenvolver em nossos leitores o senso de observação para tomada de decisão, realizamos uma varredura no site a procura de fatos que comprove a veracidade do anúncio sobre cultivar híbridas de pinhão manso de alto desempenho; honestamente, nada encontramos de extraordinário.

Nossos comentários  

As fotos (http://www.nandancleantec.com/gallery.html), divulgadas no site, mostram uma plantação com árvores, aparentemente, “bem engalhadas”, frondosas e de baixo porte. Pelo formato da copa, sugere-se que foram conduzidas para manejo de colheita manual. Uma observação mais atenta demonstra que são plantas comuns, pois: 

  • o engalhamento vigoroso é resultado do manejo (várias podas de condução e formação da planta) e não de genética avançada – já dissemos, esse tipo de manejo onera o custo de produção;
  • as plantas, da área de cultivo, possuem desenvolvimento desuniforme: para quem detém cultivar híbrida de alto desempenho a área de cultivo (galeria de fotos) deveria apresentar uniformidade na plantação - por clonagem; 
  • o cacho de frutos (galeria de fotos) é comum - diríamos a aparenta ser  abaixo da média em número de frutos em relação a planta silvestre conduzida sem nenhum tratamento especial; 
  • o tamanho dos frutos - idem comentário anterior;
  • outro detalhe importante: a foto que aparece os cachos de flores mostra praticamente só flores masculinas em detrimento das femininas (é fácil identificar as flores masculinas na florada do pinhão manso; elas se destacam por apresentar pétalas brancas ou verde claro e estames na cor amarela e posicionados no centro da flor – objetivo: atrair os insetos polinizadores. A cor das flores femininas é um verde uniforme) - demonstramos no artigo Aplicação dos reguladores de crescimento em pinhão manso que existe uma correlação estreita entre o aumento do número de flores femininas com a produção de sementes. 
Portanto, desejaríamos que a Nandan Cleantec Limited (NCL) apresentasse aos nossos leitores fotos de uma plantação uniforme, mostrando alto rendimento em frutos. Disponibilizasse também aos nossos leitores o informativo técnico, o mais completo possível, dessa cultivar híbrida de alta performance, informando nele: a produtividade, o teor de óleo das sementes, a resistência a quais pragas e doenças, a exigência nutricional e hídrica, entre outros. 

Prezados leitores, acessem o link: http://www.nandancleantec.com/gallery.html e nos encaminhem seus comentários sobre o que mais puderam observar nas fotos que deixa dúvida sobre o anúncio da empresa. Suas observações nos ajudarão esclarecer outros leitores menos atentos. Obrigado!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Série: Como cultivar pinhão manso



Série como cultivar pinhão manso 
Baseado na experiência da empresa BIOGUR no Estado do Pará e orientações de institutos de pesquisas.  
Alertamos nossos leitores para o fato de que o pinhão manso continua em processo dinâmico de domesticação e a cultura possui limitações ainda não superadas. Esses aspectos não superados deverão ser posteriormente esclarecidos pela pesquisas e, assim que disponíveis, haveremos de publicá-los neste blog. 
Passaremos a revelar aquilo que já está consagrado para a cultura e também destacaremos alguns pontos ainda não esclarecidos. 

Plantio indireto por meio de mudas obtidas de sementes 

Já dissemos anteriormente que a seleção da variedade para cultivos comerciais, constitui fator determinante para a obtenção de altos rendimentos na cultura do pinhão manso. A seleção de uma cultivar de alto rendimento é imprescindível para a obtenção de mudas de boa qualidade. Considerando que o pinhão manso é uma planta de ciclo perene ou permanente (de duração longa) e sua produção estabiliza-se com 3 a 4 anos. Produzir uma muda de boa qualidade é fator crucial na formação da lavoura/pomar e na viabilidade da atividade, pois uma vez o plantio estalado no campo e em produção, substituir essas plantas do pomar por outra muda de melhor performance ou por outro motivo, causa a interrupção do ciclo de produção e acarreta prejuízos expressivos, tanto em produtividade como em custo de manutenção – didaticamente vamos definir este aspecto como “etapa irreversível” para o bom desenvolvimento da lavora/pomar. 

