terça-feira, 27 de março de 2012

Série: Como Cultivar Pinhão Manso (Silvestre) – Controle de Pragas e Doenças

Controle de plantas daninhas

O controle de plantas daninha deve ser rigoroso, principalmente no primeiro ano, evitando a competição por nutrientes que poderia resultar no estiolamento da planta do Pinhão-manso – já mencionamos esse assunto em:  O principal aspecto do pinhão manso. O coroamento dever ser de 01 metro de diâmetro em cada planta, através do uso de enxada ou roçadeiras; tendo o cuidado de não atingir o caule; uso de herbicidas somente a partir do 2º ano, momento em que as plantas daninhas poderão ser controladas na linha, com herbicida dessecante (glyphosate) e na entrelinha com roçada do mato orientada por profissional habilitado – atenção para o uso dos EPI.

Principais pragas e doenças que atacam o pinhão manso

Abaixo serão descritas as principais pragas e doenças que atacam o  pinhão manso. Importante frisar a adoção da verificação de pragas e doenças na lavoura por meio de um roteiro bem orientado – rota de vistoria, frequência e mecanismo de registro (GPS ou prancheta, tomada fotográfica e amostra de tecido – quando couber). Essa  prática deverá ser realizada por uma pessoa treinada e capacitada. Assim, em qualquer ocorrência, o defensivo específico deve ser imediatamente lançado mão prevenindo a propagação. É importante proceder aos registros fotográficos e elaborar um relatório para histórico, controle e avalização.

Tripes (Selenothrips rubrocinctus)

As ninfas e adultos sugam as de folhas completamente formadas e, principalmente, folhas jovens do primeiro terço da planta. As ninfas são amareladas, com os dois primeiros segmentos abdominais vermelhos e o trips adulto tem coloração em geral preta ou marrom escuro.
Sinais característicos: As folhas sob ataque intenso ficam com uma coloração acinzentada, ocorrendo desfolha precoce e causando a mumificação dos frutos.
O uso de adubação adequada (ver teoria da trofobiose), a melhoria da aeração das plantas, a eliminação dos restos de poda e o controle das plantas daninhas auxiliam no controle cultural do trips. O controle químico pode ser realizado com alguns princípios ativos como acefato, acetamiprid, benfuracarb, carbofuran, carbaril, cipermetrina, dimetoato, fenitrotion, paration metil, e tiometon – sugestão da Embrapa.

Cigarrinha verde (Empoasca spp.)

A cigarrinha é um inseto de coloração verde clara a verde acinzentada. Tanto as formas jovens quanto os adultos sugam a seiva das plantas jovens e injetam toxinas. Esta praga causa amarelecimento, encurvamento de folhas e abortamento de flores. Quando o ataque é intenso, as folhas ficam rugosas e caem prematuramente, comprometendo o desenvolvimento da planta. A cigarrinha verde é mais prejudicial quando o ataque ocorre durante o florescimento e produção. Além disso, algumas espécies de cigarrinha podem ser transmissoras de viroses.
As plantas devem ser monitoradas continuadamente para se ter controle eficiente deste inseto. O controle químico é mais eficiente quando se utilizam inseticidas sistêmicos. Os produtos contendo princípios ativos como aldicarbe, betaciflutrina, bifentrina, carbaril, carbofuran, carbosulfan, clorpirifós, dimetoato, disulfoton, esfenvalerate, etofenprox, fenitrotion, fenpropatrina, forate, imidacloprid, metamidofós, monocrotofós, paration metil, piridafention, terbufós, thiamethoxan e deltametrina + triazófos são registrados para o controle das cigarrinhas verdes.
Formigas Saúva (Atta sexdens rubropilosa) e Rapa-rapa (Acromyrmex landolti balzan)

As formigas apresentam cor marrom-avermelhada. A formiga saúva ou cortadeira causa desfolha e corte de brotos e ramos verdes. Já a formiga rapa-rapa alimenta-se da casca do caule, causando anelamento das plantas.

