quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

De Olho na viabilidade econômica do pinhão manso


O ponto forte desse artigo é a sinceridade do autor no trato dos assuntos mais polêmicos que envolve a cultura do pinhão manso. Nele o leitor irá identificar os pontos de estrangulamento da cultura do pinhão manso determinantes para sua viabilidade econômica.

O objetivo desse artigo além de descrever as experiências no cultivo do pinhão manso ao redor do mundo, foi mostrar como a viabilidade econômica depende da seleção de plantas de alto rendimento para as plantações de pinhão manso. É evidente que plantios a partir de sementes têm uma grande variação biológica e faz-se necessário selecionar plantas (cultivar/variedade) de alto rendimento. Essas cultivares devem ser multiplicadas vegetativamente (por estacas ou cultura de tecidos) para obter uma produtividade em sementes por hectare que torne a atividade economicamente viável. O espaçamento entre as plantas deve ser definido pois dele dependerá a análise da disponibilidade de água e nutrientes, bem como os aspectos operacionais da plantação permitindo a circulação dos trabalhadores entre as plantas para realizar as tarefas de manejo e colheita manualmente. 
No Camboja foi observado plantas que iniciaram a frutificação aos 7 meses de idade apresentando alto rendimento em frutos. O pinhão manso é uma planta perene com vida útil de 50 anos. Não se sabe, até que idade a produção de sementes é economicamente viável. No Brasil há plantas produzindo com mais de 50 anos. 
O pinhão manso é um arbusto que pode crescer até uma altura de 6 m, resiste a longos períodos de seca (7 a 8 meses, observado em Mali) e que suporta uma precipitação de mais de 600 mm durante a estação chuvosa, mas também podem crescer bem em um clima tropical com condições de chuva permanente, sendo que a frutificação se mantém durante toda a estação chuvosa. Observa-se que do florescimento até a maturação do fruto leva cerca de 4 meses e frutos maduros são encontrados até cerca de 4 meses após o final da estação chuvosa. 
Algumas variáveis para o cálculo de viabilidade econômica para o cultivo do pinhão manso como matéria prima para produção de óleo não comestível ainda não foram bem estabelecidas. Muitas informações surrealistas e muito otimismo são publicados na internet, dando a ideia que plantar pinhão manso é um negócio altamente lucrativo com finalidade exclusiva de atrair investidores
Em março de 2007, durante uma conferência sobre pinhão manso, em Wageningen - Alemanha, os especialistas presentes entenderam que uma produtividade 3 a 5 toneladas de semente por hectare é razoável (em plantações em plena produção). O adensamento ideal de árvores deve girar em torno de 1.300 plantas por hectare. O adensamento de 2.500 árvores por hectare, parece ser alto, pois o crescimento livre das plantas, após o 3º ano do plantio em diante, não permite o trânsito dos trabalhadores para realizar a colheita; que é manual. A distância entre as linhas de 3 m parece muito importante, que dá um número de plantas por ha de 1.300, com distância entre plantas por linha de 2,5 m; e 1.700 plantas, com distância entre plantas por linha de 2 m. 
Colheita 
A colheita manual é uma das variáveis nos custos de produção que mais onera e compromete a viabilidade econômica do cultivo do pinhão manso. Em longos período de chuvas, a colheita manual deve ser realizada com maior frequência pois os frutos estão em contrante amadurecimento e sua permanência na planta provoca o brotamento das sementes pelo excesso de umidade - um problema sério a ser superado para viabilizar a colheita mecânica. No entanto, se a disponibilidade de água pode ser controlada, uma maturação mais uniforme pode ser alcançada. 
No Brasil há exemplos de colheitas mecanizadas realizadas com colhedeiras de café adaptadas para o pinhão manso. 
A colheita do pinhão manso torna-se mais eficientes com variedades de alto rendimento onde a quantidade de frutos colhidos, por unidade de planta, reduz o custo da hora de trabalho. 
Manutenção da plantação 
