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terça-feira, 27 de março de 2012

Série: Como Cultivar Pinhão Manso (Silvestre) – Controle de Pragas e Doenças

Controle de plantas daninhas

O controle de plantas daninha deve ser rigoroso, principalmente no primeiro ano, evitando a competição por nutrientes que poderia resultar no estiolamento da planta do Pinhão-manso – já mencionamos esse assunto em:  O principal aspecto do pinhão manso. O coroamento dever ser de 01 metro de diâmetro em cada planta, através do uso de enxada ou roçadeiras; tendo o cuidado de não atingir o caule; uso de herbicidas somente a partir do 2º ano, momento em que as plantas daninhas poderão ser controladas na linha, com herbicida dessecante (glyphosate) e na entrelinha com roçada do mato orientada por profissional habilitado – atenção para o uso dos EPI.

Principais pragas e doenças que atacam o pinhão manso

Abaixo serão descritas as principais pragas e doenças que atacam o  pinhão manso. Importante frisar a adoção da verificação de pragas e doenças na lavoura por meio de um roteiro bem orientado – rota de vistoria, frequência e mecanismo de registro (GPS ou prancheta, tomada fotográfica e amostra de tecido – quando couber). Essa  prática deverá ser realizada por uma pessoa treinada e capacitada. Assim, em qualquer ocorrência, o defensivo específico deve ser imediatamente lançado mão prevenindo a propagação. É importante proceder aos registros fotográficos e elaborar um relatório para histórico, controle e avalização.

Tripes (Selenothrips rubrocinctus)

As ninfas e adultos sugam as de folhas completamente formadas e, principalmente, folhas jovens do primeiro terço da planta. As ninfas são amareladas, com os dois primeiros segmentos abdominais vermelhos e o trips adulto tem coloração em geral preta ou marrom escuro.
Sinais característicos: As folhas sob ataque intenso ficam com uma coloração acinzentada, ocorrendo desfolha precoce e causando a mumificação dos frutos.
O uso de adubação adequada (ver teoria da trofobiose), a melhoria da aeração das plantas, a eliminação dos restos de poda e o controle das plantas daninhas auxiliam no controle cultural do trips. O controle químico pode ser realizado com alguns princípios ativos como acefato, acetamiprid, benfuracarb, carbofuran, carbaril, cipermetrina, dimetoato, fenitrotion, paration metil, e tiometon – sugestão da Embrapa.

Cigarrinha verde (Empoasca spp.)

A cigarrinha é um inseto de coloração verde clara a verde acinzentada. Tanto as formas jovens quanto os adultos sugam a seiva das plantas jovens e injetam toxinas. Esta praga causa amarelecimento, encurvamento de folhas e abortamento de flores. Quando o ataque é intenso, as folhas ficam rugosas e caem prematuramente, comprometendo o desenvolvimento da planta. A cigarrinha verde é mais prejudicial quando o ataque ocorre durante o florescimento e produção. Além disso, algumas espécies de cigarrinha podem ser transmissoras de viroses.
As plantas devem ser monitoradas continuadamente para se ter controle eficiente deste inseto. O controle químico é mais eficiente quando se utilizam inseticidas sistêmicos. Os produtos contendo princípios ativos como aldicarbe, betaciflutrina, bifentrina, carbaril, carbofuran, carbosulfan, clorpirifós, dimetoato, disulfoton, esfenvalerate, etofenprox, fenitrotion, fenpropatrina, forate, imidacloprid, metamidofós, monocrotofós, paration metil, piridafention, terbufós, thiamethoxan e deltametrina + triazófos são registrados para o controle das cigarrinhas verdes.
Formigas Saúva (Atta sexdens rubropilosa) e Rapa-rapa (Acromyrmex landolti balzan)

As formigas apresentam cor marrom-avermelhada. A formiga saúva ou cortadeira causa desfolha e corte de brotos e ramos verdes. Já a formiga rapa-rapa alimenta-se da casca do caule, causando anelamento das plantas.

Deve-se fazer o controle de formigas antes da instalação da cultura, pois estes insetos atacam principalmente mudas recém plantadas, causando falhas no plantio. O controle químico deve ser efetuado na área de plantio, bem como em áreas vizinhas, com o uso de iscas, pós, líquidos e gases formicidas.
Cupins (Syntermes spp., Cornitermes spp., Nasutitermes spp., Procornitermes spp., Armitermes spp., Heterotermes spp.)
Os cupins apresentam coloração amarelo claro a escuro. A espécie Syntermes e Cornitermes formam ninhos subterrâneos entre a cultura. A Nasutitermes formam ninhos em árvores, postes ou em pequenos montículos sobre o solo e infestam a cultura através das vizinhanças, podendo formar ninho até mesmo no pinhão manso.
Os cupins corroem a casca das raízes das mudas e plantas adultas, matando-as por dessecação. Em plantios efetuados por semeadura direta, podem causar falhas no estande final. No controle do cupim recomenda-se arrancar toda a planta atacada, inclusive raízes, e providenciar sua retirada da área de cultivo. Deve-se aplicar cupinicida no local. O controle químico pode ser efetuado com alguns cupinicidas, como carbofuran, endosulfan, imidacloprid, terbufós, e fipronil.

Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus Banks)

O ácaro branco é uma praga que se alimenta de vários tipos de plantas (polífaga) e cosmopolita. É invisível a olho nu. As folhas atacadas pelo ácaro paralisam o crescimento. Visualmente as folhas apresentam aspecto de papel crepom (ficam enrugadas). Quando o ataque é intenso, causam encurtamento de entrenós, engrossamento de talo e superbrotamento. O controle pode ser realizado com acaricidas como abamectin, endosulfan e enxofre. Essa praga ataca massiçamente a plantação e, se não controlada, aumenta os custos de manejo (poda) e reduz substancialmente a produtividade.
Na Região de Tucuruí, Estado do Pará, o ácaro, juntamente com o percevejo, são as principais pragas do pinhão manso. A ocorrência do ácaro é mais intensa no início do período de chuvas. Daí o planejamento da aplicação do defensivo deve observar esse período, pois, durante as chuvas, o serviço pode ser perdido. Defensivo de melhor custo benefício: abamectin.
Percevejo (Pachycoris sp.)
Os adultos apresentam cor verde claro com pintas avermelhadas, ou verde-escuro com pintas alaranjadas. As ninfas e os adultos sugam os frutos imaturos, causando abortamento prematuro, má formação das sementes e redução no peso e teor de óleo.
Para o controle desses percevejos ainda são necessárias pesquisas para recomendação de produtos efetivos.

Oídio (Oidium sp.)

O Oídio caracteriza-se pela presença de uma massa semelhante a um talco, de cor branca a cinza, na forma de manchas isoladas, comumente cobrindo folhas, ramos novos e frutos. Nas folhas, as manchas brancas acizentadas podem se tornar amareladas e, posteriormente, negras. Ataques severos podem causar queda de folhas e frutos. O seu controle pode ser efetuado com enxofre ou produtos químicos específicos. Outra medida importante é o controle de plantas daninhas, particularmente Euforbiáceas, já que estas podem ser hospedeiros alternativos do oídio.

Ferrugem (Phakopsora arthuriana Buriticá & Hennen)
A ferrugem do pinhão-manso não é tão facilmente diagnosticada como a que ocorre nas demais culturas, uma vez a intensidade da infestação é bem menor comparado a outras espécies de plantas atacadas por ferrugem. Na parte de cima da folha, os sintomas caracterizam-se por pequenas pontuações necróticas, de halo amarelo, delimitados pelas nervuras. Na parte de baixo da folha, os sintomas caracterizam-se por lesões acinzentadas, de halo necrótico, com a presença de pequenas pontuações correspondentes às pústulas onde os esporos são produzidos. O controle pode ser efetuado com produtos químicos específicos, especialmente produtos a base de cobre (protetores).

Podridão do colo

A podridão do colo ocorre geralmente em áreas setoriais dos plantios de pinhão-manso com mais de um ano de idade. Já descrevemos em artigos anteriores o agente causador da doença. Outros fatores abióticos parecem influenciar na ocorrência da doença e como medida preventiva deve-se evitar o plantio de pinhão-manso em solos sujeito a enxarcamentos e bem drenados.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Exigências nutricionais do Pinhão Manso - Planta Silvestre




As pesquisas em torno da domesticação do pinhão manso vêm acontecendo em ritmo acelerado e várias progressos e conquistas expressivas já foram alcançados uma vez que a cultura apresenta vários fatores favoráveis à sua indicação para produção sustentável dos biocombustíveis, sobretudo, no fortíssimo setor da aviação comercial (nacional e internacional).
Dentre essas conquistas destacamos a identificação da exigência nutricional da planta com vista a eficiência na aplicação de corretivos e fertilizantes no seu cultivo. 
Exigência Nutricional do Pinhão Manso 
A exigência nutricional do pinhão manso (planta silvestre) já é de domínio público. 
Nesse breve artigo vamos apresentar a tabela da exigência nutricional do pinhão manso (elaborada pela Embrapa) objetivando nortear os interessados em realizar cultivo bem manejado da cultura em relação a esse aspecto agrícola e orientar pesquisadores e estudantes sobre o assunto.

Tabela da exigência nutricional do pinhão Manso
Ano de Cultivo
Produção de Sementes (g)
N
P
K
Ca
Mg
S
g / planta
1º
100
2,92
0,57
2,07
1,16
0,53
0,09
2º
500
14,62
2,87
10,37
5,80
2,68
0,47
3º
2.000
58,50
11,42
41,47
23,19
10,71
1,88
4º
4.000
117,00
22,85
82,93
46,38
21,41
3,75
Outros Micronutrientes
No artigo série como cultivar o pinhão manso descrevemos o teor de outros micronutrientes exigidos no cultivo bem manejado do pinhão manso.
Lembramos que o pinhão manso continua sendo uma cultura com potencial para a produção sustentável de biocombustível, em processo de domesticação, portanto seu cultivo em grande escala continua sendo um investimento de grande risco.
Assim sugerimos aos interessados cautela e consulta a produtores experimentados e especialistas antes de decidirem pelo desenvolvimento da atividade.
Fontes: Embrapa Agronergia, ABPPM, BIOJAN MG Agro Industria
Leia também: Teoria da trofobiose

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Empresa Indiana anuncia cultivar híbrida de pinhão manso de alto rendimento


Mais uma empresa anuncia o desenvolvimento de uma cultivar híbrida de pinhão manso 

A indiana, Nandan Cleantec Limited, constituída no ano de 1.999. Empresa que se intitula especializada em desenvolvimento, pesquisa e inovação no setor de biocombustíveis sustentáveis, anunciou que detém cultivar híbrida de pinhão manso de alto rendimento. 
A empresa afirma no seu site (http://www.nandancleantec.com/) que é líder no mercado de biocombustível com cadeia produtiva verticalizada e integrada. Possui know-how em pesquisa e desenvolvimento com transferência de tecnologia ao campo e agregação de valor, comércio de produtos com várias aplicações para a indústria de transformação. 
Declarações da Nandan Cleantec Limited (NCL) diz que é uma empresa pioneira no seu segmento das indústrias com plantas verticalizadas e integradas para produção sustentável de biocombustível. A empresa afirma que esse formato de negócio elevou a empresa ao status de número um no domínio das energias sustentáveis. 
Mais uma vez, com o propósito de desenvolver em nossos leitores o senso de observação para tomada de decisão, realizamos uma varredura no site a procura de fatos que comprove a veracidade do anúncio sobre cultivar híbridas de pinhão manso de alto desempenho; honestamente, nada encontramos de extraordinário.

