terça-feira, 24 de abril de 2012

Série Como cultivar pinhão manso: Controle da podridão de raiz


A podridão de raiz em pinhão manso é uma doença causada pelo fungo Lasiodiplodia theobromae. Ela provoca o tombamento e morte da planta. Sendo o pinhão manso uma cultura de ciclo longo, a podridão de raiz provoca sérios profundos numa lavoura/pomar. O principal aspecto de manifestação dessa doença nas plantas atacadas é a presença de um alo de necrose (com aproximadamente 10 cm de espessura), localizado na porção do caule logo acima do solo. A doença, frequentemente, ataca plantas acima de 1 ano de plantio e é percebida com o murchamento e amarelamento das folhas, seguido de desfolha e seca progressiva dos ramos, culminando com a queda da planta. Se a doença manifestar no período de chuvas, é comum ocorrer o brotamento da planta tombada. A doença se manifesta em áreas localizadas numa plantação (reboleiras) e, se não controlada, vai se espalhando, podendo dizimar a lavoura/poma.  
A podridão de raiz é uma doença que pode provocar sérios prejuízos numa plantação de pinhão manso por ser uma planta de ciclo longo (perene). Portanto, a morte de uma planta compromete o ciclo de desenvolvimento do pomar provocando queda permanente na produtividade, exigindo do produtor substituição da planta adulta por uma jovem.
O controle dessa doença pode ser por meio do manejo adequado da planta –
principalmente, com nutrição balanceada – biológico e químico.
Controle com manejo adequado da planta
No nosso artigo Teoria daTrofobiose destacamos que a aplicação dessa teoria no cultivo do pinhão manso pode ser uma alternativa para reduzir a incidência dessa praga por meio da nutrição balanceada, ou seja, aumentando a resistência da planta com fornecimento dos nutrientes essenciais nos seus diferentes estágios de crescimento e desenvolvimento.
Em  Janaúba-Minas Gerais, a empresa BIOJAN vem aplicando a teoria da trofobiose nos seus cultivos com ótimos resultados. Os pesquisadores da BIOJAN esclarecem que o fungo causador da doença é um habitante natural do solo e ele só provoca a doença em condições especiais e a deficiência nutricional é a principal vetor de entrada do fungo e instalação da doença.
Controle biológico
O controle biológico para o fungo pode ser com desenvolvimento de cultivares resistentes a essa praga ou pelo controle do número desses microorganismos presentes no solo por meio de predadores inimigos naturais. Existem pesquisadores em diversas fretes trabalhando com a engenharia genética e na identificação dos inimigos naturais do fungo para essa finalidade.
Controle químico
O controle químico para o fungo Lasiodiplodia theobromae vem sendo testado por meio da aplicação defensivos já adotados em outras culturas onde esse patógeno provoca doenças, dentre elas, a manga (podridão peduncular), mamona, seringueira e outras.
Na manga, experimentos com fungicidas comprovaram que a associação dos princípios ativos difenoconazole, azoxistrobina acrescidos de nonifenol etoxilado, clorotalonil e propiconazole, em diferentes dosagens, apresentou valor de controle da enfermidade superior aos 78%, quando comparado com a testemunha – Fonte: Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 31, n. 3, p. 907-910, Setembro 2009.
As ciências agronômicas têm demonstrado que a melhor forma de controle é o desenvolvimento de plantas resistentes aos patógenos por meio do melhoramento genético – plantas transgênicas.
Enquanto essa tecnologia não acontece na cultura do pinhão manso resta-nos contar com o manejo adequado e integrado para controle L.  theobromae associado ao controle biológico (quando identificar um inimigo natural) e químico (quando indicado). 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

IAC tem meta para lançar variedade de pinhão manso em 2015



Em sua busca por óleos vegetais alternativos utilizados para produzir biodiesel, cientistas brasileiros buscam acelerar o desenvolvimento de cultivar de pinhão manso (Jatropha curcas) de alto desempenho e viabilizar cultivos comerciais objetivando substituir a soja: oleaginosa da cadeia alimentar que responde por mais de 80% da fonte de matéria prima usada na produção do biodiesel brasileiro. 
Utilizamos deste artigo para destacar aos nossos leitores que as pesquisas em torno do domínio sobre a cultura do pinhão manso segue a passos largos e vários institutos de pesquisas disputam que sairá na frente nesta corrida pelo lançamento de cultivar de alto desempenho.