O rendimento de uma planta depende principalmente do número de galhos. O engalhamento pode ser provocado por meio da poda ou natural, determinados pela própria genética da planta. O número de galhos é importante, pois as inflorescências (floração) ocorrem somente nas pontas dos ramos, assim quanto maior o número de galhos, maior será a produção esperada. Após a poda de um galho surgem de 3 a 5 novos brotos desenvolvidos abaixo da linha do corte. Este processo pode ser repetido em intervalos de 6 a 8 semanas nos primeiros 2 a 3 anos. O resultado será uma planta muito espessa, com muitos ramos e muitos frutos, isto é, se a base genética da planta também contribuir. 
Fazer poda significa aumento de trabalho na lavoura e maiores custos; uma planta com genética de engalhamento vigoroso pode reduzir os custos de produção.
Identificação de plantas com genética superior 
Se uma plantação é cultivada a partir de sementes amostradas aleatoriamente, todas as plantas serão diferentes. Poucas sementes vão gerar plantas com alto rendimento fazendo com que a média geral seja baixa: em média, para cada 20 plantas de um lote apenas 01 terá bom rendimento. 
Para estabelecer uma plantação com bom rendimento (produção de sementes), estas plantas que apresentam bom rendimento devem ser identificadas, isoladas e multiplicadas. 
A propagação do pinhão manso 
O pinhão manso pode ser plantado por meio de sementes, por estacas ou por cultura de tecidos. 
A maioria das plantações adotam o sistema de plantios por sementes por ser o método mais prático e barato, nesses casos os genes são recombinados – reprodução por meiose. Assim o plantio resultante terá uma grande variação no rendimento. 
No entanto, um programa de melhoramento com a polinização conduzida pode levar a variedades de elite. Nas condições atuais, a propagação vegetativa de indivíduos de alto rendimento é a primeira escolha. 
Para se certificar que as novas plantações serão de alto rendimento é preciso selecionar plantas adultas que apresentam as melhores características agronômicas desejáveis e promover a multiplicação vegetativamente destas; seja por estacas ou por cultura de tecidos – esta último são os clones obtidos em laboratório. 
A Multiplicação por estacas é um processo muito fácil, mas com resultado demorado - a raiz demora para se formar completamente, tanto que uma planta gera de 100 a 500 novas plantas (estacas/clones). Os clones terão as mesmas características da planta-mãe. 
Se aplicado para o mesmo caso a cultura de tecidos, uma planta matriz selecionada pode dar origem a milhares de novos clones; o que para cultivos em grandes escalas é a alternativa mais indicada. 
No entanto, até o momento nenhum laboratório conhecido, que desenvolve culturas em tecidos, foi identificado como produtor de clones de pinhão manso pois seu custo é muito alto. (Mr. Hak, Banteay Meanchey) 
Prioridades de Pesquisa 
1. Identificação de plantas de alto rendimento em todo o mundo: o conhecimento de tais plantas é importante estabelecer bancos genético como fonte de germoplasma para o estabelecimento de plantações de alta rendimento; 
2. Estabelecer a tecnologia de multiplicação de cultura de tecidos para pinhão manso: esta tecnologia é aplicada com sucesso na melhoria do rendimento das plantações de óleo de palma no Sudeste da Ásia e África; 
3. Estabelecer plantações de alto rendimento estabelecendo a produtividade por hectare: o estabelecimento de tais plantações dá a base para futuras pesquisas sobre a correlação de rendimentos agrícolas e insumos básicos, como água e fertilizantes; 
4. Seleção de plantas com alto teor de óleo nas sementes: em uma segunda fase da pesquisa deve-se identificar e selecionar plantas entre uma mesma população de plantas de alto rendimento, que possuem um alto teor de óleo em suas sementes; 
5. Seleção de plantas com genética de bom engalhamento: o número de galhos determina o rendimento do cultivo de pinhão manso. 
O objetivo da pesquisa a longo prazo é identificar plantas que têm a base genética de bom engalhamento permitindo reduzir os custos operacionais com poda e colheita. 
Contato: Henning Reinhard K. 
Bagani consultoria, 
Endereço: Rothkreuz 11, 
D-88138 Weissensberg – Alemanha. 
Link da fonte do artigo: 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pinhão Manso Anão: indicado para colheita mecanizada

