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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Série: Cultivo do pinhão manso (Silvestre) – Poda


Vamos recapitular algumas informações básicas sobre a cultura antes de tratarmos do assunto poda.
O pinhão manso inicia sua inflorescência a partir do 4º mês do plantio e acontece sempre na ponta dos ramos ou galhos (cachos). Como a planta não está com sua copa formada, a produção de frutos e grãos é pequena – 200 kg/hectare/ano; empresa que trabalha com melhoramento genético afirma ter conseguido 02 toneladas de grãos no primeiro ano/safra – nova linhagem de pinhão manso. A produção de cachos é na ponta dos galhos (ramos); entende-se que a produtividade é proporcional ao engalhamento. A planta estabiliza sua produção a partir do 3º a 4º ano. O amadurecimento dos frutos ocorre após 90 dias da inflorescência.
Manejo de Podas
No cultivo comercial, a poda, na cultura do pinhão manso, é focada no aumento da produtividade e facilitar a colheita dos frutos. A poda tem a função também de regular a frutificação dos frutos, segundo o pesquisador independente, Nagashi Tominaga – BIOJAN.
Os tipos de podas são: de formação; de produção ; e de reforma ou manutenção.
 Poda de formação
A poda de formação objetiva formar a base de sustentação da planta para suportar os ramos produtivos e facilitar a colheita.
A poda de formação é realizada aos 45 dias após o plantio. Corta-se a 50 cm de altura da planta e a cerca de 5 cm abaixo da ponta do ramo; eliminam os ramos os laterais para facilitar ao trabalhador ter melhor acesso aos frutos durante a colheita, ou para a mecanização.
Após a poda, a planta emite vários brotos; deixa-se crescer apenas 3 ramos, aqueles mais bem distribuídos – de forma a manter o equilíbrio da planta em relação aos ramos produtivos.
A partir da poda seguinte, seleciona-se 03 brotos crescidos (os mais vigorosos  e quaternários (deixando sempre 3 ramos em cada fase de poda), até a idade de 3 a 4 anos da planta; quando a planta atingiu, aproximadamente, 02 metros de altura.
Poda de produção
Os objetivos da poda de produção aumentar o engalhamento, a precocidade da produção, controlar o período da colheita e uniformizar a maturação dos frutos.
A poda de produção deve ser realizada cortando-se a ponta dos ramos que produziram, tanto os apicais como os laterais. O produtor deve ficar atento para realizar uma poda bem conduzida deixando as plantas numa disposição que permita o trânsito livre dos trabalhadores para o manejo geral da lavoura/pomar (aplicação de adubo, defensivos, poda e colheita).

O momento de realizar a poda de produção é no período que antecede o estio (período em que a planta entra no seu estado vegetativo). Essa técnica aumenta o também o arejamento da planta, auxiliando no controle de doenças. 
Estuda-se desenvolver a colheita mecanizada do pinhão manso empregando colhetadeiras com dispositivo de facas para realizar concomitantemente a poda; otimizando o processo.
Poda de reforma ou manutenção
A poda de reforma ou manutenção tem a função de eliminar ramos os secos, os ladrões (ou chupão), ramos doentes, com ataque de pragas ou ervas parasitas e os brotos de raiz.
Já dissemos em artigos anteriores que a poda é um manejo que onera os custos de operacionais da cultura, o desafio para os pesquisadores do setor é desenvolver plantas com características de forte engalhamento espontâneo e conformação adequada da copa.

Para o bom manejo da poda de reforma ou manutenção, o trabalhador deve ser capacitado para identificar as ocorrências com vistas ao objetivo dessa prática.

Tipo de corte mais adequado na poda
O tipo de corte é sempre em forma de bisel ou chanfrado; técnica agrícola que evita o acúmulo de água no local do corte prevenindo doenças.
Qual o melhor tipo de poda?
Pesquisas estão sendo desenvolvidas para entender melhor o comportamento da planta frente ao manejo da poda. O foco é aumentar a produtividade e otimizar a colheita. Alguns avanços já foram conseguidos mas, como temos dito, o domínio sobre a cultura do pinhão manso está em processo; ainda tem muito a avançar. 
Dissertação de mestrado indica melhor tipo de poda   
O efeito da poda no desenvolvimento do pinhão manso foi tema de uma dissertação de mestrado da Universidade Federal do Tocantins – veja na íntegra pelo link: www.site.uft.edu.br/producaovegetal/.../Julia%20Ferreira%20Brito.p...
Os melhores resultados, em relação ao aumento da produtividade, foram nos tratamentos “Topo 120 cm e Taça Simples”.
Observação: Essa pesquisa foi conduzida durante 2 anos de desenvolvimento da planta, portanto, carece divulgar as avaliações dos anos seguintes para consolidação do experimento e melhor orientar o produtor.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O principal aspecto da planta pinhão manso