Abaixo descrevemos um artigo publicado pelo IAC que trata desse assunto e entre outros.
É sabido que o pinhão manso contêm 33% a 40% de óleo na semente e  este óleo é de alta qualidade muito alta para produzir biodiesel. Em comparação ao teor de óleo contido no grão de soja (15% a 18%) o ganho em produtividade por hectare supera 100%. Daí a razão do empenho dos pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) no estado de São Paulo. Eles têm um plano de lançar uma nova variedade de pinhão manso em 2015 que seria adequado para produção em larga escala em todo o Brasil. 
Pesquisas do IAC, em parceria com a Petrobrás, envolvem a obtenção de variedade com menor porte, atóxica e frutos de maturação uniforme, além do desenvolvimento de tecnologia para o manejo da cultura. Por se tratar de planta perene, programas convencionais de melhoramento dessa espécie poderão durar anos até a obtenção de uma cultivar. Por isso, as pesquisas em andamento, envolvem o uso de ferramentas biotecnológicas visando acelerar esse processo.
O pinhão-manso pode ser cultivado em qualquer tipo de solo e se adapta tanto em clima seco, quanto em úmido, podendo ser produzido do sudeste ao nordeste do País. Pode se adaptar a solos marginais, onde outras culturas não se adequam. A planta é considerada bastante resistente à seca, mas apesar disso tem seu nível de produtividade afetado pela distribuição irregular de chuvas ou pela ação prolongada de ventos na época do florescimento.
Outra vantagem da planta é que não compete com a produção de alimentos, já que, nos dois primeiros anos, pode conviver entre fileiras de culturas alimentícias de ciclo anual, visando à redução dos custos de implantação do pinhão-manso e servindo como fonte adicional de remuneração ao produtor, até que a sua produção se estabilize. Suas flores atraem abelhas e, intercalada com girassol, apresenta elevado potencial de produção de mel. Seus coprodutos são utilizados para produção de glicerina, adubos e, se detoxificados, podem ser usados na alimentação animal. O início de sua produção é aos seis meses e estende-se até os 40 anos.
Entrentanto, as variedades disponíveis hoje não foram além das usadas para a produção doméstica, mas isso está prestes a mudar. Os cientistas querem modificar a planta de várias formas, incluindo a sua altura. A altura natural da planta é de 5-6 metros, mas os pesquisadores planejam produzir uma variedade que não é mais que um metro e meio de altura para facilitar a colheita mecânica.
Outra característica à ser modificada é que todas as frutas devem tornar-se maduras ao mesmo tempo, também para facilitar a colheita mecânica. Atualmente a planta e sementes são venenosas, mas os pesquisadores acham que será capaz de eliminar as toxinas da semente de modo que o resíduo que sobra depois que o óleo foi extraído possa ser usado na alimentação animal. Eles também tentarão incorporar maior resistência contra pragas e doenças nessa nova variedade. 
Em cultivos experimentais conduzidos no Estado do Mato Grosso, os investigadores estão adotando duas abordagens diferentes para atingir seu objetivo. Uma abordagem é usar alguma variabilidade hereditária encontrada em variedades existentes da planta para desenvolver a nova variedade com mais características desejáveis. A outra abordagem é identificar se as características desejáveis, tais como a tolerância ao frio ou a escassez de água já existentes em espécies selvagens da planta e, em seguida, as incorporar nessa nova variedade.
Nas áreas tropicais mais quentes da América Central e do Sul, as flores da planta dão frutos duas vezes por ano, mas no sul do Brasil, só uma vez. Os pesquisadores acreditam que a planta pode ser cultivada por pequenos, médios ou grandes agricultores, mas apenas uma grande escala de produção poderia justificar a construção de uma usina de biodiesel. Técnicas utilizadas para a produção de mamona também podem ser usadas para produzir pinhão manso.
As sementes podem ser armazenadas por longos períodos de tempo sem qualquer deterioração do óleo e uma vez que ele não é comestível, e evitaria a questão: alimento X combustível, que é constantemente levantada com o etanol de milho e biodiesel à base de soja. O debate “alimentosXcombustíveis” pode também manter outras alternativas potenciais, tais como óleo de palma, óleo de amendoim e óleo de semente de algodão, sempre que a produção alcançar larga escala. O Pinhão Manso seria unicamente cultivado para produção de biodiesel.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pesquisa avalia qualidade do pinhão manso como forrageira



Experimento testou o pinhão manso como forrageira na alimentação de ruminantes. Veja abaixo mais detalhes.