Cultivares de pinhão manso de alto rendimento 

Sobre a obtenção de uma cultivar de alto rendimento, sugerimos nossos leitores interessados em cultivar pinhão manso que leiam nossas publicações anteriores. Nessas publicações esclarecemos algumas limitações da cultura para cultivo comercial e informamos que os avanços em pesquisas, como um processo dinâmico, deverão no futuro apresentar as soluções específicas. 
Informamos também que algumas instituições de pesquisas estrangeiras já anunciaram que detém a tecnologia para obtenção de variedades híbridas de pinhão manso de alto rendimento

Tecnologia da agricultura de precisão aplicada na obtenção de altos rendimentos para o setor 

A metodologia aplicada pela agricultura de precisão está revolucionando os cultivos comerciais, permitindo melhorar, significativamente, a rentabilidade da atividade uma vez que alcança altas produtividades com baixo custo de implantação e manutenção da lavouras/pomares Quando se trata de uma cultura de ciclo longo, como o pinhão manso, a implantação da lavoura/pomar deve ser criteriosa e a técnica orienta que a melhor alternativa para obtenção de mudas de alto vigor e sanidade, é, sem dúvidas, a clonagem “in vitro” (culturas em tecidos). Em nosso artigo: Clonagem do Pinhão Manso: alternativa para obtenção de linhagens altamente produtivas 
destacamos a indicação desta técnica para a implantação e desenvolvimento de cultivos comerciais em grande escala. 

Transferência da mudas para o campo, ou transplantio 

Uma vez que o agricultor obteve mudas de alto padrão de rendimento, ele deverá preparar a área definitiva para o transplantio das mudas. 
O planejamento desta etapa deverá ser elaborado conjuntamente com o fornecedor da muda e obedecerão: o calendário agrícola determinado para o clima de sua região, o resultado da análise de solo e a exigência nutricional da planta. Assim as mudas chegarão ao campo no momento exato para o transplantio; sem prejuízo de tempo ou estresse elevado das mudas. Para esta etapa a orientação de um técnico experiente em cultivo do pinhão manso é imprescindível, pois esta faz parte do que chamamos de “etapa irreversível” para o bem desenvolvimento da lavoura/pomar. Um erro aqui compromete a viabilidade do negócio. 

Preparação do solo, balizamento e abertura das covas 

A correção do solo, o balizamento (determinado pelo espaçamento) e a abertura das seguirão as recomendações técnicas do fornecedor de mudas indicadas para a respectiva cultivar e conforme o resultado da análise de solo. 

Adubação de plantio 

Após a abertura das covas, a quantidade e concentração dos macros e micronutrientes para a adubação de plantio serão determinados em parte pelo fornecedor das mudas (por meio das recomendações técnicas específicas para a cultivar) e em parte pelo técnico responsável pelo plantio (baseado no resultado da análise do solo). 

A exigência hídrica da planta também deverá estar descritas nas recomendações técnicas do fornecedor das mudas indicadas para a respectiva cultivar. 

Procedimento para o transplantio 

A terra removida será usada para preenchimento da cova. A parte da terra a ser devolvida para a cova deve ser, preferencialmente, a da camada superficial do solo, que possui maior fertilidade natural do que a terra retirada em profundidade da cova. O calcário, o adubo orgânico e os fertilizantes devem ser bem misturados com a terra da cova de plantio. 

Adubação de cobertura e de produção 

Após o “pegamento” das mudas deve-se iniciar as adubações de cobertura e, sequencialmente, a de produção. Estas etapas seguirão novamente as recomendações técnicas do fornecedor das mudas em associação ao resultado da análise do solo. Lembrado que a quantidade de adubo para a etapa de produção da planta deverá crescer ano após ano atendendo as necessidades de crescimento e de produção da planta; estabilizando-se com a maturação da lavoura/pomar. 
Em relação à adubação e outros tratos culturais, inclusive o controle de pragas e doenças, sugerimos aos nossos leitores consultarem os artigos: Estratégia para o controle de doenças e pragas no cultivo do pinhão manso  Teoria da TROFOBIOSE 

Consórcio do pinhão manso com outras culturas 

Uma prática considerada de grande importância para o produtor é o consórcio, pois proporciona a cobertura do solo mantendo a umidade, minimizando o aparecimento de plantas invasoras e principalmente, gera um aumento da renda do produtor por área. A Embrapa Agroenergia sugere como principais consórcios os das culturas alimentares como o milho, amendoim, feijão, arroz e hortaliças e ovino. O consórcio é realizado após o plantio do pinhão manso e segue a orientação de sempre deixar uma distância de 1,0 m entre a linha de pinhão manso e a da cultura consorciada para que não haja a competição por água e nutrientes.