Nossos comentários  

As fotos (http://www.nandancleantec.com/gallery.html), divulgadas no site, mostram uma plantação com árvores, aparentemente, “bem engalhadas”, frondosas e de baixo porte. Pelo formato da copa, sugere-se que foram conduzidas para manejo de colheita manual. Uma observação mais atenta demonstra que são plantas comuns, pois: 

  • o engalhamento vigoroso é resultado do manejo (várias podas de condução e formação da planta) e não de genética avançada – já dissemos, esse tipo de manejo onera o custo de produção;
  • as plantas, da área de cultivo, possuem desenvolvimento desuniforme: para quem detém cultivar híbrida de alto desempenho a área de cultivo (galeria de fotos) deveria apresentar uniformidade na plantação - por clonagem; 
  • o cacho de frutos (galeria de fotos) é comum - diríamos a aparenta ser  abaixo da média em número de frutos em relação a planta silvestre conduzida sem nenhum tratamento especial; 
  • o tamanho dos frutos - idem comentário anterior;
  • outro detalhe importante: a foto que aparece os cachos de flores mostra praticamente só flores masculinas em detrimento das femininas (é fácil identificar as flores masculinas na florada do pinhão manso; elas se destacam por apresentar pétalas brancas ou verde claro e estames na cor amarela e posicionados no centro da flor – objetivo: atrair os insetos polinizadores. A cor das flores femininas é um verde uniforme) - demonstramos no artigo Aplicação dos reguladores de crescimento em pinhão manso que existe uma correlação estreita entre o aumento do número de flores femininas com a produção de sementes. 
Portanto, desejaríamos que a Nandan Cleantec Limited (NCL) apresentasse aos nossos leitores fotos de uma plantação uniforme, mostrando alto rendimento em frutos. Disponibilizasse também aos nossos leitores o informativo técnico, o mais completo possível, dessa cultivar híbrida de alta performance, informando nele: a produtividade, o teor de óleo das sementes, a resistência a quais pragas e doenças, a exigência nutricional e hídrica, entre outros. 

Prezados leitores, acessem o link: http://www.nandancleantec.com/gallery.html e nos encaminhem seus comentários sobre o que mais puderam observar nas fotos que deixa dúvida sobre o anúncio da empresa. Suas observações nos ajudarão esclarecer outros leitores menos atentos. Obrigado!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TAM ambiciona cultivo comercial de pinhão manso


Temos falado que nos últimos anos houve uma profusão de pesquisas direcionadas à domesticação do pinhão manso; uma das razões é a corrida por bioquerosene produzido sustentavelmente.
Confirmamos esse interesse com um artigo publicado pela Empresa TAM.
Segue abaixo...
TAM avança em projeto de biocombustível para aviação
Área agrícola da companhia abriga unidade de plantio de pinhão-manso, potencial matéria-prima para bioquerosene, em estudo coordenado pela JETBIO e realizado em parceria com empresas como Air BP e Airbus
A TAM Linhas Aéreas avança nos estudos de viabilidade de uma cadeia de valor para o cultivo agrícola, o manejo industrial e a distribuição em larga escala de uma nova opção de combustível renovável e eficiente para a aviação. Trata-se de um projeto de produção sustentável do bioquerosene produzido a partir de diversas fontes de matéria-prima. Entre elas, a semente de pinhão-manso (Jatropha curcas L.).
Atualmente, o Centro Tecnológico da TAM em São Carlos abriga uma área de cultivo experimental de pinhão-manso, onde estão sendo testadas variedades do vegetal que futuramente serão utilizadas em cultivos comerciais. O óleo proveniente desta semente, colhida em diversos pontos do Brasil e processado em bioquerosene, foi a origem do combustível utilizado para o voo demonstrativo feito pela TAM em novembro de 2010, numa mistura com 50% de querosene convencional.
O estudo idealizado pela TAM e pela JETBIO conta com parceiros como Air BP, Airbus, Rio Pardo Bioenergia, potenciais refinarias, empresas de engenharia e a Universidade de Yale, que conduz a análise do ciclo de vida de diversas matérias-primas para comparar a “pegada” de emissões e os impactos de uso da terra com a cadeia produtiva do querosene convencional.
“Atingimos um novo estágio do projeto. Nossa unidade de plantio de pinhão-manso já orienta os estudos de viabilidade técnica e econômica para o início da implementação de uma cadeia de valor integrada no Brasil. Com este trabalho de cooperação, pretendemos formar conhecimento técnico, infraestrutura, escala de produção e viabilidade comercial para o bioquerosene”, afirma Paulus Figueiredo, gerente de Energia da TAM Linhas Aéreas.
Para ser utilizado de forma parcial e gradual na operação de aeronaves comerciais, a alternativa energética para a aviação precisa de garantias do desenvolvimento do negócio, desde a produção agrícola até a distribuição do combustível nos aeroportos. Por isso as empresas resolveram conduzir os estudos para comprovação da sustentabilidade e da viabilidade econômica da produção.
A Bio Ventures Brasil, coligada da JETBIO no país, trabalha no desenvolvimento da produção comercial de pinhão-manso financiada por um fundo concedido pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Outros importantes financiadores são a fabricante de aviões Airbus e a Air BP, a divisão especializada em combustível de aviação de uma das maiores multinacionais do setor energético, a BP.
“O resultado dos estudos nos ajudará a dimensionar os impactos ambientais, sociais e econômicos da utilização em larga escala de um bioquerosene de pinhão-manso e, possivelmente, de outras culturas. No fim, todo o investimento deve se traduzir em mais uma conquista da indústria aeronáutica, com redução das emissões de carbono e cumprimento de metas internacionais no que se refere à substituição de combustível fóssil por combustível de aviação renovável”, destaca Figueiredo.
A IATA (International Air Transport Association) espera que, até 2017, opções renováveis de energia substituam em 10% todo o combustível utilizado pelas companhias aéreas do mundo.
Os próximos passos do projeto de biocombustível a partir do pinhão-manso são a avaliação e seleção das melhores variedades da planta, que servirão de base para a expansão das áreas produtivas. Além do cultivo experimental em São Carlos, a Bio Ventures Brasil, em parceria com a Rio Pardo Bioenergia, já iniciou plantios em Mato Grosso do Sul. Caso a produtividade seja satisfatória, a produção poderá ser expandida para até 30 mil hectares. A expectativa da Bio Ventures é iniciar a produção comercial do bioquerosene em 2014.
Fonte:www.tam.com.br/b2c/vgn/v/index.jsp?vgnextoid