Análises de folhas de pinhão manso cultivados em condições irrigadas e em sequeiro encontraram valores de proteína bruta ao redor de 14,5% e disgestibilidade de 55%. Estes índices são próximos aos encontrados em plantas de média e boa qualidade forrageira. Os testes foram realizados no Laboratório de Nutrição Animal da Embrapa Semiárido.
Os pesquisadores da Embrapa, que já estudam as propriedades oleaginosas da espécie e o sistema produtivo adequado à introdução da planta no programa brasileiro de biocombustíveis, avaliam qualidades forrageiras para viabilizar sua introdução pelos agricultores familiares do semiárido. Se viabilizarmos estas duas aptidões do pinhão manso damos um passo importante para consolidar uma alternativa econômica sustentável para os pequenos agricultores da região, afirma o pesquisador José Barbosa dos Anjos, da Embrapa Semiárido.
Domesticação – Apesar dos resultados animadores, o pinhão manso ainda carece de informações agronômicas consistentes para o seu cultivo em escala comercial. Em todo o planeta, a espécie está em vias de domesticação. Dados sobre produtividade, manejo de pragas e doenças, podas e espaçamento entre plantas, praticamente não existem na literatura técnico-científica. Por isto, ainda não é recomendado o seu uso forrageiro: a planta apresenta princípios tóxicos que ainda não foram dosados em condições brasileiras. Eles vão ser os próximos alvos de estudos, explica o pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, da Embrapa Semiárido.
No ensaio piloto conduzido no Laboratório de Nutrição Animal com ovinos foi constatado que, em conseqüência da elevada acidez no látex (pH variando entre 2,0 e 3,0), as folhas verdes de pinhão manso não são ingeridas pelos animais. Contudo, quando processadas e submetidas ao processo de secagem ao sol (fenação), os animais consumiram sem dificuldade. No entanto, Luiz Gustavo aponta a necessidade de estudos mais aprofundados e detalhados para avaliação de consumo, desempenho, digestibilidade e impactos no metabolismo e saúde dos animais. Em outros países, já foram identificados na planta do pinhão manso a presença de fatores cancerígenos, anti-tripicínicos, alergênicos, e tóxicos (curcina).
Diversificação – Tão importante quanto a necessidade de pesquisas, José Barbosa dos Anjos considera fundamental estabelecer uma estratégia de exploração para o pinhão manso. Nas áreas de sequeiro do semiárido, o cultivo comercial de pinhão manso precisa ser estimulado não como monocultivo, mas alternativa para ampliar a diversificação dos seus sistemas agrícolas.
A continuar os bons resultados alcançados pelas pesquisas até o momento, Barbosa considera a possibilidade do plantio consorciado com capim buffel. Na área semi-árida do Nordeste, existem cerca de 400 mil ha cultivados com este capim. Como os animais não consomem as folhas verdes do pinhão manso, este pode ser uma opção estratégica para plantio nas terras cultivadas com o buffel, defende Barbosa.
Fonte: Embrapa Semiárido Nordeste

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Controle biológico de pragas por meio de microrganismos geneticamente modificados: alternativa que pesquisadores buscam para o pinhão manso


A aplicação da biotecnologia no controle de pragas vem sendo aplicado também na produção do pinhão manso. Transcrevemos abaixo um artigo publicado pelo site “Ambiente Brasilobjetivando nortear nossos leitores  no melhor entendimento sobre o assunto e auxiliando-os na compreensão de artigos anteriores publicados neste blog.
O interesse pelo controle biotecnológico tem crescido consideravelmente no mundo, em resposta aos problemas encontrados pelo uso dos agrotóxicos em larga escala na produção agrícola. A biotecnologia é uma área de biociência aplicada e tecnológica que envolve as aplicações práticas dos organismos biológicos, de seus componentes celulares para a manufatura e produtos industriais e para o manejo ambiental. A biotecnologia e suas novas ferramentas de manipulação e transferência gênica permite o desenvolvimento de plantas e animais modificados com grande diversidade de atributos.
Clonagem de plantas auxilia na redução do uso de agrotóxicos
O cultivo de plantas in vitro é uma técnica que permite a produção de plantas mais uniformes, sadias e a uma velocidade muito maior do que os métodos convencionais, sem contar que é muito mais fácil a produção em laboratório, onde as plantas ficam protegidas do ataque de pragas, doenças e intempéries.