 Os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) transformaram o pinhão-manso, árvore de amêndoas que normalmente atinge 3,5 metros de altura, em uma planta com tamanho comparado ao de um pé de soja. A façanha paulista promete facilitar o uso de máquinas na colheita do pinhão, que tem alta concentração de óleo para produção de biodiesel. 
Nesse estudo, o IAC ganhou pontos na corrida para viabilizar o cultivo em escala investigando parentes selvagens do pinhão-manso. Os pesquisadores introduziram na árvore de amêndoas características de uma variedade anã. O pinhão-manso anão é como um bonsai. Os primeiros exemplares, plantados em vasos, começam a florescer e dão frutos com pouco mais de meio metro de altura. 
O pesquisador do IAC Carlos Colombo mostra cacho de pinhão-manso tradicional 
A importância da pesquisa é medida pelo rendimento de óleo da cultura. Enquanto a soja – principal matéria prima da indústria de biodiesel no Brasil, base de 80% da produção – oferece cerca de 600 quilos de óleo por hectare, o pinhão-manso rende 2,5 mil quilos na mesma área, compara o pesquisador Carlos Colombo, do IAC. Menos de 10% do biodiesel brasileiro é produzido com alternativas vegetais, incluindo mamona e algodão. Os demais 12% saem do sebo bovino. 
O pesquisador Walter Siqueira explica que ainda há um longo caminho pela frente antes da produção de pinhão-manso anão em escala. A experiência que mudou o tamanho da planta, no entanto, é considerada “uma demonstração do quanto é possível avançar”. Ainda é preciso investigar, por exemplo, qual o rendimento das novas árvores, seu ciclo de produção, a concentração de óleo nas sementes, a concentração de substâncias tóxicas. 
Nas pesquisas realizadas nos últimos anos, o rendimento de óleo variou de 1,3 mil a 3,2 mil quilos por hectare, abaixo apenas dos resultados do dendê e da macaúba. A qualidade do biodiesel de pinhão-manso é considerada excelente pelos técnicos. A busca por novas fontes está relacionada ao consumo cada vez maior. O Brasil adota atualmente a proporção de 5% de biodiesel no diesel, o que exige a produção de 2,5 bilhões de litros ao ano. 
Com o estudo sobre pinhão-manso, os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) tentam tomar a dianteira na avaliação da cultura como fonte de energia. A instituição informa que procura se envolver nos desafios do setor agrícola para apresentar tecnologias que viabilizem a produção e abram caminho para a liderança brasileira em agroenergia e alimentos. A evolução dos sistemas produtivos tem exigido a diversificação e a ampliação do número de trabalhos. Atualmente, há 470 projetos em andamento, que envolvem 192 pesquisadores, 80% deles doutores. O diretor-geral do IAC, Marco Antônio Zullo, conta que a instituição tem atuado em parceria com organizações públicas e privadas, que também mostram-se atarefadas pela pressão por redução de custo, aumento de produtividade e por novas soluções e alternativas de cultivo. “A missão desse país é agrícola. Quem dominar o processo de produção de alimentos vai ser o país mais importante do mundo”, afirma Guilherme Guimarães, gerente de Regulamentação Federal da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que reúne indústrias de defensivos.