Deve-se fazer o controle de formigas antes da instalação da cultura, pois estes insetos atacam principalmente mudas recém plantadas, causando falhas no plantio. O controle químico deve ser efetuado na área de plantio, bem como em áreas vizinhas, com o uso de iscas, pós, líquidos e gases formicidas.
Cupins (Syntermes spp., Cornitermes spp., Nasutitermes spp., Procornitermes spp., Armitermes spp., Heterotermes spp.)
Os cupins apresentam coloração amarelo claro a escuro. A espécie Syntermes e Cornitermes formam ninhos subterrâneos entre a cultura. A Nasutitermes formam ninhos em árvores, postes ou em pequenos montículos sobre o solo e infestam a cultura através das vizinhanças, podendo formar ninho até mesmo no pinhão manso.
Os cupins corroem a casca das raízes das mudas e plantas adultas, matando-as por dessecação. Em plantios efetuados por semeadura direta, podem causar falhas no estande final. No controle do cupim recomenda-se arrancar toda a planta atacada, inclusive raízes, e providenciar sua retirada da área de cultivo. Deve-se aplicar cupinicida no local. O controle químico pode ser efetuado com alguns cupinicidas, como carbofuran, endosulfan, imidacloprid, terbufós, e fipronil.

Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus Banks)

O ácaro branco é uma praga que se alimenta de vários tipos de plantas (polífaga) e cosmopolita. É invisível a olho nu. As folhas atacadas pelo ácaro paralisam o crescimento. Visualmente as folhas apresentam aspecto de papel crepom (ficam enrugadas). Quando o ataque é intenso, causam encurtamento de entrenós, engrossamento de talo e superbrotamento. O controle pode ser realizado com acaricidas como abamectin, endosulfan e enxofre. Essa praga ataca massiçamente a plantação e, se não controlada, aumenta os custos de manejo (poda) e reduz substancialmente a produtividade.
Na Região de Tucuruí, Estado do Pará, o ácaro, juntamente com o percevejo, são as principais pragas do pinhão manso. A ocorrência do ácaro é mais intensa no início do período de chuvas. Daí o planejamento da aplicação do defensivo deve observar esse período, pois, durante as chuvas, o serviço pode ser perdido. Defensivo de melhor custo benefício: abamectin.
Percevejo (Pachycoris sp.)
Os adultos apresentam cor verde claro com pintas avermelhadas, ou verde-escuro com pintas alaranjadas. As ninfas e os adultos sugam os frutos imaturos, causando abortamento prematuro, má formação das sementes e redução no peso e teor de óleo.
Para o controle desses percevejos ainda são necessárias pesquisas para recomendação de produtos efetivos.

Oídio (Oidium sp.)

O Oídio caracteriza-se pela presença de uma massa semelhante a um talco, de cor branca a cinza, na forma de manchas isoladas, comumente cobrindo folhas, ramos novos e frutos. Nas folhas, as manchas brancas acizentadas podem se tornar amareladas e, posteriormente, negras. Ataques severos podem causar queda de folhas e frutos. O seu controle pode ser efetuado com enxofre ou produtos químicos específicos. Outra medida importante é o controle de plantas daninhas, particularmente Euforbiáceas, já que estas podem ser hospedeiros alternativos do oídio.

Ferrugem (Phakopsora arthuriana Buriticá & Hennen)
A ferrugem do pinhão-manso não é tão facilmente diagnosticada como a que ocorre nas demais culturas, uma vez a intensidade da infestação é bem menor comparado a outras espécies de plantas atacadas por ferrugem. Na parte de cima da folha, os sintomas caracterizam-se por pequenas pontuações necróticas, de halo amarelo, delimitados pelas nervuras. Na parte de baixo da folha, os sintomas caracterizam-se por lesões acinzentadas, de halo necrótico, com a presença de pequenas pontuações correspondentes às pústulas onde os esporos são produzidos. O controle pode ser efetuado com produtos químicos específicos, especialmente produtos a base de cobre (protetores).