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O principal aspecto da planta pinhão manso



Pesquisando na internet sobre pinhão manso encontramos sites que divulgam uma infinidade de vantagens para se cultivar o pinhão manso. Só não explica qual ou quais as razões para tantas vantagens. 
Alguns sites brasileiros e estrangeiros que comercializam sementes, mudas, cursos sobre o cultivo do pinhão manso e outros produtos afins, destacam as características da planta como sendo vantagens para obtenção de melhor rentabilidade ao investidor (agricultor) que deseja plantar pinhão manso, sobretudo, como alternativa de trabalho e renda na sua propriedade. 
Que a planta possui várias vantagens biológicas, não resta dúvida que sim, agora... sob quais aspectos? Essa pergunta fica sem resposta nesses sites. Eles são omissos em esclarecer seus potenciais clientes. 
Copiamos algumas vantagens que esses sites divulgam e apresentaremos a seguir. 
Afirmamos que intenção nesse blog é continuar de despertando o senso crítico de nossos leitores sobre essa “potencial oleaginosa” indicada para a produção sustentável dos biocombustíveis. Em alguns itens colocamos nossos comentários que estão destacados em itálico: 
  • É severo na natureza; pode crescer e sobreviver com poucos cuidados em terras marginais (solo de baixa fertilidade) – são omissos não afirmando que nessas condições a produtividade da planta é praticamente nula – no seu aspecto de produção para competitividade com outras oleaginosas consagradas para os biocombustíveis; 
  • Crescimento rápido e planta de vida longa; 
  • Sementes não comestíveis (tóxicas), nem levadas por pássaros ou animais – há controvérsias; 
  • Suporta secas com sucesso – são omissos não afirmando que a produtividade é quase nula suprir a planta com água necessária ao atendimento de suas funções – em todos os seus aspectos, principalmente, o que se interessa que é a produção de grãos – stress hídrico pede irrigação, e irrigar tem custo elevado numa plantação; 
  • Controle da erosão (redução da erosão, do vento ou da água) – certamente, mas ela continua dependendo da oferta de nutrientes na quantidade adequada para cumprir bem este papel; 
  • Melhoria da fertilidade do solo - idem comentário anterior; 
  • Planta altamente adaptável, com grande habilidade de crescer em locais pobres e secos – pobres em nutrientes? (sugerimos consultar nosso artigo: estratégias para controle de pragas e doenças no cultivo do pinhão manso); 
  • Aumento da renda para produtores rurais – não explica e, principalmente, não prova como o produtor vai conseguir esse aumento; 
Prezados leitores, para que não paire dúvidas, o objetivo do Blog “Pinhão Manso News” é despertar o senso crítico sobre a cultura e consequentemente, estimular a busca por resultados satisfatórios ou soluções. Essas soluções, propomos que, sejam encontradas com lógica e com fatos, ou seja, pesquisa bem conduzida, orientada e direcionada e com resultados de campo. Só assim teremos a certeza que plantar pinhão manso é uma boa alternativa para nosso investimento. 
A principal razão para algumas dessas vantagens naturais que a planta apresenta, segundo uma pesquisadora com grande autoridade sobre o assunto, está no propósito de vida que a natureza delegou ao pinhão manso. Esse propósito é que o pinhão manso é uma planta pioneira ou primária ou intolerante à sombra no desempenho de sua função primordial na natureza frente à necessidade de colonização vegetal de um determinado bioma. 

Vamos aos conceitos para entendermos melhor como isso funciona

Plantas pioneiras são aquelas que se desenvolvem a partir de lugares inóspitos, inabitáveis e que devem preparar, enriquecer o solo (com matéria orgânica e alguns nutrientes) para que as plantas secundárias, menos adaptadas a condições críticas do solo e clima, possam se desenvolver. 

Classificação das plantas pioneiras quanto ao ciclo de vida 

Plantas pioneiras são aquelas que necessitam de clareiras naturais como sítio de regeneração (Hartshorn, 1978). Nesse grupo estão incluídas as árvores e os arbustos pioneiros de ciclo de vida curto (< 50 anos de idade) e as pioneiras de ciclo de vida longo (> 50 anos), também classificadas como grandes pioneiras (Martínez-Ramos, 1985; Swaine & Whitmore, 1988). 

Significado ecológico 

Plantas pioneiras são descritas como espécies que sobrevivem devido a alta capacidade reprodutiva. Elas morrem e se decompõem, substituindo o solo no sentido de aumentar o teor de húmus. Isto leva a um aumento da capacidade do solo de manter água e nutrientes minerais. Com isso, as plantas pioneiras criam um suave microclima criando condições para que as plantas secundárias se desenvolvam – as secundárias não possuem organismo adaptados para sobreviver em ambiente hostil. Assim cria-se a base para uma migração de plantas que sejam eficientes na competição por luz, nutrientes e água. 