Uma grande tendência é o uso de organismos geneticamente modificados (OGM) no controle de pragas. O uso desta tecnologia contudo poderá provocar efeitos na conservação e na utilização da biodiversidade. No entanto problemas em pesquisa agropecuária são freqüentemente difíceis e complexos e requerem intensos estudos por longos períodos. Microrganismos geneticamente modificados (MGM) apresentam potencial econômico considerável na medida em que podem reduzir o uso de agrotóxicos e aumentar a produção agrícola, tornando o microrganismo por exemplo capaz de melhor colonizar a rizosfera, melhorar a estrutura do solo, biorremediar solos contaminados, ou outra função de interesse. Assim, um MGM deve ser capaz de competir e se estabelecer no ambiente e também de expressar a característica introduzida com eficiência.
Dois enfoques sobre a avaliação de risco ambiental e humano decorrente de organismos geneticamente modificados estão em discussão: um enfoque está restrito ao estado atual do conhecimento o qual tende a não considerar os riscos hipotéticos de tal forma, que os riscos decorrentes da biotecnologia genética são relativizados quando comparados aos riscos inerentes ao melhoramento genético convencional; o outro enfoque está baseado em incertezas considerando os riscos hipotéticos, desde que criteriosamente formulados, o qual assume que o estado atual do conhecimento é a base imprescindível, porém insuficiente, para realizar prognósticos dos efeitos ambientais consequentes do uso desta nova tecnologia.
Nesse sentido, a avaliação e o estabelecimento de métodos para o estudo de impacto ambiental de MGM são de grande valia e importância uma vez que as ações voltadas para a segurança ambiental devem procurar promover a preservação da biodiversidade, a manutenção dos ecossistemas e os respectivos padrões de sustentabilidade requeridos. O estudo do risco da liberação de um determinado MGM em um determinado ambiente requer um mapeamento simultâneo das características do caso nas várias fases de estudo que são interdependentes e devem poder acomodar facilmente os avanços do conhecimento.
A avaliação de cada organismo deve ser estabelecida caso a caso, monitorando as preocupações quanto a biossegurança ambiental específica, sendo que o propósito e função do novo gene incorporado devem ser levados em consideração no desenho do novo estudo. Assim, uma melhor compreensão da interação entre organismos transgênicos e ecossistemas torna-se possível por parte da população e dos órgãos regulamentadores, para assegurar decisões que tenham eco na comunidade no que tange ao ambiente. As liberações planejadas de MGM têm sido, na sua maioria, de microrganismos para controle biológico de pragas, ou seja, que não possuem potencial patogênico para o homem.
Antes da liberação de um MGM no ambiente, critérios de segurança ambiental devem ser considerados, como entre outros: sobrevivência; dispersão; possibilidade de interações com outras espécies. A avaliação de impacto ambiental de MGM deve incluir vários itens, como a transferência de genes para outras populações microbianas do ambiente, rearranjos genéticos, fluxo gênico. A avaliação de risco de MGM leva também em conta o potencial patogênico do microrganismo ao homem, a outros animais e/ou às plantas.
É necessário observar se a introdução dos genes não leva a uma vantagem ocasionando uma pressão seletiva ou a um prejuízo metabólico na competição com outros microrganismos. A liberação não deve ocorrer quando o gene introduzido está envolvido em produção de toxinas e/ou processos patogênicos de organismos benéficos ou não-alvo. O seu transporte no solo é considerado limitado. Porém, o vento, animais e principalmente a água devido a percolação têm maior potencial para ocasionar possíveis impactos ambientais.
Um dos requerimentos essenciais da avaliação de risco de um MGM é a sua detecção no ambiente e muito esforço tem sido dado para o desenvolvimento de métodos que possam, com segurança, detectar e enumerar o microrganismo em diferentes micro-habitats. Métodos tradicionais, como o plaqueamento de células em meios seletivos e técnicas que empregam anticorpos fluorescentes, são ainda usados mas não são tão sensíveis. Alternativamente, têm-se desenvolvido genes marcadores chamados “genes repórteres” que tornam os MGM capazes de utilizar substratos específicos. O modo mais simples de controlar o destino de MGM é limitar sua sobrevivência. Recentemente, têm-se desenvolvidos sistemas de contenção de MGM, baseados na clonagem de genes que codificam proteínas tóxicas, permitindo o controle da morte celular em tempo pré-determinado.