Pesquisando na internet sobre pinhão manso encontramos sites que divulgam uma infinidade de vantagens para se cultivar o pinhão manso. Só não explica qual ou quais as razões para tantas vantagens. 
Alguns sites brasileiros e estrangeiros que comercializam sementes, mudas, cursos sobre o cultivo do pinhão manso e outros produtos afins, destacam as características da planta como sendo vantagens para obtenção de melhor rentabilidade ao investidor (agricultor) que deseja plantar pinhão manso, sobretudo, como alternativa de trabalho e renda na sua propriedade. 
Que a planta possui várias vantagens biológicas, não resta dúvida que sim, agora... sob quais aspectos? Essa pergunta fica sem resposta nesses sites. Eles são omissos em esclarecer seus potenciais clientes. 
Copiamos algumas vantagens que esses sites divulgam e apresentaremos a seguir. 
Afirmamos que intenção nesse blog é continuar de despertando o senso crítico de nossos leitores sobre essa “potencial oleaginosa” indicada para a produção sustentável dos biocombustíveis. Em alguns itens colocamos nossos comentários que estão destacados em itálico: 
  • É severo na natureza; pode crescer e sobreviver com poucos cuidados em terras marginais (solo de baixa fertilidade) – são omissos não afirmando que nessas condições a produtividade da planta é praticamente nula – no seu aspecto de produção para competitividade com outras oleaginosas consagradas para os biocombustíveis; 
  • Crescimento rápido e planta de vida longa; 
  • Sementes não comestíveis (tóxicas), nem levadas por pássaros ou animais – há controvérsias; 
  • Suporta secas com sucesso – são omissos não afirmando que a produtividade é quase nula suprir a planta com água necessária ao atendimento de suas funções – em todos os seus aspectos, principalmente, o que se interessa que é a produção de grãos – stress hídrico pede irrigação, e irrigar tem custo elevado numa plantação; 
  • Controle da erosão (redução da erosão, do vento ou da água) – certamente, mas ela continua dependendo da oferta de nutrientes na quantidade adequada para cumprir bem este papel; 
  • Melhoria da fertilidade do solo - idem comentário anterior; 
  • Planta altamente adaptável, com grande habilidade de crescer em locais pobres e secos – pobres em nutrientes? (sugerimos consultar nosso artigo: estratégias para controle de pragas e doenças no cultivo do pinhão manso); 
  • Aumento da renda para produtores rurais – não explica e, principalmente, não prova como o produtor vai conseguir esse aumento; 
Prezados leitores, para que não paire dúvidas, o objetivo do Blog “Pinhão Manso News” é despertar o senso crítico sobre a cultura e consequentemente, estimular a busca por resultados satisfatórios ou soluções. Essas soluções, propomos que, sejam encontradas com lógica e com fatos, ou seja, pesquisa bem conduzida, orientada e direcionada e com resultados de campo. Só assim teremos a certeza que plantar pinhão manso é uma boa alternativa para nosso investimento. 
A principal razão para algumas dessas vantagens naturais que a planta apresenta, segundo uma pesquisadora com grande autoridade sobre o assunto, está no propósito de vida que a natureza delegou ao pinhão manso. Esse propósito é que o pinhão manso é uma planta pioneira ou primária ou intolerante à sombra no desempenho de sua função primordial na natureza frente à necessidade de colonização vegetal de um determinado bioma. 

Vamos aos conceitos para entendermos melhor como isso funciona

Plantas pioneiras são aquelas que se desenvolvem a partir de lugares inóspitos, inabitáveis e que devem preparar, enriquecer o solo (com matéria orgânica e alguns nutrientes) para que as plantas secundárias, menos adaptadas a condições críticas do solo e clima, possam se desenvolver. 

Classificação das plantas pioneiras quanto ao ciclo de vida 

Plantas pioneiras são aquelas que necessitam de clareiras naturais como sítio de regeneração (Hartshorn, 1978). Nesse grupo estão incluídas as árvores e os arbustos pioneiros de ciclo de vida curto (< 50 anos de idade) e as pioneiras de ciclo de vida longo (> 50 anos), também classificadas como grandes pioneiras (Martínez-Ramos, 1985; Swaine & Whitmore, 1988). 