Principais características das plantas pioneiras 

Suas principais características são: 
  • crescimento rápido; 
  • porte médio-alto (5 a 18 metros); 
  • madeira branca de fácil decomposição; 
  • relativa alta produção anual de sementes; 
  • curto tempo de vida em floresta; 
  • eficiente cobertura vegetal; 
  • sobreviver em duras condições de uma terra nua; 
  • sobreviver em rigorosas condições climáticas e solos pobres em nutrientes e umidade. 
  • entre outras. 
No curso do tempo e no espaço as plantas pioneiras são as que chegam primeiro na colonização de uma área. Vão preparar o ambiente para que as plantas secundárias se desenvolvam e, para tanto, elas devem possuir uma alta eficiência em gerar grande quantidade de matéria orgânica de qualidade; extraindo do solo pobre e, sob severas condições climáticas, os elementos essenciais ao desempenho da função a que se destina na natureza. Elas devem ocupar o local, deixar o máximo de resíduo orgânico possível e “sair de cena”, ou seja, precisam de muito sol para crescimento acelerado e boa eficiência em extrair do solo os minerais essenciais. Seus galhos, folhas e frutos devem se decompor rapidamente, para acelerar o processo e melhorar a estrutura e a disponibilidade desses nutrientes ao solo. 
Portanto, com base nas informações acima, é possível ao leitor entender o comportamento do pinhão manso no campo, além de oferecer subsídios para identificar suas limitações e potencialidades. 

Equilíbrio entre o que entra e sai da planta para obtenção de bons rendimentos 

Quando se tratar de cultivo comercial adensado, já citados em artigos anteriores, o comportamento da planta é outro, pois para se produzir com qualidade é necessário que todos os nutrientes essenciais estejam disponíveis no solo e na quantidade necessária, além de sol e água. Pois, na natureza, a lógica do equilíbrio entre a quantidade e a qualidade do que entra em relação ao que sai da planta deve sempre imperar. 
Lembrando que a pesquisa e o desenvolvimento são capazes de reunir, numa mesma planta, as características desejáveis e eliminar as indesejáveis, por meio do manejo e da engenharia genética, gerando uma planta com características próprias e de alto rendimento. 
Fontes consultadas: 
pt.wikipedia.org/wiki/Planta_pioneira 
cenbio.iee.usp.br/saibamais/bancobiomassa/.../plantaspioneiras.htm 
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034... 
pt.rastool.com/planta-pioneira.html 
www.cb.ufrn.br/atlasvirtual/ecologia.htm 
www.bonitoweb.com.br/fotos/arquivos/252.pdf

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Estratégia para o controle de doenças e pragas no cultivo do pinhão manso


Falamos em artigos anteriores sobre a relação que existe entre uma planta de pinhão manso bem nutrida e sua resistência às pragas e doenças. 
A planta é um ser vivo composto de células e é no interior das células que acontecem os mais diversos tipos de reações químicas com finalidade de atender suas necessidades fisiológicas (manutenção da vida - energia, defesa, etc - e perpetuação da espécie - reprodução/semente). A célula (animal ou vegetal) é uma espécie de laboratório, onde todas as reações químicas e físicas acontecem. 
No interior de uma planta, semelhante ao ocorre com o ser humano, acontecem diversos tipos de reação química ou física diferentes para o atendimento dessas necessidades fisiológicas e, numa linguagem simplista, o que diferencia uma espécie vegetal da outra é o tipo de caminho que ela usa para produzir cada uma dessas reações químicas. Esses caminhos são chamados de rotas metabólicas. 
Para que uma rota metabólica seja completa é necessário que todos os elementos essenciais (nutrientes, água, energia, catalizadores - enzimas, vitaminas, etc) estejam presentes e na sua quantidade exata. Sabemos que na natureza (solo) esses elementos essenciais nem sempre estão presentes ou são insuficientes. 
Acontece que a natureza é sábia e as plantas (em sua maioria) são capazes de se adaptar e usar outros caminhos metabólicos (reações bioquímicas alternativas) para atender suas diferente necessidades fisiológicas (função de manter a vida e perpetuar sua espécie) mesmo que para isso ela tenha que sacrificar algumas de suas funções principais. 
Vamos a um exemplo simples. Consideremos que determinado solo dispõe de nutrientes em quantidade mínima; suficientes apenas para manter a vida da planta. Neste caso, não há nutrientes suficientes para a defesa ou a reprodução da planta (resistência a pragas e doenças e produção de sementes). Daí ela a planta sacrifica as outras funções priorizando a vida; esperando que dias melhores lhe ofereçam condições favoráveis. Assim esse vegetal estará propenso ao ataque de pragas e doenças ou não vai gerar sementes (reprodução). As reações químicas no interior da planta são mais complexas, mas em resumo é isso que acontece. Por isso, os técnicos orientam que o solo deve ser fértil ou fertilizado com macronutrientes e micronutrientes de acordo com a exigência nutricional da planta. Oferecer mais alimentos (nutrientes) que o necessário é jogar dinheiro fora e não oferecer algum dos micronutrientes essenciais à planta é impedir que ela atenda a todas as suas necessidades básicas. Como dissemos acima a rota metabólica só será completa se todos os elementos estiverem presentes - tipo uma engrenagem, a ausência de uma peça faz parar a máquina. 
Numa comparação com os animais, um processo semelhante acontece. Vamos citar um exemplo utilizando-nos de uma linguagem bem simples: Uma pessoa com uma dieta pobre em vitamina C fica sensível a gripes e resfriados – baixa resistência à doença. Assim que sua dieta se normalizar, ou seja, contiver quantidades suficientes de vitamina C, recupera sua resistência. 