Podridão do colo

A podridão do colo ocorre geralmente em áreas setoriais dos plantios de pinhão-manso com mais de um ano de idade. Já descrevemos em artigos anteriores o agente causador da doença. Outros fatores abióticos parecem influenciar na ocorrência da doença e como medida preventiva deve-se evitar o plantio de pinhão-manso em solos sujeito a enxarcamentos e bem drenados.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Exigências nutricionais do Pinhão Manso - Planta Silvestre




As pesquisas em torno da domesticação do pinhão manso vêm acontecendo em ritmo acelerado e várias progressos e conquistas expressivas já foram alcançados uma vez que a cultura apresenta vários fatores favoráveis à sua indicação para produção sustentável dos biocombustíveis, sobretudo, no fortíssimo setor da aviação comercial (nacional e internacional).
Dentre essas conquistas destacamos a identificação da exigência nutricional da planta com vista a eficiência na aplicação de corretivos e fertilizantes no seu cultivo. 
Exigência Nutricional do Pinhão Manso 
A exigência nutricional do pinhão manso (planta silvestre) já é de domínio público. 
Nesse breve artigo vamos apresentar a tabela da exigência nutricional do pinhão manso (elaborada pela Embrapa) objetivando nortear os interessados em realizar cultivo bem manejado da cultura em relação a esse aspecto agrícola e orientar pesquisadores e estudantes sobre o assunto.

Tabela da exigência nutricional do pinhão Manso
Ano de Cultivo
Produção de Sementes (g)
N
P
K
Ca
Mg
S
g / planta
100
2,92
0,57
2,07
1,16
0,53
0,09
500
14,62
2,87
10,37
5,80
2,68
0,47
2.000
58,50
11,42
41,47
23,19
10,71
1,88
4.000
117,00
22,85
82,93
46,38
21,41
3,75
Outros Micronutrientes
No artigo série como cultivar o pinhão manso descrevemos o teor de outros micronutrientes exigidos no cultivo bem manejado do pinhão manso.
Lembramos que o pinhão manso continua sendo uma cultura com potencial para a produção sustentável de biocombustível, em processo de domesticação, portanto seu cultivo em grande escala continua sendo um investimento de grande risco.
Assim sugerimos aos interessados cautela e consulta a produtores experimentados e especialistas antes de decidirem pelo desenvolvimento da atividade.
Fontes: Embrapa Agronergia, ABPPM, BIOJAN MG Agro Industria
Leia também: Teoria da trofobiose