Significado ecológico 

Plantas pioneiras são descritas como espécies que sobrevivem devido a alta capacidade reprodutiva. Elas morrem e se decompõem, substituindo o solo no sentido de aumentar o teor de húmus. Isto leva a um aumento da capacidade do solo de manter água e nutrientes minerais. Com isso, as plantas pioneiras criam um suave microclima criando condições para que as plantas secundárias se desenvolvam – as secundárias não possuem organismo adaptados para sobreviver em ambiente hostil. Assim cria-se a base para uma migração de plantas que sejam eficientes na competição por luz, nutrientes e água. 

Principais características das plantas pioneiras 

Suas principais características são: 
  • crescimento rápido; 
  • porte médio-alto (5 a 18 metros); 
  • madeira branca de fácil decomposição; 
  • relativa alta produção anual de sementes; 
  • curto tempo de vida em floresta; 
  • eficiente cobertura vegetal; 
  • sobreviver em duras condições de uma terra nua; 
  • sobreviver em rigorosas condições climáticas e solos pobres em nutrientes e umidade. 
  • entre outras. 
No curso do tempo e no espaço as plantas pioneiras são as que chegam primeiro na colonização de uma área. Vão preparar o ambiente para que as plantas secundárias se desenvolvam e, para tanto, elas devem possuir uma alta eficiência em gerar grande quantidade de matéria orgânica de qualidade; extraindo do solo pobre e, sob severas condições climáticas, os elementos essenciais ao desempenho da função a que se destina na natureza. Elas devem ocupar o local, deixar o máximo de resíduo orgânico possível e “sair de cena”, ou seja, precisam de muito sol para crescimento acelerado e boa eficiência em extrair do solo os minerais essenciais. Seus galhos, folhas e frutos devem se decompor rapidamente, para acelerar o processo e melhorar a estrutura e a disponibilidade desses nutrientes ao solo. 
Portanto, com base nas informações acima, é possível ao leitor entender o comportamento do pinhão manso no campo, além de oferecer subsídios para identificar suas limitações e potencialidades. 

Equilíbrio entre o que entra e sai da planta para obtenção de bons rendimentos 

Quando se tratar de cultivo comercial adensado, já citados em artigos anteriores, o comportamento da planta é outro, pois para se produzir com qualidade é necessário que todos os nutrientes essenciais estejam disponíveis no solo e na quantidade necessária, além de sol e água. Pois, na natureza, a lógica do equilíbrio entre a quantidade e a qualidade do que entra em relação ao que sai da planta deve sempre imperar. 
Lembrando que a pesquisa e o desenvolvimento são capazes de reunir, numa mesma planta, as características desejáveis e eliminar as indesejáveis, por meio do manejo e da engenharia genética, gerando uma planta com características próprias e de alto rendimento. 
Fontes consultadas: 
pt.wikipedia.org/wiki/Planta_pioneira 
cenbio.iee.usp.br/saibamais/bancobiomassa/.../plantaspioneiras.htm 
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034... 
pt.rastool.com/planta-pioneira.html 
www.cb.ufrn.br/atlasvirtual/ecologia.htm 
www.bonitoweb.com.br/fotos/arquivos/252.pdf

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Estratégia para o controle de doenças e pragas no cultivo do pinhão manso