Veja o que dizem os especialistas no assunto 
“Os elementos químicos Ferro (Fe), Manganês (Mn), Cobre (Cu), boro (B), molebidênio (Mo), Níquel (Ni), Cloro (Cl) e Zinco (Zn), entre outros, são micronutrientes essenciais para manter as funções fisiológicas das plantas. Esses elementos são requeridos pelas plantas em concentrações muito baixas para seu adequado crescimento e reprodução. Entretanto, apesar de suas baixas concentrações dentro dos tecidos e dos órgãos das plantas, esses micronutrientes têm a mesma importância dos macronutrientes (Nitrogênio, Fosfato e Potássio – NPK) para a nutrição delas. Nessas baixas concentrações, os micronutrientes são fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento das plantas, agindo como constituintes das paredes celulares (B) e das membranas celulares (B e Zn), como constituintes de enzimas (Fe, Mn, Cu, Ni), como ativadores/catalisadores de enzimas (Mn, Zn) e na fotossíntese (Fe, Cu, Mn, Cl). Nós especialistas em plantas, temos demonstrado a importância dos micronutrientes para a produção de frutos, sementes/grãos nas culturas. O teor inadequado de micronutrientes numa cultura/plantação, que pode passar despercebido pelo agricultor, e eles não só tem efeito direto sobre o seu desenvolvimento, como também reduz a eficiência dos fertilizantes aplicado nela, contendo macronutrientes. Além disso, os micronutrientes (Cu, Mn, Zn, B) estão particularmente envolvidos na fase reprodutiva do crescimento das plantas (multiplicação das células da planta) e consequentemente, na determinação da produtividade e da qualidade do produto colhido. Eles também conferem resistência (Mn, Zn, Mo) contra estresses bióticos e abióticos, incluindo pragas e doenças. Além do mais, esses mesmos micronutrientes são fundamentais para a saúde do ecossistema do solo e das culturas. 
Em suma, as plantas cultivadas requerem teores ótimos de micronutrientes para que possam cumprir suas funções específicas na formação da produção, na qualidade do produto e na resistência aos agentes externos (inclusive pragas e doenças).”
Como é que a planta se defende das pragas e doenças (insetos, bactérias, fungos, vírus e etc)? 

Segundo os estudiosos no assunto, uma planta cultivada só será atacada por um inseto, ácaro ou por microrganismos (bactéria, fungos e vírus) quando ela contiver na sua seiva exatamente o alimento que eles precisam. A seiva neste caso será formada principalmente por aminoácidos, substâncias simples e solúveis de fácil digestão para esses insetos ou microrganismos.
Uma planta que se encontra num ambiente equilibrado, adaptada ao lugar onde vive, em solo, contendo umidade, bem como quantidade e qualidade de nutrientes suficientes, consegue fabricar, através do seu metabolismo interno e fotossíntese, substâncias complexas como proteínas, açúcares menos solúveis e vitaminas. Os insetos e microrganismos não possuem aparelho digestivo preparado para dissolver essas substâncias complexas; nessas condições dificilmente eles vão atacar as plantas 

Como os microrganismos patogênicos (bactérias, vírus e fungos) entram nas plantas e provocam doenças? 

Funciona mais ou menos assim; quem leva os microrganismos patogênicos até as plantas são os próprios pequenos seres (ácaros, abelhas, percevejos, formigas e outros insetos), atraídos pela oferta de açúcar solúvel da seiva de uma planta mal nutrida. 
Vamos a um exemplo clássico em humanos: A “dengue” é uma doença provocada por um vírus é esse vírus é transmitido ao homem por um mosquito (Aedes Aegypti). O vírus vive dentro do mosquito sem provocar doença nele. Quando o mosquito vai sugar o sangue do humano, ele injeta (vomita) uma substância dentro do corpo para facilitar a sucção, daí o vírus vai junto nessa substância. Ele se instala e provoca a doença no corpo “picado”. O vírus usa o sangue humano para se reproduzir milhões de vezes, ou seja, é que nosso sangue possui as substâncias essenciais para o vírus se multiplicar. Mas as reações químicas do vírus, para se reproduzir, gera um tipo de resíduo (toxinas) que é fatal para o corpo humano. 
Nas plantas não é muito diferente. Quem carrega as bactérias, vírus e fungos às plantas são os ácaros, abelhas, formigas, percevejos e outros insetos. Quando o inseto, encontra na seiva da planta açúcar solúvel (que seu organismo está adaptado para digerir), ele vai sugar essa seiva. Daí ele injeta uma substância na planta para facilitar a sucção. Neste momento, o microrganismo patogênico, presente no inseto, vai junto. Entretanto, se esse microrganismo não encontrar, dentro da planta, substâncias essenciais à vida; ele morre. E as substância essenciais ao desenvolvimento desses microrganismos são as substâncias simples (moléculas de cadeia curta) que citamos anteriormente. 

O melhor remédio é a prevenção. 

O agricultor deve ficar alerta a essa dica pois prevenir, no geral, é muito mais barato do que combater a doença instalada. Uma vez instalada a doença, o rendimento da planta será comprometido - baixa produtividade. 

Como prevenir as plantas 

Basicamente os passos são: faz-se a análise do solo e identifica os nutrientes e suas quantidades. Depois, com a informação sobre a exigência nutricional da planta, fornecer a ela o fertilizante na dosagem recomendada. A consulta técnica para essa etapa é fundamental. 
É importante observar que cada planta tem uma exigência nutricional para cada um dos diferentes estágios de crescimento, desenvolvimento e frutificação. 
A recomendação para a prevenção numa esfera mais abrangente é a aplicação de biofertilizante, uma vez que o uso dos adubos químicos pode reduzir a resistência da planta, no logo tempo. 