sexta-feira, 23 de março de 2012

BOING focada em biocombustíveis para aviação




Em diversos artigos temos  alertando nossos leitores para o crescente interesse do setor da aviação comercial pelos biocombustíveis. E em meio a um mercado cada vez mais comprometido com a sustentabilidade, o pinhão manso destaca-se como uma das mais promissoras matérias prima para atender a demanda do setor por bioquerosene.
O engenheiro agrônomo da Embrapa Bruno Laviola, coordenador do projeto nacional de domesticação do pinhão manso, reforça a afirmação acima quando, em uma de suas declarações, compara que; enquanto a soja, principal matéria-prima da indústria de biodiesel no país, oferece cerca de 500 quilos de óleo por hectare, o pinhão-manso tem po­­tencial para produzir 1,5 mil quilos na mesma área.
O pesquisador fez recentemente a seguinte declaração: “Estamos trabalhando no melhoramento genético para desenvolver variedades mais produtivas e sistemas de produção que possam ser recomendados ao produtor”. 
Essas pesquisas estão focadas na determinação de melhores estratégias para poda, densidade de plantio, nutrição mineral, controle de pragas e doenças, reguladores de crescimento e colheitas.
Mais uma razão para que os agricultores brasileiros e instituições relacionadas fiquem alerta, procurem se informar melhor e estabeleçam, juntos, estratégias para aproveitar esse mega mercado, sobretudo os agricultores familiares.
Abaixo segue um artigo publicado hoje (23/03/2012) pela ONIP – Organização Nacional da Indústria do Petróleo
A Boeing Company, juntamente com a Airbus e a Embraer SA , assinaram um memorando de entendimento para trabalhar juntas no desenvolvimento de biocombustíveis de aviação drop-in e acessíveis. As três principais fabricantes de aviões concordaram em buscar oportunidades de colaboração para falar com governos, produtores de biocombustíveis e outras partes interessadas para apoiar, promover e acelerar a disponibilidade de fontes sustentáveis ​​de combustível novos para jatos.
As três empresas têm o consenso de que as maiores ameaças para a indústria da aviação são o preço do petróleo e o impacto do transporte aéreo comercial sobre o meio ambiente. Ao trabalhar com a Airbus e Embraer sobre biocombustíveis sustentáveis, a Boeing espera acelerar a disponibilidade de biocombustível de aviação.
O acordo de colaboração apóia a abordagem da indústria multifacetada para continuamente reduzir as emissões de carbono da indústria. A Boeing espera que a parceria ajude a cumprir o objetivo da União Européia, de substituição do combustível fóssil por 4% de biocombustível para a aviação até 2020.
As três empresas são membros associados do Grupo de Aviação de Combustível Sustentável , que inclui 23 companhias aéreas principais, responsáveis ​​por aproximadamente 25% do uso anual de combustível para a aviação. A Boeing e a Embraer já estão colaborando para estabelecer uma indústria de biocombustíveis sustentável da aviação no Brasil e explorar novas tecnologias para ampliar seu fornecimento e a disponibilidade.
A Boeing e a Airbus também estão ativas em todo o mundo e estão colaborando para a estruturação das cadeias de suprimentos regionais, enquanto os três fabricantes têm apoiado vôos com biocombustíveis desde quando os organismos de normalização de combustíveis globais, concederam a sua aprovação para seu uso comercial em 2011.
O foco da Boeing no mercado de aviões comerciais vem quando seu principal negócio, aviões de defesa, tem sido sombreado por um orçamento volátil, afetada pela turbulenta Zona Euro e EUA, onde existe a possibilidade crescente de redução dos orçamentos no setor de Defesa. Esta variável provocará impacto nas ordens de aeronaves e, eventualmente, poderá interferir negativamente na trajetória de crescimento das empresas fabricantes.
O catalisador positivo para a empresa é a sua forte presença nos mercados internacionais de aviação comercial, que lhe permitem capitalizar sobre o crescimento esperado no espaço comercial. A Boeing também atende a clientes internacionais e aliando-se com parceiros também internacionais buscam aumentar a eficiência através da troca de tecnologia. Além disso, seu balanço forte e fluxos de caixa consistentes com o apoio financeiro necessário para aumentar o valor dos acionistas e fazer aquisições estratégicas.
Publicado em 23 de março de 2012
Fonte: http://novosite.onip.org.br/noticias/sintese/boeing-focalizada-em-biocombustivel-para-aviacao/

A empresa JOil anuncia variedade precoce de pinhão manso que já no 1º ano produz 2 toneladas por hectare