Torta do pinhão manso: alternativa para viabilizar o cultivo

A torta do pinhão manso (Jatropha Curcas L.) como fonte proteica destinada a ração animal permite viabilizar econômica a cultura: é o que dizem os especialistas no assunto. Trata-se de um resíduo gerado no processo de extração do óleo da semente e possui alto conteúdo proteico (25 a 60%, dependendo do processo de extração). 
A planta pinhão manso possui “variedades silvestres” que geram sementes tóxica (maior parte dos acessos encontrados no mundo) e atóxica; identificadas na América Central, especialmente no México. 


Torta da variedade tóxica
Na torta da “variedade” tóxica existem fatores limitantes não só natureza tóxica, mas também alergênica e antinutricional; o que restringe sua aplicação na ração animal. A toxina presente na torta vem das substâncias curcina e o éster. 
O desafio para os pesquisadores é identificar e retirar os componentes tóxicos da torta viabilizando seu uso para a ração animal. 
No processo de esmagamento da semente da planta tóxica para a extração do óleo a curcina, normalmente, é eliminada; permanecendo o éster de forbol. 
Existem métodos de destoxicação da torta em estudo, desenvolvido por vários institutos de pesquisa brasileiros e internacionais. No Brasil, nessa linha de pesquisa, se destacam a Embrapa Agroenergia, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de Brasília (UNB), a Universidade Federal de Lavras (UFLA), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e outros. Embora existam métodos de desintoxicação da torta em estudo, não são economicamente viáveis até o momento (HELLER, 1996). 
A destoxicação da torta do pinhão manso é um processo complexo e até o momento, que seja do nosso conhecimento, nenhuma dessas instituições divulgou um método que seja economicamente viável.

Variedade e torta atóxica 
A torta atóxica do pinhão manso pode ser usada diretamente na preparação de ração ou concentrados destinados à alimentação animal. 
Veja o que dizem as pesquisas 

Testes com a variedade atóxica de pinhão manso tem revelado resultados animadores. Na Embrapa Agroenergia, num trabalho coordenado pela pesquisadora Simone Mendonça, foram desenvolvidos testes com ovinos alimentados com ração preparadas com adição de 20, 40 e 60% de concentrado de torta atóxica de pinhão manso. “Os animais apresentaram ganhos de peso e qualidade de carcaça semelhantes aos obtidos com o concentrado de soja, comprovando a aceitação dos animais por esta nova mistura”, destaca Mendonça. A variedade usada no experimento faz parte do Banco Ativo de Germoplasma (BAG), que fica na Embrapa Cerrados em Planaltina/DF com cerca de 200 acessos originados de diferentes regiões do País.

Outro desafios para pesquisa 

A variedade atóxica identificada pela Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) e que pode ser utilizada na alimentação animal apresenta baixa produtividade em grãos. Processos de melhoramento genético tradicional estão sendo conduzidos, por meio de cruzamentos com materiais tóxicos de maior rendimento, objetivando melhorar a performance desta variedade atóxica; segundo nos informou Bruno Laviola, pesquisador chefe da Embrapa Agroenergia.





Perspectivas futuras para o domínio e aplicação da torta do pinhão 
Veja o que afirmam os pesquisadores 
“O pinhão manso atóxico assemelharia à soja, pois o farelo para alimentação animal seria o produto principal, tendo o óleo como um co-produto” - Lília Sichmann H. del Aguila, pesquisadora do IAC – 2011. 
“Para a cadeia do biodiesel ser sustentável nós precisamos utilizar todas as partes da planta, tanto o óleo quanto os resíduos gerados” - Simone Mendonça, pesquisadora da Embrapa Agroenergia (DF) - 2011.

Composição nutricional das tortas e farelos 
Vários trabalhos de investigação da qualidade nutricional das tortas e farelos têm mostrado o potencial de utilização deste material na alimentação dos animais (Balbinot et al., 2006; Albuquerque, 2006; Neiva Junior et al., 2007; Silva et al., 2005a, 2005b; Arriel et al., 1999; Costa et al., 2004; Evangelista, et al., 2007; Barbosa, 2004; Valadares Filho et al., 2002). 