Teoria da Trofobiose 

Existe uma teoria que explica de forma muito clara como funciona essa relação entre a nutrição e a defesa da planta. Inclusive, essa teoria é base para a agricultura orgânica. 
No próximo artigo vamos tratar da teoria da trofobiose que pode ser uma alternativa para redução dos custos com adubo e defensivos no cultivo do pinhão manso. 

Fontes consultadas: Alves, S.B. Controle Microbiano de Insetos. 2. ed., Piracicaba(1.998) / Alves, S.B.; Tamai, M. A.; Lopes, R.B.; Alves Jr, S.B. Citricultura Sustentável: controle alternativo de pragas e doenças. Limeira: agroecológica (1.999)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Propostas de negócio com pinhão manso promete alta rentabilidade

Este artigo tem o objetivo alertar nossos leitores para as promessas de obtenção de alta rentabilidade para investimentos com o cultivo de pinhão manso. Fizemos um levantamento na internet e identificamos vários sites que divulgam números extraordinários, sobretudo em sites estrangeiros.
Esses sites vendem “facilidades” para atrair investidores que não são do ramo. Normalmente esses investidores são pessoas que querem diversificar sua carteira de investimento e estão comprometidos com a sustentabilidade do planeta.
Nada contra essas pessoas, muito pelo contrário, apoiamos iniciativas como essas e ratificamos que o pinhão manso é uma planta com grande potencial para contribuir com a sustentabilidade, em vários aspectos.
Nossa alertas para esses investidores é que devem avaliar bem antes de decidir colocar seu dinheiro em oportunidade de negócios com posposta de alta rentabilidade envolvendo cultivo do pinhão manso.
Os especialistas no assunto advertem: o pinhão manso é uma cultura que está em processo de domínio do conhecimento sobre seus aspectos agronômico e, apesar dos avanços alcançados nos últimos 3 anos, a atividade ainda está longe de ser altamente lucrativa.
Em resumo, são recentes as pesquisas para domínios do pinhão manso, como planta destinada a cultivos comerciais de grande escala para atender a escalar demanda mundial por biocombustíveis (biodiesel e bioquerosene). Em comparação com outras culturas comerciais já domesticadas e destinadas para o mesmo fim, diríamos que para o pinhão manso está só no começo, apesar do alto nível tecnológico no setor de desenvolvimento e pesquisa agronômica aplicada.
Consultei alguns especialistas em pinhão manso com autoridade para falar do assunto e descobri algumas coisas interessantes sobre a avaliação desses sites que divulgam conteúdos de altos resultados com a atividade abusando do baixo conhecimento e credulidade de seus visitantes.


Vamos a algumas dicas
1º - Se o leitor observar bem verá que a maioria das imagens (plantios, produção, etc) são comuns. Ou seja, foram extraídas de outros sites com o mesmo propósito ou de algum produtor ao redor do mundo ou de empresas de pesquisa.
2º - Para complicar ainda mais é comum os proprietários desses sites divulgarem que os altos rendimentos de suas plantações estão em partes do mundo de difícil acesso; muito distante dos leitores, ou então num continente oposto ao do país de divulgação. (ex: se site é europeu as plantações estão na África, Ásia Oriental, Austrália, etc). Num país de dimensões continental como o Brasil, quem está nos grandes centros (Ex: Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis, etc) divulga que seus plantios estão no Mato Grosso, Tocantins, Pará, Maranhão, etc.
3º - A maioria dos proprietários desses sites nunca tiveram experiências com plantios de pinhão manso (talvez nem sabem distinguir uma espécie da outra ou doenças intrínsecas e principalmente as características agronômicas da planta) ou não possuem galeria de fotos que apresente as plantas altamente produtivas que afiram ter desenvolvido;
4º - Para os sites que divulgam possuir cultivar de alto rendimento e resistente, um olhar mais atento identificará presença de doenças comuns á cultura;
5º - Para esse item o leitor precisa de um meio de comparação, vamos apresentar os dados que a “rede brasileira de pesquisadores em pinhão manso” divulgou sobre os rendimentos alcançados no estágio atual de pesquisa e desenvolvimento da cultura – para plantios adensados. Dados de uma planta escolhida entre as 10 melhores plantas com 5 anos de idade no Estado do Roraima.
Produção em sementes: 4.519 kg/hectare
Produção em óleo: 1.581 kg/hectare
Teor de óleo da semente: 34,9%
Espaçamento entre plantas: 3 x 2 metros
Número de plantas/hectare: 1.667 plantas
Outra referência: O cultivo comercial do dendê (ou palma) é considerado mundialmente como a planta que produz mais quantidade de óleo por hectare. Os melhores resultados são 6.000 litros de óleo por hectare.
Atenção: Não se trata aqui de plantas cultivadas isoladamente, mas sim cultivos adensados (plantados juntos como lavoura).

Vamos aos dados agronômicos absurdos
Usaremos código para cada site com objetivo de preservar a imagem dos seus idealizadores.

Dados do Site 001
Produção em sementes: 25.000 kg/hectare (dado obtido pelo teor e produção de óleo).
Produção em óleo: 15.000 (quinze) kg/hectare – no 4º ano de vida da planta
Teor de óleo da semente: 60%
Espaçamento entre plantas: não informado
Número de plantas/hectare: 3.030 plantas

Observações:
A empresa afirma empregar técnicas “ultra modernas” de manejo e condução do seus plantios. Pesquisadores renomados desconhecem essa prática associada ao pinhão manso. Um teor de 60% de óleo é para o albumem da semente e não da semente em si.