A empresa JOil Pte. Ltd., sediada em Cingapura, especializada em pesquisa do pinhão manso e focada no desenvolvimento em cultivares de elite, anunciou ter conseguido no primeiro ano de produção mais de 2 toneladas  em seus ensaios de campo na Índia.
Atualmente, além da Índia, a empresa realiza experiências de campo na Indonésia, Filipinas e Camboja.
Veja abaixo a reportagem
CINGAPURA, 12 de Março de 2012 – A JOil (S) Pte. Ltd., desenvolvedora de uma nova geração de pinhão-manso, conseguiu no primeiro ano de cultivo produtividade de mais de 2 toneladas de grãos por hectare em seus ensaios de campo na Índia. Os resultados do cultivo em terrenos marginais no estado indiano de Tamil Nadu são um avanço expressivo em comparação com os cultivos atuais de pinhão manso que, normalmente, não produzem flores ou frutos no primeiro ano.
Dr. Hong Yan, diretor científico chefe do JOil, disse: "Nossas variedades clones (mudas) de pinhão manso (JO S1 e S2) iniciou a floração três meses após o plantio e, em cinco meses, rendeu sua primeira colheita de frutos. A maioria das plantas atuais de pinhão manso não frutificam no primeiro ano após o plantio e quaisquer rendimentos nesse estágio são insignificantes.
Dr. Hong acrescentou: "Nós colocamos as sementes JO S1 e S2, em testes em várias regiões ao redor do mundo para adaptação climática local e avaliação de desempenho de campo. Após 12 meses, conseguimos a primeira safra-ano, em duas parcelas de terreno marginal, localizados a mais de 200 km de distância, em Tamil Nadu, no sul da Índia. Dado que pinhão manso estabiliza sua produção, com rendimento máximo, em três a quatro anos, isto mostra que nossas variedades têm potencial para alcançar rendimentos superiores a cinco toneladas de grãos por hectare. Este patamar de produtividades viabiliza o cultivo sustentável do pinhão manso para a produção em larga escala comercial do biodiesel e/ou bioquerosene de aviação. "
Em resultados recentes, as variedades de pinhão manso da JOil, obtiveram produtividade de 2,4 toneladas de grãos por hectare em uma área de cultivo localizada perto da cidade de Coimbatore/Tamil Nadu/Índia. O outro ensaio, na cidade de Madurai/Tamil Nadu/Índia, a produtividade foi de 2,15 toneladas por hectare.
As duas variedades de elite de pinhão manso testadas demonstraram melhor uniformidade, aumentou o engalhamento ( auto-ramificação) e a inflorescência precoce em comparação com “variedades comerciais existentes” e os tipos selvagens (nativos) de pinhão manso plantada em condições semelhantes. Todas estas características têm contribuído para a rápida constituição e boa produtividade para o primeiro ano de cultivo.
Planos para Programa Alargado de Campo de Observação 
As mudas das variedades JO S1 e S2, juntamente com outras variedades de pinhão manso desenvolvidas pela JOil outros estão passando por testes de campo em um número de lugares em toda a Ásia. Existem planos para um programa alargado que irá incluir localidades africanas.
Atualmente os experimentos são realizados pelas equipes da JOil em dois estados da Índia e no oeste de Java. A Toyota Tsusho, parceira da JOil, realiza ensaios nas Filipinas e Camboja.
Dr. Srinivasan Ramachandran, Diretor de Tecnologia da JOil disse: "Em todos esses ensaios, conduzidos pela JOil e cultivando clones de pinhão manso de elite, têm demonstrado um excelente crescimento, uniformidade de floração e frutificação precoces. Estamos embarcando em um programa vasto de pesquisa de campo objetivando  avaliar o comportamento de nossas variedades de elite para os climas do Quênia, Tanzânia, Egito, China, Malásia e Vietnã. Assim, as diferentes localizações dos ensaios nos ajudarão a avaliar o desempenho das nossas variedades de elite e ajudar a identificar quais funcionam melhor nos diversos ambientes agro-climáticos."
JOil está continuamente empenhada em melhorar o pinhão manso através do melhoramento, cultura de tecidos e modificação genética para alcançar maior produtividade em grãos e rendimento de óleo. Na Conferência Insula / RSB em dezembro do ano passado, o Dr. Hong Yan, anunciou que os esforços JOil sobre melhoria do pinhão manso, através da aplicação da biotecnologia permitirá triplicar a produtividade ao longo dos próximos sete a oito anos baseando-se em um rendimento atual de 03 toneladas de grãos por hectare.
Lembramos aos nossos leitores que a reportagem carece informações complementares sobre o manejo e condições climáticas na condução dos ensaios, dentre elas estacamos: condições hídricas, fertilização e defensivos.
Em relação ao comentário da reportagem: “cultivos atuais de pinhão manso, normalmente, não produzem flores ou frutos no primeiro ano”, afirmamos que no Brasil essa informação não procede. Todos os plantios que conhecemos desenvolvidos nas diversas regiões brasileiras, que no plantio foi observado o calendário agrícola local e atendido à exigência nutricional da planta, a frutificação se deu no primeiro semestre; independente se a forma de plantio foi por sementes ou mudas, irrigado ou de sequeiro.
Como a maturação dos frutos ocorre após 90 dias da floração, conclui-se que todas essas plantações geraram sementes já no primeiro ano.
Entretanto, a diferença está produtividade média dessas plantações que não superaram 0,3 toneladas por hectares no primeiro ano de cultivo.
Maiores informações sobre o assunto; colocamo-nos à disposição dos nossos leitores.
Contato:
Mauro Martins