Durante a avaliação da adoção dos MGM para estabelecer o impacto da adoção da biotecnologia na forma que esta afeta a estrutura e desempenho do setor agrícola, devem ser também monitorados os avanços na metodologia da avaliação de risco ambiental bem como da regulamentação para uma tomada de decisão mais realista e aprimoramento do próprio sistema de avaliação. A avaliação do risco de introdução dos microrganismos alterados geneticamente requer pesquisa interdisciplinar em vista da complexidade das possíveis consequências de sua introdução no ambiente. O estabelecimento de populações de microrganismos alterados geneticamente no ambiente pode ser afetado pela frequência de introdução, estação, condições ambientais e o método de introdução. O estudo do risco da liberação de um determinado microrganismo modificado geneticamente em um determinado ambiente deve portanto poder acomodar facilmente os avanços do conhecimento.
Desta forma, com os recursos da engenharia genética têm sido criados microrganismos entomopatogênicos geneticamente modificados, que apresentam características adicionais àquelas dos patógenos não modificados, dentre essas diferenças, estão a maior potência e a maior rapidez de ação sobre os organismos - alvo. Alguns dos efeitos adversos presumíveis como consequência da liberação de um destes MGMs são os danos diretos e indiretos sobre organismos benéficos não visados da comunidade local.
A lagarta da soja, Anticarsia gemmatalis, é a principal praga da cultura de soja no Brasil. Assim é que o baculovirus sendo um parasita obrigatório que só se multiplica no interior do organismo do hospedeiro, sendo incapaz de multiplicar fora dele, é considerado bastante seguro para ser modificado geneticamente, já que não apresenta risco de escape, invasão e multiplicação fora do ambiente de liberação. Se esses vírus recombinantes são reconhecidamente mais agressivos que os selvagens, surgem algumas preocupações quanto ao seu impacto sobre os organismos não-alvo, quanto à possibilidade de transferência dos genes inseridos para baculovirus de outras espécies de insetos; bem como a sua segurança em relação a outros organismos benéficos não-alvo. Por outro lado, porém, haveria uma menor dispersão dos poliedros por auto-disseminação de parasitas e predadores, uma vez que a inativação do gene egt inativado, acelera a morte. Há, portanto, menos tempo deste se replicar; e consequentemente há uma menor produção de poliedros.
Embora os baculovírus estejam sendo utilizados com grande sucesso em várias partes do mundo, o seu uso ainda é muito pequeno. As razões pelo pequeno interesse no seu uso em grande escala para o controle de pragas podem estar relacionadas com o seu uso comercial como os altos custos para o registro desses vírus, a produção em grande escala devido ao alto custo da mão de obra, entre outros.
A principal desvantagem dos baculovírus como bio - inseticida é o longo período entre a infecção e a morte do inseto alvo (4-14 dias), permitindo que o inseto ainda cause dano à lavoura antes de sua morte. Efetuando-se a simples inativação de um gene não-essencial para a replicação viral (egt) obtém-se um vírus mais patogênico, que inibe a muda do inseto. Insetos infectados com o vírus selvagem são inibidos no processo de muda e continuam se alimentando durante o período da infecção. A quantidade de alimento consumida por um inseto infectado é quase duas vezes a quantidade consumida pelo inseto não infectado. Entretanto, um inseto infectado, com um vírus alterado geneticamente com uma deleção ou inativação no gene egt, consome a mesma quantidade de alimento de um inseto não infectado e além do mais morre mais cedo. Como o vírus modificado, contendo o gene egt inativo, acelera a morte, há menos tempo deste se replicar. Em meados da década de 90, esse vírus alterado foi aprovado nos Estados Unidos pela “U.S. Environmental Protection Agency” para ser utilizado no campo em caráter experimental.
Os baculovirus sofreram vários testes de segurança, indicando serem inofensivos a micoorganismos, outros invertebrados não-insetos, vertebrados e plantas. Por exemplo, na natureza existem diversas espécies de baculovirus que infectam organismos aquáticos, em particular crustáceos. A maioria dos estudos realizados para se avaliar o risco de espécies de Baculovirus usados na agricultura não tem demonstrado resultados significativos que expressem efeitos deletérios em organismos aquáticos não alvo.
Já em relação à saúde humana, os biopesticidas de origem viral devem ser avaliados quanto a prováveis danos devido a possibilidade de sua replicação no organismo. Os primeiros estudos realizados no início da década de 80 sugeriam que o vírus selvagem pudesse se replicar em células de vertebrados. Tais resultados não puderam ser posteriormente reproduzidos em células de vertebrados na década de 80. O vírus não é capaz de expressar a maioria de seus genes e, desta forma, é incapaz de se replicar eficientemente nas células de mamíferos.