Maior absurdo cometido nesse site: Uma única planta produzindo 120 kg de sementes por ano. Para que isso fosse possível essa planta teria que produzir 10 kg/mês, com os avanços atuais e considerando a cultura do pinhão manso, agronomicamente isso é impossível. Imagina qual seria a copa e a altura dessa planta para produzir essa quantidade de sementes. O próprio site afirma que suas plantas produzem de 10 a 15 kg de sementes por planta x 3.000 plantas por hectare = 45 kg máximo. Ainda assim está muito longe da realidade.
E outra, numa população de 3.000 plantas por hectares (no 3º ano é impossível colher pois as plantas fecham a copa). 
Comparando com dados reais: No Brasil é conhecida uma plantas isoladas e bem conduzidas que produziu pouco mais de 19 kg de sementes em um ano. Foi feito cultivo adensado usando suas sementes e galhos, a produção de sementes ficou abaixo de 5 toneladas por hectare.

Dados do Site 002
Esse site afirma possuir uma cultivar geneticamente superior (de elite) que possuir além de resistência a pragas e doenças os seguintes dados:
Produção em sementes: 12.000 kg/hectare (em cultivos irrigados)
Produção em óleo: 4.440 kg/hectare
Teor de óleo da semente: de 34% a 37%
Espaçamento entre plantas: 2 x 2 metros
Número de plantas/hectare: 2.500 plantas
Observações: O site exagera quando afirma que a cultivar produz 12.000 kg de semente/hectare, para o espaçamento de 2 x 2 metros. Acreditamos ser pouco provável, pois para uma produção como essa a planta precisaria ter uma copa muito grande.
Particularmente eu precisaria mensurar esses dados ao longo do ano.

Dados do Site 003
Esse site afirma que com bom manejo do plantio (tratos culturais) a planta pode alcançar os seguintes resultados:
Produção em sementes: 12.500 kg/hectare (em áreas de cultivos com boa precipitação pluviométrica)
Produção em óleo: 4.625 kg/hectare
Teor de óleo da semente: de 30% a 37%
Espaçamento entre plantas: 2 x 2 metros
Número de plantas/hectare: 2.500 plantas
Observações: O site exagera quando afirma que a cultivar produz 12.500 kg de semente/hectare, para o espaçamento de 2 x 2 metros. Acreditamos ser pouco provável, pois para uma produção como essa a planta precisaria ter uma copa muito grande.
Particularmente eu precisaria mensurar esses dados ao longo do ano. 
Não desejamos ser os “donos da verdade”, apenas ajudar nossos leitores a desenvolver um raciocínio crítico sobre a cultura do pinhão manso, contribuindo para a tomada de decisão. 
Temos afirmado nesse blog que o pinhão manso é uma planta que nos últimos 3 anos vem recebendo uma atenção especial uma em função do seu potencial para produção sustentável dos biocombustíveis biodiesel e bioquerosene uma vez que ela não compete com a cadeia alimentar.
Pensamos que a partir do momento que uma empresa desenvolver uma cultivar de alto rendimento e desempenho, esta, deverá fazer uma divulgação massificada na mídia, pois muitos são os interessados no cultivo desta oleaginosa em pequena e grande escala. 

Outras informações relacionadas
Existe uma corrida internacional dos institutos e empresas públicas e privadas de pesquisa para ver que sai na frente no domínio sobre a cultura do pinhão manso. Segundo os pesquisadores, a cultura apresenta algumas limitações importantes e determinantes para a obtenção de alto rendimento na produção com baixo custo operacional; fatores fundamentais para análise da viabilidade econômica e financeira da atividade.
O desafio inicial é encontrar solução para as principais limitações básicas determinadas essencialmente pela baixa carga genética de caracteres aceitáveis, tais como:

  • plantios com desuniformidade nas plantas (indivíduos) – onde somente uma em cada 19 plantas apresenta alto rendimento, jogando para baixo a produtividade média geral; 
  • sensibilidade a algumas pragas e doenças – cruciais para obtenção de bom rendimento em grão e óleo – está provado que o ataque de percevejo (comum na lavoura do pinhão manso) é responsável por queda de 50% no teor de óleo da semente; 
  • frutificação irregular – inviabilizando a colheita mecanizada e, consequentemente, aumentando os custos de produção; e 
  • baixo engalhamento – a floração acontece só na ponta dos galhos exigindo aumento nos custos com podas para obtenção de maiores rendimentos.

Existem outras limitações que não foram pontuadas anteriormente mas que, após superadas, permitirão ao agricultor, por um lado aumentar a receita e por outro reduzir os custos operacionais, elevando a rentabilidade da atividade, dentre eles: a destoxicação da torta do pinhão manso (resíduo da extração do óleo) ou o desenvolvimento de plantas atóxicas com rendimento satisfatórios, melhorar a eficiência no manejo, na logística de transporte e armazenagem, cultivares com maior teor de óleo na semente, maior eficiência no processamento do grão, entre outros.
Enfim, como a pesquisa e inovação é o setor dinâmico os avanços vão surgindo com o passar do tempo.
Temos afirmado e apresentado fatos nesse blog que demonstram o nível de comprometimento e determinação dos pesquisadores em apresentar soluções práticas e viáveis para o setor de produção sustentável do pinhão manso. 
Lembramos nossos leitores a necessidade de consultar um especialista com autoridade sobre cultivo do pinhão manso para orientar melhor sobre os investimento nesse setor. 
Toda regra tem suas excessões, existem empresas sérias investindo em pesquisa e que afirmam possuir variedades híbridas de alto desempenho. Em sendo séria uma empresa ela tem transparência, daí sugerimos fazer uma visita às plantações acompanhados de especialistas no assunto.
Colocamo-nos ao dispor para maiores esclarecimentos, sugestões e críticas.