quinta-feira, 22 de março de 2012

Empresa introduz cultivo de pinhão manso atóxico no norte de Moçambique



A Agronegócio, uma empresa baseada na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique vai introduzir, ainda no presente semestre, naquela região do país, a planta de pinhão manso atóxica.
Está sendo preparados em Bilibiza, distrito de Quissanga, em Cabo Delgado, quinze hectares para o cruzamento da pinhão manso tóxica que abunda no país e uma outra atóxica importada das Filipinas, numa parceria entre a Agronegócio e a empresa japonesa “Nippon Biodiesel Fuel Co., Ltd”.
Espera-se que até ao final do presente ano sejam distribuídas, a dez mil pequenos agricultores, cerca de três milhões de mudas de pinhão manso atóxico.
Bachir Afonso, da Agronegócio, disse que com a pinhão manso não tóxica pretende-se garantir não só a produção de biocombustíveis, mas também o uso da torta do pinhão manso para a produção de rações para animais e o respectivo óleo para a fabricação de sabões em grande escala.
Há também planos de usar o bagaço para a produção de um tipo de carvão vegetal, de forma a minimizar o desmatamento de áreas nativas realizadas pelos pequenos agricultores moçambiquenhos que desenvolvem essa atividade.
Atualmente, os pequenos agricultores são orientados a usarem o sabão que fabricam, a partir do óleo de pinhão manso tóxica, apenas para as limpezas, incluindo a lavagem de roupas. Um exemplo disso vem da Aldeia de Ngewe, distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado. Naquela região, como em várias outras daquela província, o óleo de pinhão manso, que ainda é extraído artesanalmente, é também usado para a iluminação.
Por outro lado, a Agronegócio espera desenvolver uma experiência da vizinha Tanzânia de produção de repelentes de mosquitos a partir do óleo de pinhão manso.
Afonso referiu que com o pinhão manso atóxico agregar-se mais valor à atividade mas, declarou, que mesmo com a planta tóxica “há muita coisa boa que pode ser feita”, nomeadamente a produção de biocombustiveis, uma energia considerada positiva por reduzir os níveis de emissões do dióxido de carbono, para além de ser uma energia renovável.
No âmbito da parceria com o Japão, a Agronegócio vai receber, “brevemente”, um novo equipamento para extração do óleo de pinhão manso, importado daquele país asiático.
O maquinário terá capacidade para produzir duas toneladas de óleo de pinhão manso por dia e vai ser implantado em Bilibiza, distrito de Quissanga.
“Será mais um grande passo na produção do biodiesel, biogás, e bagaço”, disse Bachir Afonso.
Fonte: http://www.interjornal.com.br/noticia.kmf?cod=13044784
Desmistificando o assunto
Os genótipos atóxicos silvestres (nativos) presentes na América Central possuem baixa produtividade em sementes e apresentam a mesma sensibilidade a doenças que os genótipos tóxicos. 
Experimentos realizados por renomados pesquisadores brasileiros com o cruzamento de genótipos atóxicos com os tóxicos resultaram em plantas que produziram sementes tóxicas. 
Até o que sabemos, no estágio atual de pesquisa sobre o assunto, não existe relato de cruzamento dos genótipos atóxico com tóxico gerando filhas que produzem sementes atóxicas.
Acreditamos que o gene para determinar a toxidez na semente de pinhão manso seja dominante.
A Embrapa Agroenergia desenvolve P&D em várias vertentes de pesquisa sobre a cultura do pinhão manso e uma delas está direcionada para obtenção de genótipos de pinhão manso atóxicos  mais produtivos.
A tendência para o futuro, com os avanços em P&D, é que se obtenham variedades com alto desempenho produtivo agregando valor à cadeia produtiva com a destinação da torta do pinhão manso para ração animal.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Série: Cultivo do Pinhão Manso (Indicado para Cultivo de Plantas Silvestres)