Falamos em artigos anteriores sobre a relação que existe entre uma planta de pinhão manso bem nutrida e sua resistência às pragas e doenças. 
A planta é um ser vivo composto de células e é no interior das células que acontecem os mais diversos tipos de reações químicas com finalidade de atender suas necessidades fisiológicas (manutenção da vida - energia, defesa, etc - e perpetuação da espécie - reprodução/semente). A célula (animal ou vegetal) é uma espécie de laboratório, onde todas as reações químicas e físicas acontecem. 
No interior de uma planta, semelhante ao ocorre com o ser humano, acontecem diversos tipos de reação química ou física diferentes para o atendimento dessas necessidades fisiológicas e, numa linguagem simplista, o que diferencia uma espécie vegetal da outra é o tipo de caminho que ela usa para produzir cada uma dessas reações químicas. Esses caminhos são chamados de rotas metabólicas. 
Para que uma rota metabólica seja completa é necessário que todos os elementos essenciais (nutrientes, água, energia, catalizadores - enzimas, vitaminas, etc) estejam presentes e na sua quantidade exata. Sabemos que na natureza (solo) esses elementos essenciais nem sempre estão presentes ou são insuficientes. 
Acontece que a natureza é sábia e as plantas (em sua maioria) são capazes de se adaptar e usar outros caminhos metabólicos (reações bioquímicas alternativas) para atender suas diferente necessidades fisiológicas (função de manter a vida e perpetuar sua espécie) mesmo que para isso ela tenha que sacrificar algumas de suas funções principais. 
Vamos a um exemplo simples. Consideremos que determinado solo dispõe de nutrientes em quantidade mínima; suficientes apenas para manter a vida da planta. Neste caso, não há nutrientes suficientes para a defesa ou a reprodução da planta (resistência a pragas e doenças e produção de sementes). Daí ela a planta sacrifica as outras funções priorizando a vida; esperando que dias melhores lhe ofereçam condições favoráveis. Assim esse vegetal estará propenso ao ataque de pragas e doenças ou não vai gerar sementes (reprodução). As reações químicas no interior da planta são mais complexas, mas em resumo é isso que acontece. Por isso, os técnicos orientam que o solo deve ser fértil ou fertilizado com macronutrientes e micronutrientes de acordo com a exigência nutricional da planta. Oferecer mais alimentos (nutrientes) que o necessário é jogar dinheiro fora e não oferecer algum dos micronutrientes essenciais à planta é impedir que ela atenda a todas as suas necessidades básicas. Como dissemos acima a rota metabólica só será completa se todos os elementos estiverem presentes - tipo uma engrenagem, a ausência de uma peça faz parar a máquina. 
Numa comparação com os animais, um processo semelhante acontece. Vamos citar um exemplo utilizando-nos de uma linguagem bem simples: Uma pessoa com uma dieta pobre em vitamina C fica sensível a gripes e resfriados – baixa resistência à doença. Assim que sua dieta se normalizar, ou seja, contiver quantidades suficientes de vitamina C, recupera sua resistência. 


Veja o que dizem os especialistas no assunto 
“Os elementos químicos Ferro (Fe), Manganês (Mn), Cobre (Cu), boro (B), molebidênio (Mo), Níquel (Ni), Cloro (Cl) e Zinco (Zn), entre outros, são micronutrientes essenciais para manter as funções fisiológicas das plantas. Esses elementos são requeridos pelas plantas em concentrações muito baixas para seu adequado crescimento e reprodução. Entretanto, apesar de suas baixas concentrações dentro dos tecidos e dos órgãos das plantas, esses micronutrientes têm a mesma importância dos macronutrientes (Nitrogênio, Fosfato e Potássio – NPK) para a nutrição delas. Nessas baixas concentrações, os micronutrientes são fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento das plantas, agindo como constituintes das paredes celulares (B) e das membranas celulares (B e Zn), como constituintes de enzimas (Fe, Mn, Cu, Ni), como ativadores/catalisadores de enzimas (Mn, Zn) e na fotossíntese (Fe, Cu, Mn, Cl). Nós especialistas em plantas, temos demonstrado a importância dos micronutrientes para a produção de frutos, sementes/grãos nas culturas. O teor inadequado de micronutrientes numa cultura/plantação, que pode passar despercebido pelo agricultor, e eles não só tem efeito direto sobre o seu desenvolvimento, como também reduz a eficiência dos fertilizantes aplicado nela, contendo macronutrientes. Além disso, os micronutrientes (Cu, Mn, Zn, B) estão particularmente envolvidos na fase reprodutiva do crescimento das plantas (multiplicação das células da planta) e consequentemente, na determinação da produtividade e da qualidade do produto colhido. Eles também conferem resistência (Mn, Zn, Mo) contra estresses bióticos e abióticos, incluindo pragas e doenças. Além do mais, esses mesmos micronutrientes são fundamentais para a saúde do ecossistema do solo e das culturas. 
Em suma, as plantas cultivadas requerem teores ótimos de micronutrientes para que possam cumprir suas funções específicas na formação da produção, na qualidade do produto e na resistência aos agentes externos (inclusive pragas e doenças).”
Como é que a planta se defende das pragas e doenças (insetos, bactérias, fungos, vírus e etc)? 