Atualmente, além de bioinseticidas, os baculovírus estão sendo utilizados como vetores de expressão de genes heterólogos. Uma grande variedade de proteínas de importância na medicina e na agricultura foram expressas, com níveis elevados, em células de insetos usando baculovírus como vetores de expressão de forma experimental. O seu uso como vetor viral para a transferência genética, tem sido estudado em várias situações como na terapia genética. Acredita-se porém que o vírus não é patogênico para seres humanos e portanto não haveria resposta imune a sua exposição. Alguns experimentos in vivo verificaram que o vírus é rapidamente inativado pelo organismo.
Por fim, ao lado das prováveis vantagens ecológicas no uso dos MGM na agricultura, existe também uma vantagem econômica de redução dos custos, quando comparado ao largo uso de agroquímicos; que muitas vezes ocasionam impactos prejudiciais ao ambiente. Desta forma, se faz necessário o estabelecimento de uma política nacional que amplie as pesquisas nesta área.
Para mais informações sugerimos pesquisar na Embrapa Meio Ambiente 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Embrapa Semiárido quadruplica a produtividade do pinhão manso a partir do 6º mês de cultivo



Pesquisa de melhoramento do pinhão manso, conduzida pela  Embrapa Semiárido, alcançou produtividade de 01 tonelada de grãos a partir do 6º mês em cultivo irrigado.
Veja abaixo trechos do artigo divulgado pela própria empresa.
O pinhão manso é encontrado em vários países sob as mais variadas condições ambientais. Algumas características já identificadas, como o longo ciclo produtivo, animam os pesquisadores a agilizarem os estudos que visam domesticar a planta. Em testes experimentais realizados no campo experimental da Embrapa, em Petrolina-PE, para avaliar o desempenho produtivo, o pesquisador Marcos Drumond colheu cerca de 1.000 kg de sementes por hectare com irrigação semanal a partir do sexto mês de cultivo. Sob plantio de sequeiro, a colheita foi de 250 kg de sementes por hectare. Embora sejam resultados do primeiro ano de plantio, estas quantidades mostram quanto é promissor o cultivo desta espécie oleaginosa, afirma.
Outras informações
Na Embrapa Semiárido são realizados estudos para eliminar toxicidade de tortas e farelos de pinhão manso, assim como da viabilidade de utilização por diferentes espécies animais (caprinos, ovinos e bovinos). Outro estudo em andamento é a exploração do pinhão manso (Jatropha curcas L) por meio de enxertia sobre plantas de pinhão bravo (Jatropha molissima Muell Arg.), que vegetam espontaneamente em áreas degradadas da caatinga. A idéia, segundo José Barbosa, é aproveitar a resistência e rusticidade da espécie nativa visando oferecer uma alternativa de enriquecimento da vegetação natural, associado à produção de matéria-prima para produção de biodiesel.
Atualmente, pesquisadores da Embrapa Semiárido desenvolvem projetos relacionados ao pinhão manso em campos experimentais localizados no pólo Petrolina-PE/ Juazeiro-BA e Nossa Senhora da Glória-SE, em condições de sequeiro e irrigação. Os testes também vão ser realizados em áreas de variadas condições de solo e clima dos estados de Pernambuco e Bahia. Marcos Drumond explica que as plantas mais produtivas no primeiro ensaio instalado foram selecionadas e estão sendo multiplicadas para cultivo em outros estados. Isto representa o primeiro passo para o melhoramento genético da espécie.
As pesquisas serão estendidas por meio de parcerias com outras instituições como a Prefeitura Municipal de Serra Talhada-PE, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Senhor do Bonfim-BA, Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA. Áreas experimentais serão implantadas em conjunto com a empresa privada Indústria Brasileira de Resinas (IBR) nos municípios de Jacobina e Ourolândia, situados na região noroeste da Bahia, no extremo norte da Chapada Diamantina, a 330 quilômetros de Salvador-BA.
Fonte: Embrapa Semiárido Nordeste

terça-feira, 17 de abril de 2012

IPEA declara que a consolidação do biodiesel está na diversificação da produção agrícola


A diversificação da produção agrícola é apontada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) como uma das soluções para a consolidação do programa do biodiesel no Brasil, ao lado da redução da dependência de incentivos fiscais e da diminuição dos custos finais do produto.