Quem chegará primeiro na briga pelo domínio do pinhão manso

Descobrir novas fontes de energia renovável é um desafio para cientistas de todo mundo. Vários institutos de pesquisa do Brasil e do mundo estão à procura de uma planta com maior eficiência energética que possa ser usada na produção do biodiesel. E uma das alternativas mais promissoras é o pinhão-manso, que está sendo estudado por cientistas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos Genéticos Vegetais e Jardim Botânico do Instituto Agronômico (IAC).
“Há uma corrida saudável entre os institutos de pesquisa para ver quem vai desenvolver o pinhão-manso”, conta o pesquisador Walter José Siqueira, responsável pela área de melhoramento genético do IAC. A coordenadora Daniela de Argolo Marques conta que o objetivo do projeto é desenvolver uma planta que seja uma opção viável às commodities de soja, amendoim, girassol e mamona, de onde são extraídos o óleo hoje.
Segundo os cientistas, o pinhão-manso tem um teor de óleo muito alto. “Ele rende de 1,3 mil a 3,2 mil quilos de óleo por hectare. Em rendimento, ele perde apenas para o dendê e macaúba. Além disso, o óleo tem características físicas e químicas de excelente qualidade para o biodiesel”, diz Daniela. Outra vantagem da planta é o fato de ela não competir com a produção de alimento, como a soja e o amendoim.
O óleo é extraído da semente e a planta é tóxica, contém esteres de forbol, mas a maior parte das toxinas, com exceção do forbol, é liberada durante o processo de extração feito com altas temperaturas. “Queremos desenvolver uma cultivar atóxica para que o resíduo (restos do fruto e semente) do processo de extração do óleo seja usado na produção de ração animal. “Esse resíduo tem alto teor protéico”, observa Daniela. Com a possibilidade de aproveitamento do resíduo, o pinhão passa a ser uma alternativa ainda mais viável.
O Instituto Agronômico desenvolve duas linhas de pesquisa, uma patrocinada pela Petrobras e outra pela empresa Vigna Brasil, para emplacar o uso do pinhão na produção do biodiesel. “É bom enfatizar que não existe uma variedade ou cultivar de pinhão-manso para o agronegócio brasileiro. O que se tem são sementes coletadas de árvores ou de população de plantas, sem controle dos pais e certificação de qualidade”, explicou Siqueira.
O objetivo dos cientistas é desenvolver, por meio de melhoramento genético, uma planta com menor porte, atóxica e com uniformidade da produção dos frutos. “Nós queremos mudar o paradigma da planta”, resume Siqueira.
Demanda por biodiesel vai crescer
A demanda por novas alternativas em biodiesel deve crescer nos próximos anos. Segundo os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), essa demanda se deve principalmente por causa do aumento da porcentagem da mistura de biodiesel ao diesel de petróleo para 5% a partir deste mês. “Cinquenta e quatro porcento do combustível usado no Brasil provém de fontes não renováveis, como petróleo e gás natural. E 12,9% provêm de energia renovável, como as hidrelétricas e 3,2% vêm do biodiesel”, comenta a pesquisadora Daniela de Argolo Marques. No mundo todo, 87% do combustível utilizado vem de fontes não renováveis. “O Brasil está na frente por causa da sua biodiversidade”, observa a pesquisadora. O Brasil produz competitivamente biocombustíveis há algum tempo aproveitando-se da abundância de recursos naturais, humanos e da eficiente tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores e técnicos”, diz. Segundo ela, a produção baseia-se no etanol (15,9%) e no biodisesel de plantas oleaginosas (3,2%). (PA/AAN)
Na mira dos cientistas
Antes de fazer a manipulação genética das plantas, os pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC) estudam uma série de vegetais diferentes. Eles têm em laboratórios, viveiros e em plantações na sua sede centenas de plantas. “Ao todo são mais de mil. É um trabalho de garimpagem, procuramos as características que queremos nas plantas”, diz o pesquisador Walter José Siqueira. (PA/AAN)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Razão da Frustração dos Plantadores de Pinhão Manso no Passado e Perspectivas para 2012

As perspectivas para 2012 com o cultivo do pinhão manso:
  • Anúncios da EMBRAPA sobre genótipos de pinhão manso resistentes à pragas;
  • Anuncio da EMBRAPA de resultados obtidos com o cultivo do pinhão manso atóxico;
  • Anúncio do IAC sobre pinhão manso anão que pode ser no futuro a solução para a colheita mecanizada;
  • Anúncio da Associação Internacional de Transporte Aéreo sobre o potencial do pinhão manso como matéria prima para biocombustível de aviação e a demanda que suas associadas vão exigir para o bioquerosene;
  • Anúncio mundial de registro de uma cultivar híbrida de pinhão manso de alta performance desenvolvida pela empresa americana SG Biofuels e testes avaliativos programados para o Brasil;
  • Resultados surpreendentes em rendimento e produtividade do pinhão manso pela aplicação de substâncias reguladores do crescimento vegetal;
  • Dentre outras. 