Segundo os estudiosos no assunto, uma planta cultivada só será atacada por um inseto, ácaro ou por microrganismos (bactéria, fungos e vírus) quando ela contiver na sua seiva exatamente o alimento que eles precisam. A seiva neste caso será formada principalmente por aminoácidos, substâncias simples e solúveis de fácil digestão para esses insetos ou microrganismos.
Uma planta que se encontra num ambiente equilibrado, adaptada ao lugar onde vive, em solo, contendo umidade, bem como quantidade e qualidade de nutrientes suficientes, consegue fabricar, através do seu metabolismo interno e fotossíntese, substâncias complexas como proteínas, açúcares menos solúveis e vitaminas. Os insetos e microrganismos não possuem aparelho digestivo preparado para dissolver essas substâncias complexas; nessas condições dificilmente eles vão atacar as plantas 

Como os microrganismos patogênicos (bactérias, vírus e fungos) entram nas plantas e provocam doenças? 

Funciona mais ou menos assim; quem leva os microrganismos patogênicos até as plantas são os próprios pequenos seres (ácaros, abelhas, percevejos, formigas e outros insetos), atraídos pela oferta de açúcar solúvel da seiva de uma planta mal nutrida. 
Vamos a um exemplo clássico em humanos: A “dengue” é uma doença provocada por um vírus é esse vírus é transmitido ao homem por um mosquito (Aedes Aegypti). O vírus vive dentro do mosquito sem provocar doença nele. Quando o mosquito vai sugar o sangue do humano, ele injeta (vomita) uma substância dentro do corpo para facilitar a sucção, daí o vírus vai junto nessa substância. Ele se instala e provoca a doença no corpo “picado”. O vírus usa o sangue humano para se reproduzir milhões de vezes, ou seja, é que nosso sangue possui as substâncias essenciais para o vírus se multiplicar. Mas as reações químicas do vírus, para se reproduzir, gera um tipo de resíduo (toxinas) que é fatal para o corpo humano. 
Nas plantas não é muito diferente. Quem carrega as bactérias, vírus e fungos às plantas são os ácaros, abelhas, formigas, percevejos e outros insetos. Quando o inseto, encontra na seiva da planta açúcar solúvel (que seu organismo está adaptado para digerir), ele vai sugar essa seiva. Daí ele injeta uma substância na planta para facilitar a sucção. Neste momento, o microrganismo patogênico, presente no inseto, vai junto. Entretanto, se esse microrganismo não encontrar, dentro da planta, substâncias essenciais à vida; ele morre. E as substância essenciais ao desenvolvimento desses microrganismos são as substâncias simples (moléculas de cadeia curta) que citamos anteriormente. 

O melhor remédio é a prevenção. 

O agricultor deve ficar alerta a essa dica pois prevenir, no geral, é muito mais barato do que combater a doença instalada. Uma vez instalada a doença, o rendimento da planta será comprometido - baixa produtividade. 

Como prevenir as plantas 

Basicamente os passos são: faz-se a análise do solo e identifica os nutrientes e suas quantidades. Depois, com a informação sobre a exigência nutricional da planta, fornecer a ela o fertilizante na dosagem recomendada. A consulta técnica para essa etapa é fundamental. 
É importante observar que cada planta tem uma exigência nutricional para cada um dos diferentes estágios de crescimento, desenvolvimento e frutificação. 
A recomendação para a prevenção numa esfera mais abrangente é a aplicação de biofertilizante, uma vez que o uso dos adubos químicos pode reduzir a resistência da planta, no logo tempo. 

Teoria da Trofobiose 

Existe uma teoria que explica de forma muito clara como funciona essa relação entre a nutrição e a defesa da planta. Inclusive, essa teoria é base para a agricultura orgânica. 
No próximo artigo vamos tratar da teoria da trofobiose que pode ser uma alternativa para redução dos custos com adubo e defensivos no cultivo do pinhão manso. 

Fontes consultadas: Alves, S.B. Controle Microbiano de Insetos. 2. ed., Piracicaba(1.998) / Alves, S.B.; Tamai, M. A.; Lopes, R.B.; Alves Jr, S.B. Citricultura Sustentável: controle alternativo de pragas e doenças. Limeira: agroecológica (1.999)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Propostas de negócio com pinhão manso promete alta rentabilidade