Estudo divulgado por técnicos do Ipea, mês passado, mostra que, da capacidade industrial instalada de produção, que hoje é mais de 6 milhões de litros por ano, 57% estão ociosos. A produção efetiva é 2,5 milhões de litros, ofertados para as distribuidoras. “A produção é altamente dependente da soja, que responde por 80% do volume produzido de biodiesel”, diz o estudo. Por outro lado, a viabilidade econômica da produção com mamona, pinhão, girassol, canola e outras oleaginosas depende ainda de pesquisas e avanços tecnológicos.
A pesquisa sugere ainda a necessidade de mudanças na legislação do biodiesel, apontando como uma importante discussão a possível elevação dos atuais 5% para 7%, chegando a 20% de adição do biodiesel ao diesel, ao longo dos próximos anos.
Os estímulos à cadeia produtiva podem ocorrer por meio do incentivo à competição e também com o estímulo a práticas já adotadas, como o Selo Combustível Social, que tem como meta estimular o fortalecimento da agricultura familiar na produção nas regiões Norte, Nordeste e Sul, mas que, segundo o estudo, seus benefícios servem muito mais às indústrias do que aos agricultores familiares. “O Selo Combustível Social, poderia voltar à pauta de debates como forma de estimular o alcance da autonomia econômica do setor, em médio prazo, e evitar maiores problemas no futuro”, atesta o estudo.
Um dos principais efeitos do Selo Combustível Social foi ter aumentado em R$ 0,30 a margem operacional das indústrias. Essa margem cobre custos, lucros e investimentos das indústrias detentoras do Selo.
No entanto, o estudo alerta que aumento do percentual de biodiesel na mistura com o diesel, nas condições atuais, deixa o país longe das diretrizes sociais e regionais que previu no Plano Nacional de Agroenergia (PNA) e no Plano Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB).
Outro aspecto abordado pelo estudo é a oportunidade de o país caminhar para o domínio dos processos de produção, incluindo a produção dos equipamentos industriais e insumos. “Apesar de haver algumas empresas fornecedoras de projetos, plantas industriais e de reposição nacionais, somos ainda importadores de equipamentos e tecnologias, além do atraso em pesquisa e desenvolvimento", destacou a pesquisa.
Fonte: Agência Ambiente Energia

Diretrizes para o melhoramento do pinhão manso visando a produção de biocombustíveis



Transcrevemos o artigo que trata sobre as diretrizes para o melhoramento da cultura do pinhão manso direcionado à produção de biocombustíveis. Artigo esse publicado pelo “Grupo Cultivar de Publicações”.
O pinhão manso (Jatropha curcas L.) é uma espécie perene, monóica, pertencente à família das Euforbiáceas, a mesma da mamona, mandioca e seringueira. A planta vegeta espontaneamente em diversas regiões do Brasil, embora não se possa afirmar que a espécie seja originária do país.
É um arbusto de crescimento rápido, caducifólio, que pode atingir mais de 5 m de altura. Os frutos são do tipo cápsula ovóide, com 1,5 a 3,0 cm de diâmetro, trilocular, contendo via de regra 3 sementes, sendo uma semente por lóculo. As sementes têm de 1,5 a 2,0 cm de comprimento e de 1 a 1,3 cm de largura e representam entre 53 a 79% do peso do fruto, apresentando teor de óleo variando entre 33 e 38 %. A espécie possui potencial para produzir acima de 1.200 kg de óleo por hectare.
Atualmente a Embrapa está trabalhando na implantação de um programa de melhoramento genético para pinhão-manso visando à seleção de cultivares comerciais com alta produtividade de grãos e óleo, sem toxidez (ausência de ésteres de forbol), resistentes a estresses bióticos e abióticos e adaptadas às principais regiões produtoras do Brasil. 
As atividades do programa contemplam ações que envolvem o enriquecimento e caracterização dos recursos genéticos, o uso de métodos de melhoramento visando a obtenção de genótipos superiores e, por fim, a avaliação dos materiais melhorados nas diferentes regiões visando a indicação dos materiais e dos sistemas para plantio. O Programa também desenvolve ações para dar suporte técnico-científico à caracterização botânica e molecular de pinhão-manso, visando subsidiar o registro de cultivares e encurtar caminhos para a obtenção de materiais geneticamente melhorados.