Maiores informações: 
Sobre a pesquisa do aproveitamento da torta de pinhão manso na alimentação animal, entrar em contato com a Embrapa Agroenergia pelo email sac.cnpae@embrapa.br

Fontes: 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-35982008001300030&script=sci_arttext 
http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2009/agosto/3a-semana/torta-do-pinhao-manso-destoxificada-pode-ser-opcao-para-racao-animal/ 
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/pesquisa-quer-retirar-toxinas 
http://www.tede.ufv.br/tedesimplificado/tde_arquivos/39/TDE-2007-06-27T131005Z-594/Publico/texto%20completo.pdf 
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/embrapa-avanca-no-pinhao-manso

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TAM ambiciona cultivo comercial de pinhão manso


Temos falado que nos últimos anos houve uma profusão de pesquisas direcionadas à domesticação do pinhão manso; uma das razões é a corrida por bioquerosene produzido sustentavelmente.
Confirmamos esse interesse com um artigo publicado pela Empresa TAM.
Segue abaixo...
TAM avança em projeto de biocombustível para aviação
Área agrícola da companhia abriga unidade de plantio de pinhão-manso, potencial matéria-prima para bioquerosene, em estudo coordenado pela JETBIO e realizado em parceria com empresas como Air BP e Airbus
A TAM Linhas Aéreas avança nos estudos de viabilidade de uma cadeia de valor para o cultivo agrícola, o manejo industrial e a distribuição em larga escala de uma nova opção de combustível renovável e eficiente para a aviação. Trata-se de um projeto de produção sustentável do bioquerosene produzido a partir de diversas fontes de matéria-prima. Entre elas, a semente de pinhão-manso (Jatropha curcas L.).
Atualmente, o Centro Tecnológico da TAM em São Carlos abriga uma área de cultivo experimental de pinhão-manso, onde estão sendo testadas variedades do vegetal que futuramente serão utilizadas em cultivos comerciais. O óleo proveniente desta semente, colhida em diversos pontos do Brasil e processado em bioquerosene, foi a origem do combustível utilizado para o voo demonstrativo feito pela TAM em novembro de 2010, numa mistura com 50% de querosene convencional.
O estudo idealizado pela TAM e pela JETBIO conta com parceiros como Air BP, Airbus, Rio Pardo Bioenergia, potenciais refinarias, empresas de engenharia e a Universidade de Yale, que conduz a análise do ciclo de vida de diversas matérias-primas para comparar a “pegada” de emissões e os impactos de uso da terra com a cadeia produtiva do querosene convencional.
“Atingimos um novo estágio do projeto. Nossa unidade de plantio de pinhão-manso já orienta os estudos de viabilidade técnica e econômica para o início da implementação de uma cadeia de valor integrada no Brasil. Com este trabalho de cooperação, pretendemos formar conhecimento técnico, infraestrutura, escala de produção e viabilidade comercial para o bioquerosene”, afirma Paulus Figueiredo, gerente de Energia da TAM Linhas Aéreas.
Para ser utilizado de forma parcial e gradual na operação de aeronaves comerciais, a alternativa energética para a aviação precisa de garantias do desenvolvimento do negócio, desde a produção agrícola até a distribuição do combustível nos aeroportos. Por isso as empresas resolveram conduzir os estudos para comprovação da sustentabilidade e da viabilidade econômica da produção.
A Bio Ventures Brasil, coligada da JETBIO no país, trabalha no desenvolvimento da produção comercial de pinhão-manso financiada por um fundo concedido pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Outros importantes financiadores são a fabricante de aviões Airbus e a Air BP, a divisão especializada em combustível de aviação de uma das maiores multinacionais do setor energético, a BP.
“O resultado dos estudos nos ajudará a dimensionar os impactos ambientais, sociais e econômicos da utilização em larga escala de um bioquerosene de pinhão-manso e, possivelmente, de outras culturas. No fim, todo o investimento deve se traduzir em mais uma conquista da indústria aeronáutica, com redução das emissões de carbono e cumprimento de metas internacionais no que se refere à substituição de combustível fóssil por combustível de aviação renovável”, destaca Figueiredo.
A IATA (International Air Transport Association) espera que, até 2017, opções renováveis de energia substituam em 10% todo o combustível utilizado pelas companhias aéreas do mundo.
Os próximos passos do projeto de biocombustível a partir do pinhão-manso são a avaliação e seleção das melhores variedades da planta, que servirão de base para a expansão das áreas produtivas. Além do cultivo experimental em São Carlos, a Bio Ventures Brasil, em parceria com a Rio Pardo Bioenergia, já iniciou plantios em Mato Grosso do Sul. Caso a produtividade seja satisfatória, a produção poderá ser expandida para até 30 mil hectares. A expectativa da Bio Ventures é iniciar a produção comercial do bioquerosene em 2014.
Fonte:www.tam.com.br/b2c/vgn/v/index.jsp?vgnextoid