Este artigo tem o objetivo alertar nossos leitores para as promessas de obtenção de alta rentabilidade para investimentos com o cultivo de pinhão manso. Fizemos um levantamento na internet e identificamos vários sites que divulgam números extraordinários, sobretudo em sites estrangeiros.
Esses sites vendem “facilidades” para atrair investidores que não são do ramo. Normalmente esses investidores são pessoas que querem diversificar sua carteira de investimento e estão comprometidos com a sustentabilidade do planeta.
Nada contra essas pessoas, muito pelo contrário, apoiamos iniciativas como essas e ratificamos que o pinhão manso é uma planta com grande potencial para contribuir com a sustentabilidade, em vários aspectos.
Nossa alertas para esses investidores é que devem avaliar bem antes de decidir colocar seu dinheiro em oportunidade de negócios com posposta de alta rentabilidade envolvendo cultivo do pinhão manso.
Os especialistas no assunto advertem: o pinhão manso é uma cultura que está em processo de domínio do conhecimento sobre seus aspectos agronômico e, apesar dos avanços alcançados nos últimos 3 anos, a atividade ainda está longe de ser altamente lucrativa.
Em resumo, são recentes as pesquisas para domínios do pinhão manso, como planta destinada a cultivos comerciais de grande escala para atender a escalar demanda mundial por biocombustíveis (biodiesel e bioquerosene). Em comparação com outras culturas comerciais já domesticadas e destinadas para o mesmo fim, diríamos que para o pinhão manso está só no começo, apesar do alto nível tecnológico no setor de desenvolvimento e pesquisa agronômica aplicada.
Consultei alguns especialistas em pinhão manso com autoridade para falar do assunto e descobri algumas coisas interessantes sobre a avaliação desses sites que divulgam conteúdos de altos resultados com a atividade abusando do baixo conhecimento e credulidade de seus visitantes.


Vamos a algumas dicas
1º - Se o leitor observar bem verá que a maioria das imagens (plantios, produção, etc) são comuns. Ou seja, foram extraídas de outros sites com o mesmo propósito ou de algum produtor ao redor do mundo ou de empresas de pesquisa.
2º - Para complicar ainda mais é comum os proprietários desses sites divulgarem que os altos rendimentos de suas plantações estão em partes do mundo de difícil acesso; muito distante dos leitores, ou então num continente oposto ao do país de divulgação. (ex: se site é europeu as plantações estão na África, Ásia Oriental, Austrália, etc). Num país de dimensões continental como o Brasil, quem está nos grandes centros (Ex: Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis, etc) divulga que seus plantios estão no Mato Grosso, Tocantins, Pará, Maranhão, etc.
3º - A maioria dos proprietários desses sites nunca tiveram experiências com plantios de pinhão manso (talvez nem sabem distinguir uma espécie da outra ou doenças intrínsecas e principalmente as características agronômicas da planta) ou não possuem galeria de fotos que apresente as plantas altamente produtivas que afiram ter desenvolvido;
4º - Para os sites que divulgam possuir cultivar de alto rendimento e resistente, um olhar mais atento identificará presença de doenças comuns á cultura;
5º - Para esse item o leitor precisa de um meio de comparação, vamos apresentar os dados que a “rede brasileira de pesquisadores em pinhão manso” divulgou sobre os rendimentos alcançados no estágio atual de pesquisa e desenvolvimento da cultura – para plantios adensados. Dados de uma planta escolhida entre as 10 melhores plantas com 5 anos de idade no Estado do Roraima.
Produção em sementes: 4.519 kg/hectare
Produção em óleo: 1.581 kg/hectare
Teor de óleo da semente: 34,9%
Espaçamento entre plantas: 3 x 2 metros
Número de plantas/hectare: 1.667 plantas
Outra referência: O cultivo comercial do dendê (ou palma) é considerado mundialmente como a planta que produz mais quantidade de óleo por hectare. Os melhores resultados são 6.000 litros de óleo por hectare.
Atenção: Não se trata aqui de plantas cultivadas isoladamente, mas sim cultivos adensados (plantados juntos como lavoura).

Vamos aos dados agronômicos absurdos
Usaremos código para cada site com objetivo de preservar a imagem dos seus idealizadores.

Dados do Site 001
Produção em sementes: 25.000 kg/hectare (dado obtido pelo teor e produção de óleo).
Produção em óleo: 15.000 (quinze) kg/hectare – no 4º ano de vida da planta
Teor de óleo da semente: 60%
Espaçamento entre plantas: não informado
Número de plantas/hectare: 3.030 plantas

Observações:
A empresa afirma empregar técnicas “ultra modernas” de manejo e condução do seus plantios. Pesquisadores renomados desconhecem essa prática associada ao pinhão manso. Um teor de 60% de óleo é para o albumem da semente e não da semente em si.