Seleção da Área para Cultivo do Pinhão Manso

Os plantios podem ser feitos em áreas com topografias planas a inclinadas, devendo-se evitar áreas sujeitas a alagamentos ou encharcamentos, bem como áreas sujeitas à ação prolongada de ventos, ou seja, solo com boa drenagem.
Focando no conceito da agricultura de precisão sugere-se a análise de solo para melhor eficiência na indicação dos macros e micronutrientes indicados para atender as exigências nutricionais da cultura.

Amostra do Solo

Uma vez definida a área, realizar a retirada de amostras de solo submetendo as mesmas à análise laboratorial da composição química e biológica, para nortear as  recomendações de calagem para correção do pH, de adubação para suprir eventuais necessidades de micro e macronutrientes, de tratamento antifungos e bactérias. Esta primeira análise do solo servirá como importante registro histórico do uso do solo base para o manejo e monitoramento do cultivo.
Sistemática para a Coleta do Solo
Modo de Deve-se coletar na projeção da copa, caminhando em zig-zag. O tipo de processo usado e a orientação do técnico indicará o melhor sistema de coleta. As amostragens do pinhão manso devem ser realizadas nas profundidades de: 0-20 cm, 20-40 cm e 40-60 cm, realizando as seguintes análises:
  • Matéria orgânica
  • pH, Al, SB, CTC, V
  • Macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S)
  • Micronutrientes (B, Cu, Zn, Mn, Fe)
Etiquetar a amostra, com as informações inerentes, tais como: local, data e hora da coleta e nome do coletor.

Preparo do Solo

Sugere-se o plantio direto, via sementes, para as áreas extensas.
No caso de pequenas áreas o plantio indireto, via mudas, é o mais seguro por se tratar o pinhão manso de é uma planta perene (frutífera). Sugere-se o coveamento com covas de tamanho mínimo de 30x30x30 cm/cada. A área deverá ser conduzida limpa, com o coroamento em torno de cada planta evitando assim a competição com plantas daninhas, pastagens ou outra vegetação predominante na área, sendo que o coroamento dever ser feito com diâmetro de 1 metro de cada planta.
Conforme já mencionamos em artigos anteriores, o pinhão manso é uma planta pioneira e, portanto, não suporta competição com plantas daninhas. Assim o  coroamento deve ser conduzido anualmente, mantendo as plantas em áreas limpas.

Calagem

Implantado o cultivo por coveamento a calagem será feita com uso direto do calcário na cova, aplicando-se 300 gramas de calcário por cova. Do total, cerca de 100 gramas serão lançados dentro e nas paredes laterais de cada cova e as 200 gramas restantes serão misturadas de forma homogênea na terra que será retirada na abertura das covas.
Após o primeiro ano de plantio, a calagem deverá ser realizada em superfície e a dose recomendada em função do resultado da análise química do solo na profundidade de 0-20 cm, elevando-se a saturação por bases a 60% (Recomendação da Embrapa).