Razão da Frustração dos Plantadores de Pinhão Manso no Passado 
A principal razão para os agricultores e investidores que apostaram no cultivo do pinhão manso, de origem silvestre, como oportunidade viável para atender a demanda por matéria prima alternativa à produção de biodiesel, sem dúvida nenhuma, foi a falsa crença que era uma planta muito superior a qualquer outra. Tratava-se de uma planta aparentemente rústica; que poderia se desenvolver em qualquer tipo de solo e clima; exigindo poucos insumos e tratos culturais; muito resistente a pragas e doenças; apresentando baixo custo de produção; e que tinha uma produção alta produção de semente por planta (de 12 a 15 quilos) por ano. 
E pra completar, se agricultor formasse uma plantação adensada com sementes da planta mãe, as filhas apresentariam as mesmas características, ou seja, cada planta filha iria produzir a mesma quantidade de sementes da mãe. 
Puro engano. 
Aconteceu que em cultivos adensados vários fatores interferem no desempenho da planta e o resultado observado foi uma baixa produtividade, associado a alto custo de manutenção, tais como: controle de pragas e doenças, adubação, poda, colheita e etc. 
O cultivo nessas condições provou ser inviável economicamente. 
Ficou ao agricultor a experiência e a expectativa de que no futuro a pesquisa científica encontre meios de aproveitar todo o potencial que o pinhão manso pode oferecer. 
Em resumo, a pesquisa e desenvolvimento estão se encarregando de descobrir e selecionar uma planta padrão com alto desempenho. Capaz de transferir para as filhas suas características permitindo multiplicar esse mesmos resultados em cultivos adensados e escalares; viabilizando cultivos comerciais dessa planta. 
Segundo os técnicos, o que se busca com a pesquisa e desenvolvimento do pinhão manso é uma cultivar ou variedade - planta selecionada que apresente alta produtividade associada a baixo custo de manutenção. 
Que transformação uma cultivar de pinhão manso pode realizar no campo? 
Basicamente, uma cultivar tem a função de uniformizar uma plantação fazendo com que todas as plantas filhas apresentem os mesmos comportamentos e resultados da planta que lhe deu origem. Ou seja, se uma cultivar produz 10 quilos de sementes por ano, uma área cultivada com 1.000 plantas filhas, dessa mesma cultivar, deverá oferecer uma produção em torno de 10.000 quilos de sementes por ano. 
É importante dizer que cada cultivar é desenvolvida para um tipo de solo e clima específico. Para evitar surpresas o agricultor deve consultar um técnico para saber qual cultivar ou quais cultivares estão mais indicadas para sua região. 
Resumindo: uma cultivar permite ao agricultor e investidor prever antecipadamente qual será o retorno para o seu capital. 
A seguir vamos dar uma dica importante para quem quer analisar o retorno do seu investimento com o cultivo do pinhão manso 
Uma condição fundamental para orientar o investidor/agricultor na hora de analisar se é viável aplicar seu dinheiro no cultivo de qualquer plantação, se vai ter um retorno satisfatório do seu investimento, é fato de poder prever qual será o rendimento da plantação antes de iniciar o cultivo. 
O primeiro passo então é adquirir uma cultivar indicada para sua região. 
Sobre esse assunto o que está valendo no Brasil para o pinhão manso, até que as pesquisas provem o contrário, é o que: 
veja a declaração abaixo 
“O pinhão-manso, tem sido nos últimos anos motivo de divergências entre a iniciativa privada e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. Após intensa pressão sobre o governo federal e a criação da Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão-Manso (ABPPM), em janeiro de 2008 o registro de espécie foi concedido à planta, liberando a comercialização de mudas e sementes. 
Embora esse fato seja considerado uma vitória da ABPPM, trata-se na verdade de uma licença provisória, uma vez que, para o plantio e a comercialização em larga escala, é fundamental que se providencie também o registro do cultivar, além da normatização das variedades do pinhão-manso. Sem isso, a cultura sofre restrições ao crédito público, além de sua produção não poder usufruir do seguro e benefícios fiscais destinado às lavouras já regularizadas.” 
Exclusivamente a título de exemplificação e baseado nas declarações dos pesquisadores em pinhão manso 
Vamos realizar uma simulação, a título de exemplificação, considerando a existência de uma cultivar de pinhão manso que produza 3,2 mil litros de óleo por hectare com teor de óleo na semente de 37%. Neste caso a produção em grãos é de 8.648 quilos por hectares. 
Veja o que afirma o IAC: “Nas pesquisas realizadas nos últimos anos, o rendimento de óleo variou de 1,3 mil a 3,2 mil quilos por hectare, abaixo apenas dos resultados do dendê e da macaúba. A importância da pesquisa do pinhão manso é medida pelo rendimento de óleo desta cultura. Enquanto a soja, a principal matéria prima para biodiesel no Brasil, oferece cerca de 600 quilos de óleo por hectare, o pinhão-manso rende 2,5 mil quilos na mesma área”; afirma o pesquisador Carlos Colombo, do Instituto Agronômico de Campinas - IAC. 
Fonte: www.gazetadopovo.com.br 
Considerando o preço de R$ 0,42/kg da grão do pinhão manso pago ao agricultor pela empresa NÒVABRA Energia no Espírito Santo, o faturamento é de R$ 3.632,00/hectare. 
Afirmou o diretor da empresa NOVABRA, Pedro Burnier: “no primeiro semestre deste ano (2011), o preço de aquisição do grão de pinhão-manso é de R$ 0,42 por quilo, o que representa um aumento de 40% em relação ao ano passado (2010), quando o valor do quilo foi de R$ 0,30 por quilo”. 
Fonte Link: http://www.faes.org.br/noticias_detalhe.php?Cod_Noticia=1545 
Considerando que o custo de manutenção para o cultivo de um hectare de pinhão manso é de R$ 1.488,00 (com impostos e assistência técnica incluso), a partir do 4º ano de cultivo, a receita líquida da atividade para o agricultor é de R$ 2.144,00/hectare. Uma rentabilidade de 69%. 
Considerando que o pinhão manso é uma cultura perene, indicada para produção de biodiesel e bioquerosene, seqüestradora de carbono, que ajuda a recuperar solos degradados, que não compete com a cadeia alimentar (sustentável), entre outras vantagens, essa rentabilidade para o pequeno agricultor é considerada muito satisfatória; uma vez que a colheita ainda é manual. 
Esclarecemos as informações acima trata-se apenas de uma simulação na prática o que existe é expectativa dos produtores interessados. 
A simulação que fizemos acima é baseada nas declarações dos pesquisadores sobre o potencial do pinhão manso e as conquistas em pesquisa alcançadas nos últimos. Esse otimismo reflete na expectativa daqueles que acompanham esse desenvolvimento científico e apostam que nos próximos 3 anos deva existir uma cultivar de alto rendimento, registrada no Brasil.
Colocamos ao dispor dos leitores para maiores informações sobre os avanços em pesquisa e domesticação do pinhão manso.