Maior absurdo cometido nesse site: Uma única planta produzindo 120 kg de sementes por ano. Para que isso fosse possível essa planta teria que produzir 10 kg/mês, com os avanços atuais e considerando a cultura do pinhão manso, agronomicamente isso é impossível. Imagina qual seria a copa e a altura dessa planta para produzir essa quantidade de sementes. O próprio site afirma que suas plantas produzem de 10 a 15 kg de sementes por planta x 3.000 plantas por hectare = 45 kg máximo. Ainda assim está muito longe da realidade.
E outra, numa população de 3.000 plantas por hectares (no 3º ano é impossível colher pois as plantas fecham a copa). 
Comparando com dados reais: No Brasil é conhecida uma plantas isoladas e bem conduzidas que produziu pouco mais de 19 kg de sementes em um ano. Foi feito cultivo adensado usando suas sementes e galhos, a produção de sementes ficou abaixo de 5 toneladas por hectare.

Dados do Site 002
Esse site afirma possuir uma cultivar geneticamente superior (de elite) que possuir além de resistência a pragas e doenças os seguintes dados:
Produção em sementes: 12.000 kg/hectare (em cultivos irrigados)
Produção em óleo: 4.440 kg/hectare
Teor de óleo da semente: de 34% a 37%
Espaçamento entre plantas: 2 x 2 metros
Número de plantas/hectare: 2.500 plantas
Observações: O site exagera quando afirma que a cultivar produz 12.000 kg de semente/hectare, para o espaçamento de 2 x 2 metros. Acreditamos ser pouco provável, pois para uma produção como essa a planta precisaria ter uma copa muito grande.
Particularmente eu precisaria mensurar esses dados ao longo do ano.

Dados do Site 003
Esse site afirma que com bom manejo do plantio (tratos culturais) a planta pode alcançar os seguintes resultados:
Produção em sementes: 12.500 kg/hectare (em áreas de cultivos com boa precipitação pluviométrica)
Produção em óleo: 4.625 kg/hectare
Teor de óleo da semente: de 30% a 37%
Espaçamento entre plantas: 2 x 2 metros
Número de plantas/hectare: 2.500 plantas
Observações: O site exagera quando afirma que a cultivar produz 12.500 kg de semente/hectare, para o espaçamento de 2 x 2 metros. Acreditamos ser pouco provável, pois para uma produção como essa a planta precisaria ter uma copa muito grande.
Particularmente eu precisaria mensurar esses dados ao longo do ano. 
Não desejamos ser os “donos da verdade”, apenas ajudar nossos leitores a desenvolver um raciocínio crítico sobre a cultura do pinhão manso, contribuindo para a tomada de decisão. 
Temos afirmado nesse blog que o pinhão manso é uma planta que nos últimos 3 anos vem recebendo uma atenção especial uma em função do seu potencial para produção sustentável dos biocombustíveis biodiesel e bioquerosene uma vez que ela não compete com a cadeia alimentar.
Pensamos que a partir do momento que uma empresa desenvolver uma cultivar de alto rendimento e desempenho, esta, deverá fazer uma divulgação massificada na mídia, pois muitos são os interessados no cultivo desta oleaginosa em pequena e grande escala. 

Outras informações relacionadas
Existe uma corrida internacional dos institutos e empresas públicas e privadas de pesquisa para ver que sai na frente no domínio sobre a cultura do pinhão manso. Segundo os pesquisadores, a cultura apresenta algumas limitações importantes e determinantes para a obtenção de alto rendimento na produção com baixo custo operacional; fatores fundamentais para análise da viabilidade econômica e financeira da atividade.
O desafio inicial é encontrar solução para as principais limitações básicas determinadas essencialmente pela baixa carga genética de caracteres aceitáveis, tais como:

  • plantios com desuniformidade nas plantas (indivíduos) – onde somente uma em cada 19 plantas apresenta alto rendimento, jogando para baixo a produtividade média geral; 
  • sensibilidade a algumas pragas e doenças – cruciais para obtenção de bom rendimento em grão e óleo – está provado que o ataque de percevejo (comum na lavoura do pinhão manso) é responsável por queda de 50% no teor de óleo da semente; 
  • frutificação irregular – inviabilizando a colheita mecanizada e, consequentemente, aumentando os custos de produção; e 
  • baixo engalhamento – a floração acontece só na ponta dos galhos exigindo aumento nos custos com podas para obtenção de maiores rendimentos.