Produção de Mudas

Implantação do Viveiro

Sugerimos a produção das mudas em sacos de polietileno para mudas de tamanho 17cm x 28cm.
As sementes devem ser de boa procedência, preferencialmente originária da região (melhor adaptadas ao clima), com bom padrão sanitário (selecionadas) e de produtor conhecido. As sementes serão depositadas diretamente nos saquinhos, semeando-se uma por sacola. Atentar para o correto posicionamento da semente no substrato da sacola – profundidade de 2 cm.
Lembre-se que da semeadura em sacola até o transplantio no campo são demandados de 40-50 dias, assim a programação de produção das mudas deve estar casada com o preparo da área e covas no local do plantio definitivo, evitando-se estiolamento das mudas e a deformação da raiz pivotante (efeito J) ainda nos viveiros. De qualquer forma, no momento do plantio o fundo da sacola deve ser cortado com ferramenta (faca) bem afiada (eliminação de aproximadamente 1,5 a 2 cm do fundo da sacola/muda).
A produção de mudas dever ser a pleno sol, com irrigação constante nos primeiros quinze dias (pela manhã e à tarde), uma vez ao dia nos 15 dias subseqüentes e dia sim, dia não a partir de 35 dias até o momento do transplantio.
Para a produção de mudas em sacolas deverá ser utilizado o seguinte substrato (para 1.000 mudas):
  • 700 litros de terra de subsolo peneirada
  • 300 litros de esterco de curral curtido
  • 05 quilos de adubo superfosfato simples
  • 2 quilos de calcário dolomítico
  • 0,5 quilo de cloreto de potássio
Observação: Recomendação da Embrapa Agroenergia
Estes itens devem ser misturados de forma homogênea e o substrato resultante desta mistura utilizado para o enchimento dos sacos. 
No período inicial é importante o monitoramento do viveiro quanto à ocorrência de doenças e pragas. Visando precaver a ocorrência de doenças e plantas daninhas, fumigar o substrato com gastoxin ou similar, e após a semeadura nos sacos, pulverizar com monceren (100 ml para cada 100 litros de água) para evitar tombadeira.

Adubação de Plantio e Cobertura

O solo da cova de plantio deve conter elevado teor de nutrientes, pois na fase de muda o sistema radicular do pinhão-manso apresenta baixa eficiência de absorção dos nutrientes aplicados ao solo.
Na cova de plantio recomenda-se aplicar:
  • 10 litros de esterco de curral;
  • 300 gramas de calcário;
  • 400 gramas de superfosfato simples.
A terra para preenchimento da cova deve ser retirada, preferencialmente, da camada superficial do solo, que possui maior fertilidade natural do que a terra retirada em profundidade da cova. O calcário, o adubo orgânico e os fertilizantes devem ser bem misturados com a terra da cova de plantio.
Após o pegamento das mudas deve-se iniciar as adubações de cobertura, seguindo a recomendação abaixo:
Recomendação da adubação de cobertura para pinhão-manso de acordo com os dias após o plantio (DAP)
Dias após o plantio
gramas/planta
Formulado
30
30
20-00-20
60
60
20-00-20
90
80
20-00-20

Adubação de Produção

A cada ano, em função das análises químicas de solos, as plantas receberão adubação de produção com formulado 20-10-20 (NPK), bem como adubação com esterco de curral ou cama de frango. A experiência recomenda usar como referência para o  cálculo de uso dos fertilizantes, nas adubações de cobertura, a média a recomendação na tabela a seguir; observando o calendário agrícola da região.
Idade da Planta
gramas/planta
Formulado
1 a 2 anos
300
20-10-20
3 a 4 anos
450
20-10-20
4 a 5 anos*
600 - 750
20-10-20
* A partir do 5º ano de cultivo, seguir a recomendação de adubação para o 4º ano
A dose total de fertilizante recomendada para o calendário agrícola deve ser parcelada em três aplicações nos meses de novembro, janeiro e março.
Sugere-se também adoção da adubações com esterco de curral (10 litros/planta) ou cama de frango (03 litros/planta) em complemento à adubação química e promoção da melhoria na textura do solo.
Deve-se realizar, a partir do primeiro ano após a implantação da cultura, adubação foliar com uso da seguinte calda (gramas/100 litros de água):
  • Ácido bórico - 200 gramas
  • Sulfato de zinco - 200 gramas
  • Cloreto de potássio - 200 gramas
  • Sulfato de cobre - 200 gramas
  • Enxofre - 200 gramas
Observação: Sugestão da Embrapa Agroenergia
Esta adubação foliar dever ser realizada em duas aplicações ao ano, nos meses de novembro e fevereiro.