Clonagem do Pinhão Manso: alternativa para obtenção de linhagens altamente produtivas


Pesquisadores da EMBRAPA demonstram que é possível obter em laboratório clones altamente produtivos de pinhão manso 

Para demonstrar os avanços em pesquisa do pinhão manso no setor da clonagem vamos apresentar abaixo um resultado obtido por pesquisadores da EMBRAPA. 
Entenda o significado aproximado de algumas palavras usadas pelos pesquisadores nesse trecho: 
In vitro é o mesmo que “em laboratório”. 
Explante é o mesmo que “pedaços da planta”. 
Calos é o mesmo que “clones”. 
 “O pinhão manso (Jatropha curcas L.) possui altos teores de óleo nas sementes, em torno de 30% com base na matéria seca. Entretanto, apresenta produção de sementes bastante irregular entre os indivíduos. O cultivo in vitro de explantes de pinhão manso é a base para a obtenção de genótipos desejáveis. Desta forma, buscou-se produzir calos regeneráveis de pinhão manso, visando à produção clones altamente produtivos. Explantes oriundos de embriões germinados in vitro (em laboratório) foram inoculados em meio nutritivo de Murashige e Skoog, 1962, suplementado com os reguladores de crescimento BAP (6-benzilaminopurina) e ANA (ácido naftaleno acético), em diferentes concentrações combinados em 25 tratamentos. Os resultados indicaram que a adição do BAP e ANA induz a formação de calos.” 
Quem quiser obter informações mais detalhadas colocamos abaixo a fonte da pesquisa. 
Fonte: INFLUENCIA DE BAP E ANA NA FORMAÇÃO DE CALOS DE Jatropha curcas L. (2010) - Wesley Machado, Andréa Almeida Carneiro e Gracielle Teodora da Costa Pinto Coelho. 
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É sabido que o pinhão manso - PM é uma cultura que está em processo de domesticação. E semelhante a outras espécies vegetais que no passado apresentavam muitas limitações e que hoje oferecem alta produtividade e desempenho no campo. O PM não é diferente. 
Entretanto, é um entendimento geral entre os pesquisadores que esta planta tem grande potencial para contribuir com a cadeia produtiva sustentável dos biocombustíveis. 
Nesse sentido, o esforço dos pesquisadores tem sido desdobrado e bons resultados estão acontecendo em todas as partes do mundo e em diversos setores de domínio da cultura. 
Limitação atual ao cultivo do pinhão manso 
Uma das limitações para o cultivo do PM é a desuniformidade na produção de grãos/sementes entre as plantas por área cultivada. A razão disso está no sistema tradicional de cultivo desta planta que adota o plantio por sementes. 
Explicação da desuniformidade da produção do pinhão manso 
Como ainda não foi desenvolvido (e selecionada) uma planta (cultivar) com genética superior e de alto desempenho, essa irregularidade entre plantas acontecem pois cada árvore de pinhão manso vai produzir sementes que, se plantadas, vão gerar outras plantas com características completamente diferente da planta mãe e, consequentemente, produzir resultados diferentes (rendimento) no campo. 
Como isso funciona na prática 
(trocando em miúdos) 
Vamos citar um exemplo para que o leitor possa entender melhor como isso funciona. 
Um plantio com espaçamento entre indivíduos (plantas) de 3 x 2 metros (adotado na maioria das plantações no Brasil) contém 1.667 plantas/hectare. Se houvesse uniformidade de produção entre as plantas e cada uma produzisse 4 Kg (quilograma) de sementes, seria fácil calcular o rendimento por área esperado, ou seja, estimar a produtividade/hectare. Bastava multiplicar 1.667 plantas x 4 kg de sementes/planta, obtendo um rendimento de 6.668 kg/hectare; considerando um teor de óleo no grão de 37%, obtêm-se um rendimento (produtividade) de 2.467 litros de óleo por hectare - isso representaria um rendimento 4,5 vezes maior que o da soja.
Uma alternativa para solucionar a desuniformidade no cultivo do pinhão manso