A primeira etapa para iniciar programas de melhoramento para uma espécie em domesticação é impreterivelmente a obtenção do maior número possível de materiais genéticos de forma a ter, inicialmente, uma ampla base genética para seleção e desenvolvimento de cultivares. Neste sentido, a Embrapa Agroenergia em conjunto com a Embrapa Cerrados constituiu um banco de germoplasma com cerca de 200 acessos procedentes de diversas regiões do país, que se encontra, atualmente, em fase de caracterização. 
Os estudos de diversidade genética são muito úteis ao processo de melhoramento da espécie. É importante salientar que apenas conhecer a diversidade genética não é suficiente para o sucesso de programas de melhoramento, sendo fundamental determinar a variabilidade existente em relação aos caracteres de interesse. Para isto, é necessário que se tenha informações fenotípicas confiáveis avaliadas nos genótipos existentes.
Complementar à fenotipagem, a genotipagem auxilia nos estudos de diversidade genética, pois permite a distinção dos acessos precocemente e sem influencia do ambiente. 
A caracterização molecular do banco de germoplasma de pinhão manso da Embrapa revelou que os materiais coletados em diversos locais do território brasileiro apresentam base genética estreita, causada provavelmente por ancestralidade comum na sua introdução em séculos passados. Desta forma, visando ganhos genéticos em longo prazo no programa de melhoramento da espécie é essencial a introdução de materiais oriundos de outros países, principalmente do centro de origem e/ou diversidade da espécie.
O programa de melhoramento deve buscar a obtenção de cultivares com características que atendam às exigências dos produtores (manejo e ganho econômico) e do mercado (especificações de qualidade do biodiesel). Para pinhão manso o programa deve buscar cultivares que tenham maior produtividade em grãos e com alto teor de óleo, ausência de toxidez, sincronização da floração, rusticidade e tolerância a seca, a doenças e a insetos-praga, entre outras características. Porém, é importante ressaltar que a obtenção de ganhos genéticos para atender qualquer um destes objetivos é dependente da existência de variabilidade genética para a característica que se deseja melhorar na população.
Como se verifica, quase todos os caracteres agronômicos que se deseja melhorar em pinhão-manso são quantitativos, portanto, influenciados pelo ambiente e devido a isso tendem a ter baixa herdabilidade. Caracteres como estes devem ser melhorados de forma gradual, ao longo de várias gerações. 
Durante as etapas do programa de melhoramento devem-se selecionar materiais genéticos com elevada média e ampla variabilidade genética, para proporcionar ganhos contínuos com seleção ao longo de várias gerações. Os métodos de melhoramento adotados devem buscar o aumento de forma gradativa e contínua das freqüências dos alelos favoráveis e, simultaneamente, manter a variabilidade genética em níveis adequados para permitir a realização de novos ciclos seletivos.
A Seleção Assistida por Marcadores (SAM) é uma poderosa ferramenta que pode auxiliar o programa de melhoramento. É importante, principalmente, ao se trabalhar com espécies perenes, pois qualquer auxílio para aumentar a eficiência de seleção é significativo devido ao grande tempo necessário para se realizar um ciclo de seleção. Nesse contexto, a SAM pode contribuir para a seleção precoce de genótipos superiores. Em diversos estudos tem se verificado a eficiência desta ferramenta na seleção para caracteres controlados por poucos genes e ineficiência da SAM na seleção para caracteres quantitativos. Portanto, é uma ferramenta que pode auxiliar durante o melhoramento da espécie, principalmente, na introdução de caracteres específicos em materiais genéticos que estejam em processo avançado no melhoramento.
 O uso da clonagem, técnica que perpetua indivíduos superiores na população, permite capitalizar toda a variância genotípica presente na população. Ao fazer uso da clonagem é importante que o programa de melhoramento populacional seja mantido de forma paralela, para que cada vez mais seja possível a obtenção de novas combinações híbridas superiores.
A avaliação dos genótipos melhorados em diferentes regiões é essencial para recomendação de cultivares para plantios em condições específicas ou amplas. Neste sentido, como etapa do programa de melhoramento, tornam-se fundamentais os estudos de interações genótipos x ambientes e de estabilidade e adaptabilidade dos genótipos melhorados. 
Em conclusão, sendo o pinhão-manso uma espécie perene não domesticada, estima-se que serão necessários de 5 a 7 anos para que se obtenham as cultivares melhoradas e informações cientificamente embasadas sobre sistemas de produção da cultura que suportem o cultivo comercial em diferentes regiões. 
Fonte: Embrapa Agroenergia