Existem outras limitações que não foram pontuadas anteriormente mas que, após superadas, permitirão ao agricultor, por um lado aumentar a receita e por outro reduzir os custos operacionais, elevando a rentabilidade da atividade, dentre eles: a destoxicação da torta do pinhão manso (resíduo da extração do óleo) ou o desenvolvimento de plantas atóxicas com rendimento satisfatórios, melhorar a eficiência no manejo, na logística de transporte e armazenagem, cultivares com maior teor de óleo na semente, maior eficiência no processamento do grão, entre outros.
Enfim, como a pesquisa e inovação é o setor dinâmico os avanços vão surgindo com o passar do tempo.
Temos afirmado e apresentado fatos nesse blog que demonstram o nível de comprometimento e determinação dos pesquisadores em apresentar soluções práticas e viáveis para o setor de produção sustentável do pinhão manso. 
Lembramos nossos leitores a necessidade de consultar um especialista com autoridade sobre cultivo do pinhão manso para orientar melhor sobre os investimento nesse setor. 
Toda regra tem suas excessões, existem empresas sérias investindo em pesquisa e que afirmam possuir variedades híbridas de alto desempenho. Em sendo séria uma empresa ela tem transparência, daí sugerimos fazer uma visita às plantações acompanhados de especialistas no assunto.
Colocamo-nos ao dispor para maiores esclarecimentos, sugestões e críticas.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pinhão Manso Anão: indicado para colheita mecanizada

 Os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) transformaram o pinhão-manso, árvore de amêndoas que normalmente atinge 3,5 metros de altura, em uma planta com tamanho comparado ao de um pé de soja. A façanha paulista promete facilitar o uso de máquinas na colheita do pinhão, que tem alta concentração de óleo para produção de biodiesel. 
Nesse estudo, o IAC ganhou pontos na corrida para viabilizar o cultivo em escala investigando parentes selvagens do pinhão-manso. Os pesquisadores introduziram na árvore de amêndoas características de uma variedade anã. O pinhão-manso anão é como um bonsai. Os primeiros exemplares, plantados em vasos, começam a florescer e dão frutos com pouco mais de meio metro de altura. 
O pesquisador do IAC Carlos Colombo mostra cacho de pinhão-manso tradicional 
A importância da pesquisa é medida pelo rendimento de óleo da cultura. Enquanto a soja – principal matéria prima da indústria de biodiesel no Brasil, base de 80% da produção – oferece cerca de 600 quilos de óleo por hectare, o pinhão-manso rende 2,5 mil quilos na mesma área, compara o pesquisador Carlos Colombo, do IAC. Menos de 10% do biodiesel brasileiro é produzido com alternativas vegetais, incluindo mamona e algodão. Os demais 12% saem do sebo bovino. 
O pesquisador Walter Siqueira explica que ainda há um longo caminho pela frente antes da produção de pinhão-manso anão em escala. A experiência que mudou o tamanho da planta, no entanto, é considerada “uma demonstração do quanto é possível avançar”. Ainda é preciso investigar, por exemplo, qual o rendimento das novas árvores, seu ciclo de produção, a concentração de óleo nas sementes, a concentração de substâncias tóxicas. 
Nas pesquisas realizadas nos últimos anos, o rendimento de óleo variou de 1,3 mil a 3,2 mil quilos por hectare, abaixo apenas dos resultados do dendê e da macaúba. A qualidade do biodiesel de pinhão-manso é considerada excelente pelos técnicos. A busca por novas fontes está relacionada ao consumo cada vez maior. O Brasil adota atualmente a proporção de 5% de biodiesel no diesel, o que exige a produção de 2,5 bilhões de litros ao ano. 
Com o estudo sobre pinhão-manso, os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) tentam tomar a dianteira na avaliação da cultura como fonte de energia. A instituição informa que procura se envolver nos desafios do setor agrícola para apresentar tecnologias que viabilizem a produção e abram caminho para a liderança brasileira em agroenergia e alimentos. A evolução dos sistemas produtivos tem exigido a diversificação e a ampliação do número de trabalhos. Atualmente, há 470 projetos em andamento, que envolvem 192 pesquisadores, 80% deles doutores. O diretor-geral do IAC, Marco Antônio Zullo, conta que a instituição tem atuado em parceria com organizações públicas e privadas, que também mostram-se atarefadas pela pressão por redução de custo, aumento de produtividade e por novas soluções e alternativas de cultivo. “A missão desse país é agrícola. Quem dominar o processo de produção de alimentos vai ser o país mais importante do mundo”, afirma Guilherme Guimarães, gerente de Regulamentação Federal da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que reúne indústrias de defensivos.