Uma alternativa solucionar a desuniformidade na plantação (lavoura) de pinhão manso é a adoção da clonagem obtida de planta mãe de alto rendimento.  Daí é possível uniformizar a plantação e estimar os resultados; semelhante ao que acontece com outras culturas clonadas. É sabido que a clonagem vegetal (retirar uma parte da planta mãe – célula vegetal - e transformá-lo em outra planta) gera plantas filhas com as mesmas características da planta mãe; e para plantios em grandes escalas existe tecnologia apropriada. 
Esse recurso já está sendo testado pelos pesquisadores e não vai demorar muito para desenvolver uma planta que vai gerar resultados satisfatórios no campo. O desafio atual é selecionar uma planta, entre as nativas ou silvestres, com essas características para usar como “matriz” para a clonagem. 

Colheita Mecanizada do Pinhão Manso: pesquisas científicas indicam que está perto a colheita mecanizada e a solução para outros gargalos da cultura

Resumiremos nesse post algumas publicações científicas que estão revolucionando o conhecimento sobre a cultura do pinhão manso. 
Esses experimentos desenvolvidos por diversos pesquisadores ao redor do mundo vão colaborar substancialmente no desenvolvimento de linhagens superiores de pinhão manso com alto rendimento produção de sementes e solucionar alguns problemas que a cultura apresenta, dentre eles: a baixa produtividade e maturação irregular dos frutos para cultivos comerciais de grandes escalas, a sensibilidade a determinadas pragas e doenças, entre outras. 
Colheita Mecanizada do Pinhão Manso: estudos indicam que essa possibilidade está próxima. 
Os pesquisadores Luckwill 1977; Bonnetmasimbert e Zaerr 1987; Santner e Outros e Carels em 2009; King e Outros em 2009, testaram vários tipos de substâncias reguladoras do crescimento vegetal - RGV e chegaram à conclusão que esses reguladores de crescimento também podem induzir a floração e a maturação sincronizada dos frutos podendo viabilizar a colheita mecanizada do pinhão manso.
Pesquisa sobre o papel importante desempenhado pela a enzima de nome CK no desenvolvimento e formação da floração do pinhão manso. 
Esta enzima estimula a produção/síntese de uma substância chamada citocinina bioativa. A citocinima atua diretamente no metabolismo da planta controlando o desenvolvimento da floração e o sexo da flor (Zhao 2008; Werner e Schmulling 2009; Kudo e outros 2010). 
Pesquisas indicam que o gene que determina sintetiza a enzima CK no pinhão manso pode ser modificado. 
Esta pesquisa demonstrou que através da engenharia genética é possível interferir na cadeia do DNA do pinhão manso e modificar o gene que sintetiza a enzima CK, permitindo obter clones de pinhão manso de alto rendimento (Ma 2008; Kiba e Sakakibara 2010). 
Estudos mais recentes demonstram um aumento de 5 a 11 vezes na produção de sementes do pinhão manso com aplicação no solo de uma substância chamada Paclobutrazol. 
Os pesquisadores Ghosh e outros (2010) alcançaram, de um ano para outro de cultivo, um aumento de 5 a 11 vezes maior na produção de sementes de pinhão manso com aplicação de Paclobutrazol no solo. O Paclobutrazol é uma substância inibidora da síntese do hormônio vegetal Giberelina. 
Como o Paclobutrazol (PBZ) age na planta 
Basicamente ele retarda o crescimento vegetal e, como numa espécie de “efeito colateral”, ele provoca: o aumento do enraizamento, a frutificação precoce e o aumento no número de sementes e do tamanho do fruto. Isso porque ele age inibindo a síntese (produção) do hormônio Giberelina. 
Portanto, o Paclobutrazol é tipo de substância reguladora do crescimento vegetal – RCV.
Leitores, o que descrevemos acima é só um dos tipos de reações químicas (bioquímica) complexas que acontecem dentro das plantas e cada uma delas provoca respostas diferentes. Os fitogeneticistas experimentados sabem bem como controlar essas reações e tirar o melhor proveito delas. 
Testes realizados com outros reguladores do crescimento vegetal confirmam o potencial dessas substâncias para aumentar o desempenho do pinhão manso. 
Os pesquisadores Divakara e Outros em 2010 testaram vários outros tipos de RCV e concluíram que essas substâncias aplicadas no cultivo do pinhão manso possuem grande potencial para a melhoria na produção (produtividade) de sementes do pinhão manso. Segundo os pesquisadores, essa abordagem tecnológica associadas ao manejo faz o pinhão manso responder com alta produção de sementes. 

Aplicação de Reguladores de Crescimento Faz Aumentar em 450% a Produtividade do Pinhão Manso

Pesquisas revelam que a aplicação das substâncias denominadas de Reguladores do Crescimento de Vegetal – RCV, faz aumentar significativamente a produção de sementes do pinhão manso em comparação a plantas que não receberam esse tratamento.
É o assunto que vamos tratar nesse post.
A aplicação do hormônio, estimulante do crescimento, chamado de benziladenina - BA no período de floração do pinhão manso aumentou expressivamente (450%) a quantidade de sementes por cada planta tratada em relação às não tratadas.
Esse resultado foi obtido por dois pesquisadores chineses,  Bang-Zhen Pan e Zeng-Fu Xu, do Centro de Engenharia Molecular de Plantas da China (Laboratory of Molecular Breeding of Energy Plants/ Xishuangbanna Tropical Botanical Garden, Chinese Academy of Sciences).
Essa publicação científica é uma prova que o mundo inteiro está investindo pesado na domesticação do pinhão manso.
O Governo Chinês está investindo muitos recursos em pesquisa e desenvolvimento de matérias primas para a produção sustentável dos biocombustíveis, pois prevê que seu país, em processo acelerado de desenvolvimento econômico, demandará altas quantidades de biodiesel e bioquerosene para atender suas metas de redução dos gases de efeito estufa no setor dos transportes e geração de energia.  
Explicação Simplificada do Experimento
Na natureza o cacho de flores do pinhão manso (denominada de inflorescência), é composto de flores masculinas e femininas. As femininas estão localizadas no centro da inflorescência (cacho) e aparecem antes das masculinas e, normalmente, cada cacho contém de 100 a 300 flores no total. Essa quantidade de flores vai gerar pouco mais de 10 frutos por floração: para  cultivos comerciais de plantas silvestres/nativas, essa quantidade de frutos é considerada muito baixa.
A lógica para esse rendimento tão baixo, segundo os pesquisadores, está na pequena quantidade de flores femininas em relação às masculinas de cada florada; assim, para cada flor feminina existem de 13 a 29 flores masculinas. 
Esse experimento veio demonstrar que o aumento no número de flores femininas parece fundamental para elevar o rendimento de sementes no cultivo do pinhão manso.
A aplicação de 160 mg de Benziladenina – BA por litro de diluente na floração do pinhão manso provocou a formação de 156 flores femininas, enquanto que numa planta sem esse tratamento, o número é de apenas 15 flores.  O rendimento em número de frutos e sementes por cacho foi 4,5 vezes maior, ou seja, cada cacho gerou aproximadamente 45 frutos contra 10 de uma planta não tratada com a BA.
Veja as imagens abaixo.
Floração do pinhão manso
Frutificação do pinhão manso
As imagens do lado esquerdo (a) são de plantas que não foram tratadas com a BA e as do lado direito (b) receberam aplicação de BA.
Foi observado também que o tratamento com a BA aumentou o tamanho e o número de sementes por frutos; de 3 para 4 sementes por fruto.
Veja a imagem abaixo
Quem deseja aprofundar-se no assunto sugerimos consultar o link a seguir: http://www.springerlink.com/content/v5360wx540j671w6/
Atenção: A Empresa Bioauto, Nova Mutum-MT e BIOJAN, Janaúba-MG, já estão testando essa tecnologia no Brasil.
Caros leitores nos post seguintes vamos apresentar outros resultados de pesquisas que devem revolucionar o conhecimento acerca da cultura do pinhão manso. 
Aguardem!